Tecnologia
WhatsApp se aproxima do Telegram com ferramenta que agrega grupos
Uma das novidades anunciadas pelo WhatsApp na última quinta-feira (14/4) pode aproximá-lo do Telegram, que tem sido alvo de críticas por suas regras menos rígidas que a dos concorrentes.
O recurso Comunidades vai agregar grupos e permitir que os administradores desses espaços enviem avisos para milhares de pessoas ao mesmo tempo. De certa forma, ele dribla outras limitações do aplicativo, como a do número máximo de integrantes em grupos, que é de 256. E o deixa mais alinhado com o rival, que já permite grupos com 200 mil pessoas.
A ferramenta começará a ser testada globalmente nos próximos dias, mas não no Brasil. O WhatsApp adiou o lançamento do Comunidades no país para o ano que vem, após as eleições.
A empresa disse que, no acordo que assinou com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), se comprometeu a não implementar nenhuma mudança significativa no app até as eleições acontecerem. Um dos principais objetivos desses acordos é o combate às fake news no período.
Por outro lado, junto com o lançamento do Comunidades, o WhatsApp decidiu que todas as mensagens encaminhadas só poderão ser reenviadas para um destinatário por vez, seja pessoa ou grupo. Para empresa, esta é uma ação que vai dificultar a disseminação de desinformação. E ela já está valendo, inclusive no Brasil.
Outras novidades foram anunciadas, como envio arquivos mais pesados, de até 2GB — o que favorece vídeos —, chamadas de voz para grupos de até 32 pessoas e reações a mensagens com emojis. Veja abaixo onde o WhatsApp, aplicativo de mensagens mais usado no mundo, ficará mais parecido com o Telegram, e onde ainda se distancia.
Onde WhatsApp se aproxima do Telegram:
- O Whatsapp restringe a 256 o número máximo de participantes de grupos e também só permite o reencaminhamento de mensagens para 1 destinatário por vez. Mas o Comunidades poderá agregar grupos em um mesmo espaço. Assim, os administradores de uma comunidade podem enviar avisos para milhares de pessoas ao mesmo tempo. Ainda não há informações sobre o formato desses avisos.
- Já o Telegram permite até 200 mil pessoas em um grupo. E, quando se chega a esse limite, eles podem se tornar grupos de transmissão. Ali, só os administradores podem enviar mensagens, mas o número de participantes é ilimitado.
O que o WhatsApp tem e o Telegram não:
- status/stories;
- recursos adicionais para contas comerciais (incluindo pagamentos);
- criptografia de ponta a ponta nas mensagens, a mesma do app Signal. Isso significa que o WhatsApp não pode ver o conteúdo de mensagens nem ouvir chamadas feitas no app, porque o processo de criptografia das mensagens acontece no aparelho dos usuários. No Telegram, as conversas não são criptografadas por padrão, sendo necessário ativá-la em conversas específicas por meio de “chats secretos”;
- código-fonte fechado. O do Telegram é aberto, mas o código do servidor do serviço é fechado;
- é obrigatório divulgar o número de telefone para receber e enviar mensagens. O Telegram requer essa informação para a criação da conta, mas permite que você deixe o seu contato de telefone anônimo para outros usuários.
O que o Telegram tem e o WhatsApp não:
- chamadas de voz para até 200 mil pessoas (que é o limite dos grupos). No WhatsApp, passa a ser possível falar com 32 pessoas simultaneamente (até então eram 8);
- o aplicativo pode ser acessado mesmo com o telefone offline. O WhatsApp só passou a permitir esse tipo de acesso recentemente, mas apenas via WhatsApp Web. O desempenho desse recurso, no entanto, tem desagradado os usuários;
- usar até três contas diferentes no mesmo celular: o Telegram permite que os usuários conectem até três perfis diferentes no mesmo aplicativo. Já o WhatsApp só funciona com uma conta por vez num mesmo aparelho. Há aplicativos terceiros que permitem essa segunda conta e esse recurso está disponível em celulares de fabricantes como Xiaomi e Samsung.
- permite definir quem pode ver se você está on-line, entre outros dados que podem ser ocultados;
- tem agendamento de envio de mensagens;
- oferece busca de pessoas próximas para se comunicar;
- como a criptografia de ponta a ponta não é habilitada por padrão no aplicativo, as mensagens, fotos e arquivos das conversas regulares (não secretas) do Telegram podem ser acessadas pela empresa. O Telegram tem meios para visualizar o conteúdo das conversas entre duas pessoas e, potencialmente, ceder essas informações para autoridades por ordens judiciais, por exemplo. Isso porque, em algum momento do processo de entrega das mensagens, o aplicativo lida com esse conteúdo sem criptografia em seus servidores (as autoridades da Lava Jato, por exemplo, foram expostas pelo Telegram por esse motivo). O app diz não possuir vínculos com redes de publicidade que usam esses dados para a modelagem de perfis.
- permite personalizar chats com enquetes, quiz e jogos, por meio da instalação de “bots”. Esses robôs podem fazer funções diferentes, como transcrever mensagens de áudio ou deixar uma música de fundo em uma chamada de voz, por exemplo.
Fonte: g1
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