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Estado SP

📺 POR QUE O GRUPO AUGE NÃO VAI ENTRAR NA ONDA DOS CORTES DO DEBATE ENTRE LULA E FLÁVIO BOLSONARO?

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Respeitamos a posição política de cada integrante do Grupo Auge, mas a linha editorial de nossa emissora não pode ser confundida com preferências pessoais. Em um debate marcado por ataques, acusações e perguntas sem respostas diretas, publicar trechos isolados pode oferecer ao público uma visão incompleta do confronto.

O Grupo Auge decidiu não entrar na disputa de cortes do debate presidencial realizado pela Band, no domingo (18), entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

A decisão não representa falta de interesse político, tentativa de evitar assuntos polêmicos ou receio de contrariar qualquer grupo.

Representa uma escolha editorial: não transformar nossa emissora em instrumento de promoção de uma candidatura ou de ataques seletivos à outra.

Cada integrante do Grupo Auge tem liberdade para formar suas convicções políticas, defender ideias e exercer seu direito de voto.

Mas existe uma diferença fundamental entre a opinião individual de um profissional e a responsabilidade institucional de um veículo de comunicação.

A posição política de quem trabalha no Grupo Auge não determina a linha editorial da Auge TV, do Portal Auge1 ou dos demais veículos do grupo.

🗳️ PARA OS BOLSONARISTAS, FLÁVIO VENCEU. PARA OS LULISTAS, LULA VENCEU. MAS O QUE O DEBATE ESCLARECEU?

Após o confronto, apoiadores dos dois candidatos passaram a divulgar momentos que consideraram favoráveis aos seus respectivos lados.

Os bolsonaristas destacaram ataques e respostas de Flávio Bolsonaro.

Os lulistas fizeram o mesmo com Lula.

Essa disputa por interpretações é natural em uma eleição polarizada.

Entretanto, nossa análise editorial do debate identificou uma característica preocupante: os dois candidatos fizeram perguntas importantes, mas, em diversas ocasiões, evitaram responder diretamente aos questionamentos recebidos.

Lula perguntava e Flávio reagia com outra acusação.

Flávio perguntava e Lula respondia com um novo ataque.

Questões que mereciam esclarecimentos acabavam substituídas por confrontos pessoais e referências a episódios envolvendo familiares, aliados e adversários políticos.

Houve apresentação de propostas, mas muitos assuntos ficaram sem aprofundamento.

O problema não foi a ausência de perguntas. Foi a falta de respostas diretas às perguntas feitas pelos próprios candidatos.

🎬 POR QUE NÃO PUBLICAREMOS CORTES ISOLADOS?

Um trecho de poucos segundos pode mostrar uma pergunta contundente, uma reação inesperada ou uma frase de efeito.

Mas pode deixar de fora a pergunta anterior, a resposta seguinte, o contexto da acusação ou a explicação necessária para compreender o assunto.

Um corte de Lula pode produzir a impressão de que ele dominou determinado confronto.

Um corte de Flávio pode produzir exatamente a impressão contrária.

Isso não significa que todo vídeo curto seja manipulado ou que outros veículos estejam necessariamente agindo de maneira parcial.

Significa que a seleção de um trecho, mesmo quando feita sem intenção de favorecer alguém, pode alterar a percepção do público sobre o conjunto do debate.

Por isso, o Grupo Auge não pretende participar da disputa para escolher qual candidato merece o corte mais favorável.

Nossa opção é analisar o conteúdo de forma contextualizada, apontando questionamentos relevantes, respostas apresentadas e assuntos que permaneceram sem esclarecimento.

📊 MAIS DE 33 MILHÕES DE BRASILEIROS NÃO VOTARAM NO PRIMEIRO TURNO

Existe outro aspecto que merece atenção.

No primeiro turno das eleições de 2026, aproximadamente 33,4 milhões de brasileiros não compareceram às urnas, o equivalente a 21,08% do eleitorado.

É um contingente expressivo, que não pode ser ignorado pelas campanhas nem pelos veículos de comunicação.

Entretanto, é necessário fazer uma distinção: não podemos afirmar que esses 33,4 milhões de eleitores sejam indecisos ou que todos tenham deixado de votar por rejeição aos candidatos.

Existem diferentes motivos para a abstenção, incluindo dificuldades de deslocamento, problemas pessoais, desinteresse e insatisfação política.

Ainda assim, há eleitores que não votaram em Lula nem em Flávio no primeiro turno e que procuram compreender melhor as duas candidaturas.

É justamente para esse público que um debate completo e esclarecedor pode ter importância especial.

❓ O DEBATE DEIXOU OS INDECISOS AINDA MAIS INDECISOS?

Nossa avaliação é que o confronto ofereceu poucos esclarecimentos aprofundados em relação a várias perguntas relevantes feitas pelos próprios candidatos.

Para quem assistiu sem estar na torcida por Lula ou Flávio, a sucessão de acusações pode ter dificultado a comparação entre as propostas.

Mas é importante reconhecer que essa é uma interpretação editorial.

Não dispomos de uma pesquisa posterior ao debate que permita afirmar quantos eleitores mudaram de opinião, permaneceram indecisos ou ficaram mais confusos.

O que podemos questionar é se um debate com tantas respostas indiretas realmente contribuiu para reduzir as dúvidas de quem ainda não definiu seu voto.

Quem já tinha candidato encontrou momentos para comemorar. Quem procurava esclarecimentos encontrou também muitas perguntas sem respostas.

📉 PODEREMOS TER MAIS ABSTENÇÕES NO SEGUNDO TURNO?

A possibilidade existe.

Em 2018, a abstenção presidencial aumentou de 20,33% no primeiro turno para 21,30% no segundo.

Já em 2022, ocorreu o contrário: a abstenção diminuiu entre as duas votações.

Portanto, não existe uma regra que determine aumento ou redução das ausências.

Em 2026, o primeiro turno registrou 21,08% de abstenção. Repetir esse percentual significaria novamente aproximadamente 33 milhões de eleitores ausentes, considerando um eleitorado semelhante.

Uma pesquisa Datafolha divulgada antes do debate apontou que 96% dos entrevistados pretendiam comparecer ao segundo turno, mas declarações de intenção de votar não equivalem ao comparecimento efetivo.

Também não é possível atribuir antecipadamente um eventual aumento das abstenções ao desempenho dos candidatos no debate.

A pergunta permanece aberta:

O confronto ajudará a mobilizar eleitores ou a falta de esclarecimentos contribuirá para manter parte deles distante das urnas?

A resposta dependerá do comportamento do eleitorado no próximo domingo, 25 de outubro.

⚖️ IMPARCIALIDADE NÃO É DEIXAR DE QUESTIONAR

A decisão do Grupo Auge não significa tratar todas as acusações como verdadeiras, ignorar contradições ou deixar de cobrar explicações.

Pelo contrário.

Imparcialidade não é ausência de posicionamento jornalístico. É compromisso com critérios de apuração que não mudam conforme o candidato questionado.

Se Lula deixar de responder a uma pergunta importante, isso deve ser apontado.

Se Flávio deixar de responder a uma pergunta importante, a mesma cobrança deve ser feita.

Se qualquer um apresentar uma informação incorreta, ela deve ser confrontada com os fatos.

E se apresentar uma proposta concreta, ela merece ser examinada independentemente de sua origem partidária.

Não precisamos escolher um lado para exercer o jornalismo.

📺 NOSSO COMPROMISSO É COM A INFORMAÇÃO COMPLETA

O Grupo Auge reconhece a importância do debate político e respeita o direito de cada brasileiro defender suas preferências.

Mas não considera adequado transformar uma disputa presidencial em uma sequência de vídeos selecionados apenas pelos momentos mais provocativos.

Nossa decisão editorial é privilegiar análises contextualizadas, informações verificáveis e questionamentos aplicados com o mesmo rigor aos dois candidatos.

Não vamos confundir a liberdade política dos integrantes do Grupo Auge com a responsabilidade jornalística de nossos veículos.

Lula e Flávio Bolsonaro disputam a Presidência da República.

Seus apoiadores têm o direito de comemorar os momentos que consideram favoráveis.

O Grupo Auge, por sua vez, tem o dever de examinar o conteúdo completo, inclusive aquilo que as duas campanhas prefeririam não destacar.

Porque uma coisa é torcer por um candidato. Outra, muito diferente, é informar o Brasil.

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Fonte: Grupo Auge — posicionamento editorial; Tribunal Superior Eleitoral (TSE); Agência Brasil; Datafolha; Band.

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