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🚨 CAMPINAS CONCEDE QUASE 1,9 MIL MEDIDAS PROTETIVAS EM OITO MESES: MÉDIA CHEGA A 7 POR DIA
Foram 1.868 decisões entre janeiro e agosto de 2026, contra 1.580 no mesmo período de 2025; crescimento de 18,2% reforça alerta sobre violência contra mulheres
A cada dia, em média, sete medidas protetivas foram concedidas pela Justiça em Campinas entre janeiro e agosto deste ano.
Dados do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) mostram que foram 1.868 medidas protetivas no período, o maior número para esses oito meses desde o início da série histórica das Varas de Violência Doméstica e Familiar de Campinas, em 2018.
No mesmo intervalo de 2025 haviam sido concedidas 1.580 medidas.
São 288 decisões a mais, crescimento de aproximadamente 18,2% em apenas um ano.
⚠️ SETE MEDIDAS PROTETIVAS TODOS OS DIAS
Os números ajudam a dimensionar uma violência que muitas vezes acontece longe dos olhos da sociedade.
Medidas protetivas são instrumentos previstos na Lei Maria da Penha para interromper situações de violência e proteger mulheres diante de riscos à integridade física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral, além da proteção de seus dependentes.
Dependendo do caso, a Justiça pode determinar medidas como afastamento do agressor, proibição de aproximação e contato e outras restrições necessárias à proteção da vítima.
E desde 2023, a concessão da medida protetiva não depende necessariamente da existência prévia de boletim de ocorrência, inquérito policial ou processo criminal, podendo ocorrer diante da situação de risco apresentada pela mulher.
📈 DE 1.580 PARA 1.868 EM UM ANO
A comparação chama atenção:
Janeiro a agosto de 2025: 1.580 medidas.
Janeiro a agosto de 2026: 1.868 medidas.
Aumento: 288 medidas.
Crescimento: 18,2%.
Mas o aumento não permite concluir, isoladamente, que a violência doméstica tenha crescido exatamente na mesma proporção.
Especialistas apontam que números maiores também podem refletir mais informação, maior conhecimento das mulheres sobre seus direitos e maior procura pelos mecanismos de proteção.
Ao mesmo tempo, o volume demonstra que milhares de situações chegaram ao sistema de Justiça com elementos suficientes para justificar proteção judicial.
🚨 E OS NÚMEROS AINDA PODEM NÃO MOSTRAR TODA A REALIDADE
Segundo a presidente da Comissão de Combate à Violência contra a Mulher da OAB Campinas, os números precisam ser analisados também considerando a subnotificação.
Há mulheres que permanecem em situação de violência e não denunciam.
Além disso, segundo a avaliação apresentada pela Comissão, os dados informados não contabilizam as renovações das medidas já concedidas.
Ou seja: 1.868 não deve ser interpretado como o número total de episódios de violência contra mulheres ocorridos em Campinas, nem necessariamente como 1.868 mulheres diferentes.
É o número de medidas protetivas concedidas no período analisado.
🖤 NÚMERO GANHA PESO DIANTE DOS CASOS DE FEMINICÍDIO
O levantamento chama ainda mais atenção diante dos casos graves de violência contra mulheres registrados na região.
Neste domingo (14), por exemplo, uma jovem de 21 anos foi encontrada morta dentro de uma residência no Jardim Campo Belo, em Campinas. O companheiro, de 43 anos, foi preso, e o caso passou a ser investigado como feminicídio após a perícia identificar indícios de morte violenta e marcas no pescoço compatíveis com estrangulamento.
Cada caso possui circunstâncias próprias e não há relação automática entre uma medida protetiva e a ocorrência de feminicídio.
Mas os números mostram o tamanho da demanda por proteção.
🛡️ MEDIDA PROTETIVA É PROTEÇÃO, MAS PREVENÇÃO PRECISA COMEÇAR ANTES
Em agosto, quando a Lei Maria da Penha completou 20 anos, TJ-SP, Ministério Público, Defensoria Pública e OAB-SP lançaram conjuntamente a campanha “Medidas Protetivas Salvam Vidas”, justamente para ampliar o conhecimento das mulheres sobre os mecanismos disponíveis.
A medida protetiva é uma ferramenta fundamental.
Mas ela entra em cena quando uma situação de risco já existe.
Por isso, o desafio não pode ser apenas aumentar a capacidade de conceder medidas rapidamente. É necessário fortalecer prevenção, identificação precoce da violência, acolhimento, denúncia, acompanhamento das vítimas e fiscalização do cumprimento das decisões judiciais.
📢 DENUNCIAR PODE INTERROMPER O CICLO DA VIOLÊNCIA
Mulheres em situação de violência podem procurar os serviços policiais e a rede de proteção. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190. A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 também oferece orientação e encaminhamento para os serviços especializados. O próprio TJ-SP mantém informações sobre os canais disponíveis para denúncia e atendimento.
Os 1.868 pedidos concedidos em apenas oito meses não devem ser tratados simplesmente como estatística.
Por trás de cada decisão judicial existe uma situação de risco que chegou ao conhecimento do Estado.
E uma média de sete medidas protetivas por dia em uma única cidade é um alerta que Campinas não pode ignorar.
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Fonte: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), OAB Campinas e Ministério das Mulheres.
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