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Política

Prefeitura estima que lixo eleitoral chegou a 14 toneladas nas ruas de Campinas

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A Prefeitura de Campinas estima recolher 14 toneladas de lixo eleitoral, como santinhos, adesivos e panfletos, até quarta-feira (7), nas áreas próximas aos locais de votação do primeiro turno das Eleições 2026, realizado no domingo (4).

O volume de lixo pode superar em duas toneladas o registrado nas eleições de 2022, quando foram recolhidas aproximadamente 12 toneladas.

Derramamento de santinho é ilegal

Neste domingo, várias cidades da região de Campinas amanheceram cobertas por santinhos. A prática de derramento de material impresso de propaganda eleitoral é ilegal, mas ainda muito comum em dias de votação.

De acordo com a legislação, o derramamento de santinhos configura crime eleitoral e pode resultar em detenção e multa. Na região, foram registrados casos em diferentes locais de votação.

De acordo com a Polícia Militar, a região de Campinas teve oito ocorrências relacionadas às eleições, sendo seis de boca de urna.

Registros na região

Em Campinas, havia santinhos em frente a uma escola no Campo Grande e também na Escola Municipal Maria Julieta, no Jardim Campos Elíseos.

Imagens registraram um carro derramando santinhos na Rua Graciliano Ramos, na Vila União, ao lado da Escola Estadual Rachel de Queiroz. O local tem 4.262 eleitores distribuídos em 11 seções.

Eleitores também enviaram imagens denunciando o derramamento de santinhos no Parque Itajaí e no Jardim Boa Vista.

Segundo a Polícia Militar, por volta das 9h, uma mulher foi detida no bairro Nova Aparecida por suspeita de fazer boca de urna. Ela foi encaminhada ao distrito policial.

Em Sumaré, foram encontrados materiais em frente à Escola Municipal José de Anchieta, um dos principais locais de votação da cidade, e na Escola Municipal Doutor Leandro Franceschini.

Já em Limeira, não havia santinhos em frente ao maior local de votação da cidade. O material foi encontrado apenas na avenida lateral da Escola Doutor Antônio de Luna.

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670 pessoas recolhem o lixo das eleições

Mais de 70 funcionários do Departamento de Limpeza Urbana (DLU) atuam na varrição das ruas próximas aos locais de votação. Os trabalhos começaram ainda no domingo.

Nesta segunda-feira, a operação recebeu o reforço de cerca de 600 reeducandos do regime semiaberto do sistema prisional que prestam serviços à Prefeitura.

Parte do material pode ser reciclada

A destinação dos resíduos dependerá do tipo de material recolhido. De acordo com o secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, parte dos santinhos poderá ser encaminhada para reciclagem.

“O tipo de papel dos santinhos varia desde materiais foscos até autocolantes. Na última eleição, 40% do material pôde ser reciclado. Vamos avaliar neste ano”, disse.

Santinhos na rua causa risco de acidentes

Segundo o vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) e corregedor regional eleitoral, Roberto Maia Filho, o derramamento de santinhos não apenas configura crime eleitoral, mas também pode colocar os eleitores em risco de acidentes.

Ele lembrou o caso de uma eleitora idosa de Bauru, no interior paulista, que morreu durante as eleições de 2012 após escorregar em um monte de santinhos espalhados próximo a um local de votação. Ela sofreu uma fratura na bacia, foi internada e morreu três dias depois em decorrência de complicações do trauma.

“Santinho é aquele papelzinho de propaganda eleitoral que tem o número do candidato. O derrame de santinhos é um procedimento realizado na madrugada anterior à eleição que consiste em despejar clandestinamente na rua ou no chão esses papéis. Infelizmente, em algumas localidades, isso acabou se tornando um costume. Aliás, um péssimo costume”, afirmou o corregedor.

De acordo com Maia Filho, apesar de ser crime, alguns candidatos continuam espalhando propagandas eleitorais impressas durante as eleições.

“Uma vez eu questionei um candidato sobre o porquê de ele jogar papel no chão no dia de eleição. E ele me respondeu: ‘Ah, porque, de repente, o eleitor está sem candidato. Aí, chegando na escola, ele pega meu papel no chão e poderia pensar em votar em mim’. Para mim, isso é até subestimar a inteligência do eleitor. E ainda causa sérios problemas para a limpeza da cidade e até mesmo para a integridade física dos eleitores, principalmente dos mais idosos”, afirmou.

Véspera da eleição

Segundo o corregedor, o derramamento de propaganda pelas ruas costuma ocorrer principalmente na madrugada que antecede as eleições.

“Isso geralmente é feito na madrugada, quando a prefeitura não consegue varrer [a tempo]. Esse santinho fica ali no chão nessa vã esperança de que o eleitor vá votar em alguém que viu o papelzinho na rua”, explicou.

Para Maia Filho, a prática também deve levar o eleitor a refletir sobre a postura dos candidatos. Segundo ele, o crime pode fazer o eleitor questionar se vale a pena votar em candidatos que não respeitam a cidade, os próprios eleitores e, principalmente, idosos e pessoas com deficiência, que estão entre os mais vulneráveis aos riscos provocados pelo material espalhado nas vias públicas.

Denúncia

O derramamento de santinhos pode ser denunciado às autoridades eleitorais. Uma das formas de encaminhar a denúncia é pelo aplicativo Pardal, disponibilizado gratuitamente pela Justiça Eleitoral.

A ferramenta permite que o cidadão comunique possíveis irregularidades relacionadas à propaganda eleitoral. A denúncia deve conter informações que permitam a identificação e a apuração do caso e pode ser acompanhada de fotos, vídeos ou áudios que ajudem a comprovar a ocorrência.

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