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🚨 HES perde 18 médicos da ginecologia e obstetrícia em um único mês e gestantes de alto risco relatam consultas canceladas
Hospital Estadual de Sumaré confirma desligamentos ocorridos em setembro e afirma que vagas foram repostas; crise no atendimento acontece no mesmo período em que pacientes relatam problemas no acompanhamento de gestações de alto risco e dois casos envolvendo gravidez mantida após curetagem vieram a público
A saída de 18 médicos da equipe de ginecologia e obstetrícia do Hospital Estadual de Sumaré (HES) durante o mês de setembro afetou a rotina de atendimento de gestantes acompanhadas pela unidade, referência regional para aproximadamente 1 milhão de habitantes.
O próprio hospital confirmou os desligamentos e informou que as vagas foram preenchidas ao longo do mês. Atualmente, segundo o HES, 45 médicos compõem o serviço de ginecologia e obstetrícia.
Apesar da recomposição anunciada, pacientes relataram cancelamentos de consultas de pré-natal, inclusive em gestações consideradas de alto risco.
O episódio ganha ainda mais relevância porque ocorre no mesmo ano em que vieram a público dois casos envolvendo mulheres que permaneceram grávidas após serem submetidas a curetagem no hospital, além de reclamações sobre mudanças de profissionais e dificuldades no acompanhamento ambulatorial.
⚠️ 18 médicos deixaram a especialidade em setembro
O número chama atenção pela dimensão.
Foram 18 desligamentos somente em setembro em uma das áreas mais sensíveis de um hospital que atende pacientes de diferentes municípios da região.
O HES informou que realizou a reposição das vagas durante o próprio mês e que está reforçando a equipe e reorganizando os horários.
Segundo a instituição, as gestantes têm prioridade no agendamento das consultas de pré-natal.
Mas entre a saída dos profissionais e a recomposição da equipe, pacientes sentiram os efeitos diretamente na agenda.
🤰 Grávida de gêmeos teve três consultas canceladas
Entre as mulheres atingidas está uma moradora de Hortolândia, grávida de gêmeos e em tratamento para diabetes gestacional.
A combinação dessas condições exige acompanhamento especializado.
A gestante começou o pré-natal no Hospital Estadual de Sumaré em maio, após encaminhamento realizado pela rede municipal.
Inicialmente, os retornos ocorreram normalmente.
À medida que a gravidez avançava, entretanto, a orientação médica passou a exigir acompanhamento mais frequente.
Foi justamente nessa fase que começaram os cancelamentos.
Segundo o relato da paciente, três consultas consecutivas foram canceladas em setembro, algumas delas praticamente na véspera do atendimento.
Com isso, uma gestação que deveria passar a receber acompanhamento cada vez mais próximo enfrentou justamente o movimento contrário: dificuldade para conseguir avaliação médica.
❓ Repor médicos significa normalizar imediatamente o atendimento?
Esse é um dos principais questionamentos deixados pelo episódio.
O HES afirma que as 18 vagas foram repostas durante setembro e informa possuir atualmente 45 médicos na especialidade.
A recomposição quantitativa do quadro, entretanto, não responde sozinha ao impacto provocado durante a transição.
Quantas consultas foram canceladas em setembro?
Quantas eram de pré-natal de alto risco?
Quantas pacientes precisaram ser reagendadas?
Qual foi o maior intervalo entre a consulta cancelada e o novo atendimento?
Todas as gestantes afetadas já tiveram seus atendimentos regularizados?
Houve pacientes próximas ao parto sem o acompanhamento previsto?
São informações importantes para dimensionar o impacto real da saída simultânea de tantos profissionais.
🏥 HES apresenta números do atendimento
O Hospital Estadual apresentou dados para demonstrar o volume de assistência prestada pela especialidade.
Entre janeiro e agosto de 2026, foram realizadas:
1.821 consultas ambulatoriais de ginecologia e obstetrícia, das quais 1.136 foram consultas de pré-natal.
No mesmo período, o hospital registrou 3.621 atendimentos de urgência, 1.430 partos e 668 procedimentos cirúrgicos relacionados à especialidade.
Os números demonstram justamente a importância estratégica da ginecologia e obstetrícia dentro da estrutura do HES.
É também por esse motivo que a saída de 18 profissionais em apenas um mês merece atenção.
🌎 Hospital atende seis municípios da região
O HES não atende exclusivamente moradores de Sumaré.
A instituição integra a rede regional do SUS e recebe pacientes encaminhados pelos serviços municipais de Sumaré, Hortolândia, Americana, Nova Odessa, Monte Mor e Santa Bárbara d’Oeste.
É um hospital público estadual, vinculado à Unicamp, que atua em média e alta complexidade.
A própria instituição informa possuir cerca de 300 médicos, docentes, residentes e alunos em seu corpo clínico geral e mantém estruturas como UTIs neonatal, pediátrica e adulta.
Na área obstétrica, portanto, problemas de atendimento podem produzir reflexos muito além dos limites de Sumaré.
🚨 Cancelamentos acontecem em meio a outros questionamentos
O problema com as agendas não aparece isoladamente.
Nos últimos meses, outros atendimentos envolvendo gestantes no HES passaram a ser questionados publicamente.
Um dos casos mais recentes envolve uma mulher de 40 anos, que relatou ter passado por uma curetagem no hospital em fevereiro após exames indicarem que sua gestação não havia evoluído.
Posteriormente, descobriu que continuava grávida.
No final de setembro, já estava na 35ª semana de gestação.
O hospital informou que abriu sindicância para apurar o atendimento.
⚠️ Paciente também relatou problemas no acompanhamento
O caso não ficou restrito ao procedimento realizado no início da gravidez.
Já com a gestação avançada e considerada de risco, a mulher também relatou dificuldades no acompanhamento ambulatorial.
Entre as reclamações estavam trocas de profissionais e cancelamentos de consultas.
Isso faz com que dois assuntos inicialmente diferentes passem a se encontrar:
os questionamentos sobre determinados procedimentos obstétricos realizados pelo hospital e os problemas recentes na continuidade do pré-natal.
🚨 Outro caso de curetagem já havia sido registrado
Este não foi o primeiro episódio semelhante divulgado em 2026.
Em agosto, outro caso ganhou repercussão depois que uma paciente afirmou ter recebido diagnóstico de aborto espontâneo no Hospital Estadual de Sumaré.
Segundo o relato da mulher, o diagnóstico teria sido realizado sem ultrassonografia naquele atendimento.
Ela foi submetida a uma curetagem.
Cerca de um mês depois, após continuar apresentando sintomas de gravidez, realizou novos exames.
O ultrassom constatou que o feto permanecia vivo e em desenvolvimento.
O hospital confirmou à imprensa que abriu sindicância para apurar a conduta da equipe responsável pelo atendimento.
🔎 Dois casos semelhantes exigem respostas
É necessário cuidado para não antecipar conclusões sobre responsabilidades individuais enquanto as apurações estão em andamento.
Mas a existência de dois episódios envolvendo gravidez mantida após procedimentos de curetagem no mesmo hospital e no mesmo ano justifica questionamentos sobre protocolos e mecanismos internos de segurança.
Entre eles:
Quais exames são obrigatoriamente realizados antes de uma curetagem no HES?
Em quais circunstâncias um procedimento pode ser realizado sem ultrassonografia imediatamente anterior?
Existe protocolo para confirmação independente de perda gestacional antes do procedimento?
As duas ocorrências foram analisadas conjuntamente para identificar eventual falha sistêmica?
As sindicâncias já foram concluídas?
Algum protocolo foi alterado depois dos casos?
Essas respostas são importantes não apenas para determinar o que aconteceu com as pacientes envolvidas, mas para demonstrar quais medidas foram adotadas para reduzir o risco de repetição.
📊 Um número também precisa ser melhor explicado: 45 médicos
O hospital informa atualmente contar com 45 médicos na ginecologia e obstetrícia.
Dados públicos do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde referentes à competência de agosto apresentam quantidade diferente de profissionais com vínculo registrado na especialidade.
Essa comparação, entretanto, precisa ser feita com cautela.
O cadastro do CNES pode incluir residentes, profissionais com diferentes tipos de vínculo e registros cuja atualização não coincide imediatamente com mudanças ocorridas no quadro de trabalho.
Por isso, o número mais importante para avaliar a capacidade assistencial não é apenas quantos nomes aparecem cadastrados.
É necessário saber quantos profissionais efetivamente compõem cada escala, quantos atendem o ambulatório de pré-natal, quantos atuam nos plantões obstétricos e quantos estão disponíveis simultaneamente.
❓ Por que 18 médicos deixaram o serviço no mesmo mês?
Há ainda uma pergunta central que permanece.
O que provocou a saída de 18 profissionais de uma mesma especialidade em apenas um mês?
Desligamentos individuais são normais em qualquer instituição.
A saída de 18 médicos da mesma área em um período tão curto, porém, é um movimento suficientemente expressivo para justificar esclarecimentos.
Foram demissões?
Pedidos de desligamento?
Encerramento ou mudança contratual?
Alteração na empresa ou estrutura responsável pelas escalas?
Houve alguma mudança nas condições de trabalho?
Os profissionais saíram simultaneamente ou gradativamente?
A reposição ocorreu antes ou depois de as agendas começarem a ser canceladas?
Entender a causa é importante para saber se o problema foi circunstancial ou se existe risco de nova instabilidade.
📢 O número de atendimentos não elimina o problema dos cancelamentos
Os milhares de procedimentos apresentados pelo HES demonstram a dimensão do trabalho realizado pela instituição.
Mas produção hospitalar acumulada e continuidade individual do tratamento são indicadores diferentes.
Uma unidade pode realizar milhares de consultas e, ainda assim, determinada paciente enfrentar interrupções em um acompanhamento que deveria ocorrer periodicamente.
No pré-natal de alto risco, essa diferença é particularmente importante.
A questão, portanto, não é apenas quantas consultas o hospital realizou.
Também é necessário saber se cada gestante conseguiu receber o acompanhamento indicado para sua condição clínica no intervalo estabelecido pela própria equipe médica.
📣 Auge1 mantém espaço aberto para esclarecimentos
Diante da confirmação da saída de 18 médicos, dos cancelamentos relatados por pacientes e dos outros episódios obstétricos que vieram a público em 2026, algumas respostas são fundamentais para esclarecer a situação.
O Portal Auge1 mantém espaço aberto ao Hospital Estadual de Sumaré e à Secretaria de Estado da Saúde para informar os motivos dos 18 desligamentos, o número de consultas canceladas em setembro, quantas gestantes de alto risco foram afetadas, se todas já tiveram os atendimentos reagendados e quais medidas foram tomadas para garantir a continuidade assistencial.
Também permanece relevante esclarecer o andamento das sindicâncias relacionadas aos casos envolvendo curetagem e quais medidas de segurança foram adotadas após as ocorrências.
A recomposição do quadro médico é uma informação importante.
Agora, o ponto fundamental para as gestantes é saber se a recomposição dos profissionais também significou a normalização efetiva do atendimento.
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Fonte: Hospital Estadual de Sumaré; Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES/DataSUS); relatos de pacientes; EPTV; informações públicas do HES.
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