Política
Campinas deve receber Centro TEA Paulista, diz secretário estadual
Campinas ocupa posição estratégica nas políticas públicas voltadas à inclusão de pessoas com deficiência em São Paulo e deve receber, futuramente, uma unidade do Centro TEA Paulista. A avaliação é do secretário de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa, em entrevista ao acidade on Campinas.
Segundo o secretário, a região se consolidou como referência estadual por concentrar pesquisas, desenvolvimento tecnológico e formação de profissionais especializados, principalmente por meio da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), parceira do Governo de São Paulo em projetos de acessibilidade.
Campinas deve receber Centro TEA Paulista
O Governo de São Paulo inaugurou nesta semana, em Bauru, a primeira unidade do Centro TEA Paulista no interior do estado, juntamente com um Centro de Cidadania da Pessoa com Deficiência. O complexo atenderá moradores dos 39 municípios da região administrativa de Bauru e tem capacidade estimada para realizar cerca de 24 mil atendimentos por ano.
Entre os serviços oferecidos no Centro estão atendimento presencial e remoto para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e familiares, orientação sobre direitos, capacitação de profissionais, desenvolvimento de pesquisas e atividades esportivas, culturais e de arteterapia.
Segundo Marcos da Costa, o objetivo do governo é expandir o modelo para todas as regiões administrativas do estado, incluindo Campinas.
“O projeto é baseado em uma política integrada entre as secretarias de Saúde, Educação, Desenvolvimento Social e Direitos da Pessoa com Deficiência. Nossa pasta coordena a iniciativa, gerencia a Ciptea e a implantação dos Centros TEA, estruturados em quatro eixos definidos em conjunto com a sociedade civil e a academia.”
Ele continuou.
“Os Centros TEA atuam em quatro frentes: acolhimento de pessoas com autismo e suas famílias, incentivo à pesquisa em parceria com universidades, apoio técnico aos municípios para a criação de políticas públicas e qualificação de profissionais das áreas de saúde, educação e esporte.”
O secretário explicou que o serviço já funciona em regime permanente virtualmente e servirá como modelo para a expansão ao interior.
“Desde o início do ano, o Centro TEA oferece atendimento 24 horas por videoconferência a pessoas com autismo, familiares e profissionais. Segundo o secretário, o governo pretende instalar uma unidade em cada região administrativa do estado e Campinas deve ser uma das próximas cidades a receber o equipamento, com anúncio e início do processo de licitação previstos para breve.”
O Centro TEA Paulista foi inaugurado na capital em junho de 2025, marcando o início do projeto. Desde então, a unidade localizada na Vila Leopoldina realizou mais de 8 mil atendimentos e tornou-se referência estadual em acolhimento, orientação e inclusão de pessoas com TEA, pessoas com deficiência e seus familiares.
O espaço também abriga o Centro de Cidadania da Pessoa com Deficiência, que oferece orientações sobre benefícios sociais, programas governamentais e direitos, além de apoio psicológico, jurídico e social.
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Inteligência artificial para ampliar a autonomia de pessoas surdas
Um dos principais projetos desenvolvidos em parceria com a Unicamp utiliza inteligência artificial para reduzir barreiras de comunicação enfrentadas por pessoas com deficiência auditiva.
“Atualmente, desenvolvemos na Unicamp um centro de pesquisa voltado à inteligência artificial para superar barreiras de comunicação de deficientes auditivos. Estamos criando um aplicativo que permitirá que o surdo tenha autonomia em suas atividades civis, ampliando o serviço que já oferecemos de suporte por videoconferência em órgãos públicos e unidades de saúde.”
A pesquisa reúne especialistas em computação, inteligência artificial e acessibilidade para desenvolver tecnologias capazes de traduzir automaticamente conteúdos entre português e Libras.
Entre os projetos está a criação de avatares tridimensionais capazes de interpretar e traduzir a Língua Brasileira de Sinais. O sistema combina técnicas de computação gráfica, aprendizado de máquina, processamento de imagens e vídeos para tornar a comunicação mais natural e precisa.
Para reproduzir com fidelidade os movimentos das mãos, do tronco e das expressões faciais, os pesquisadores utilizam imagens produzidas nos estúdios do Laboratório Galileu, da Unicamp, por meio de um sistema de captura de movimentos corporais e faciais.
A expectativa é que a tecnologia seja incorporada a serviços públicos nas áreas de saúde, educação e cidadania, oferecendo mais autonomia às pessoas surdas no dia a dia.
Marcos da Costa durante entrevista ao acidade On Campinas, na EPTV (Foto: Jéssica Mariz/Divulgação/SEDPcD)
IA é o futuro da acessibilidade?
Para o secretário Marcos da Costa, a inteligência artificial representa uma das principais ferramentas para ampliar a inclusão de pessoas com deficiência e aprimorar a formulação de políticas públicas.
Segundo ele, além de desenvolver tecnologias assistivas, o Estado também utiliza recursos de IA para avaliar a efetividade das ações implementadas e direcionar investimentos de forma mais precisa.
“A inteligência artificial é um caminho sem volta e uma ferramenta poderosa para a eliminação de barreiras. Além do trabalho na Unicamp voltado à comunicação, também contamos com projetos focados em recursos educacionais para o autismo. Mais do que isso, utilizamos a IA para monitorar a eficácia das políticas públicas, permitindo uma análise precisa sobre o impacto real dessas ações na vida dos cidadãos.”
Campinas também é referência no esporte paralímpico
A parceria entre o Governo do Estado e a Unicamp também se estende ao esporte de alto rendimento. De acordo com Marcos da Costa, muitos profissionais que hoje trabalham no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo, foram formados na universidade campineira, considerada pioneira na área.
“A parceria com a academia é fundamental, e a Unicamp é uma referência em diversas frentes. No campo do esporte, por exemplo, a universidade foi pioneira no esporte paraolímpico, sendo o celeiro de muitos dos profissionais que hoje atuam em nosso Centro de Treinamento Paraolímpico.”
O Brasil é atualmente uma das principais potências do esporte paralímpico mundial. Nos Jogos Paralímpicos de Paris, a delegação brasileira terminou a competição na quinta colocação do quadro geral de medalhas, com 89 pódios, sendo 25 medalhas de ouro.
Durante visita na EPTV Marcos da Costa também concedeu entrevista para a CBN Campinas (Foto: Jéssica Mariz/Divulgação/SEDPcD)
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