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🚰 BRK PRODUZ 13,37 BILHÕES DE LITROS EM SUMARÉ, MAS DEPENDENCIA DE POÇOS E FALTA D’ÁGUA CONTINUAM

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Imagem Pública Internet

Concessionária anuncia 67,7 mil análises e 99,66% de conformidade da água no primeiro semestre; números são expressivos, mas contrastam com interrupções recorrentes no abastecimento e com a histórica procura da população por poços artesianos para consumo

A BRK Ambiental divulgou nesta semana que produziu 13,37 bilhões de litros de água em Sumaré entre janeiro e junho de 2026, além de realizar 67.747 análises de qualidade, alcançando índice declarado de 99,66% de conformidade com os padrões de potabilidade.

Os números são expressivos.

Mas, para milhares de moradores de Sumaré, eles esbarram numa pergunta muito mais simples:

se tanta água é produzida, por que ainda falta água nas torneiras?

A questão ganha ainda mais força porque o próprio histórico recente da concessionária registra diversas intervenções, rompimentos e situações capazes de afetar o abastecimento em diferentes regiões da cidade. Nesta terça-feira (18), por exemplo, um rompimento de rede no Jardim Maria Antônia voltou a ameaçar o fornecimento em vários bairros.

Ou seja:

produção elevada não significa, necessariamente, abastecimento contínuo.

E essa diferença precisa ser explicada à população.

💧 13,37 BILHÕES DE LITROS EM SEIS MESES

Segundo a BRK, o sistema de Sumaré possui atualmente:

2 Estações de Tratamento de Água;

30 reservatórios;

840 quilômetros de redes de distribuição.

A concessionária informou ainda que a água é monitorada desde a captação até a distribuição.

Foram realizadas 67.747 análises no primeiro semestre, e, segundo a empresa, 99,66% dos resultados ficaram em conformidade com os padrões de potabilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

A norma federal vigente para água destinada ao consumo humano é o Anexo XX da Portaria de Consolidação nº 5/2017, atualizado pela Portaria GM/MS nº 888/2021, que estabelece parâmetros de controle, vigilância e potabilidade.

Isso significa que, tecnicamente, água que atende aos parâmetros legais deve ser considerada potável e adequada ao consumo humano.

Mas existe uma diferença fundamental entre:

qualidade laboratorial da água tratada

e

confiança do consumidor na água que efetivamente chega à torneira.

E é justamente aí que surge outro debate em Sumaré.

⚠️ HÁ UMA INCONSISTÊNCIA NOS PRÓPRIOS NÚMEROS DIVULGADOS

A BRK afirma que 13,37 bilhões de litros entre janeiro e junho correspondem a uma média diária de 76,6 milhões de litros.

Entretanto, há um ponto matemático que merece esclarecimento.

De janeiro a junho de 2026 foram 181 dias.

Dividindo:

13,37 bilhões ÷ 181 dias = aproximadamente 73,9 milhões de litros por dia.

Portanto, a média de 76,6 milhões de litros diários divulgada pela própria concessionária não corresponde diretamente ao volume total informado para todo o primeiro semestre.

Pode existir algum critério técnico diferente no cálculo — dias efetivos de produção, períodos operacionais específicos ou arredondamentos com outra base —, mas isso não está explicado no comunicado.

É um detalhe aparentemente pequeno, mas importante.

Quando uma concessionária divulga números sobre um serviço essencial, a metodologia precisa ser transparente.

🚨 PRODUÇÃO NÃO É A MESMA COISA QUE ÁGUA NA TORNEIRA

Esse é talvez o principal ponto que precisa ficar claro.

Uma cidade pode produzir água suficiente e ainda enfrentar falta de abastecimento.

Isso pode ocorrer por:

rompimentos de adutoras;

falhas de energia;

problemas de bombeamento;

reservatórios insuficientes;

perdas na distribuição;

manutenções;

obras;

variações de pressão;

crescimento urbano acima da capacidade de determinados setores da rede.

Em agosto, a própria BRK informou problemas para normalizar o abastecimento na região do Picerno. Em outros episódios recentes, intervenções ou rompimentos atingiram ou colocaram sob risco regiões como Matão, Nova Veneza, Maria Antônia e Área Cura.

Em setembro de 2025, uma única intervenção tinha potencial para afetar mais de 58 mil economias, correspondendo a aproximadamente 53% da cidade.

Portanto, a discussão não pode ficar restrita a:

“Quanto foi produzido?”

É necessário perguntar:

quanto tempo cada região ficou efetivamente abastecida?

quantas interrupções ocorreram?

quantos imóveis foram afetados?

qual foi o tempo médio de normalização?

quanta água foi perdida antes de chegar ao consumidor?

Esses indicadores aproximam muito mais os números técnicos da realidade vivida pelo morador.

🏚️ FALTA D’ÁGUA NÃO É UM PROBLEMA NOVO EM SUMARÉ

A dificuldade de abastecimento possui raízes antigas no município.

É importante, entretanto, não afirmar que a cidade esteve literalmente 158 anos sofrendo falta d’água, porque isso exigiria documentação histórica específica para todo esse período.

O que é possível afirmar é que o problema atravessa décadas.

Em 2013, a própria Câmara Municipal registrava discussão sobre poços artesianos implantados entre 1999 e 2003 justamente em regiões que apresentavam falta de água potável.

Em 2019, moradores voltaram a aparecer em reportagem recorrendo a poço artesiano para enfrentar problemas de abastecimento.

Mais de duas décadas depois da instalação daqueles poços, eles ainda permanecem presentes na rotina de parte da população.

Isso diz alguma coisa.

🚰 POR QUE UMA CIDADE COM 99,66% DE CONFORMIDADE AINDA TEM MORADORES BUSCANDO ÁGUA EM POÇO?

Essa talvez seja a pergunta mais delicada da matéria.

Em diferentes regiões de Sumaré, moradores mantêm o costume de procurar poços artesianos para buscar água em galões, muitas vezes destinada ao consumo direto.

Há inclusive manifestação política recente destacando que poços instalados no município continuam sendo utilizados por milhares de famílias.

Isso não prova que a água distribuída pela BRK seja imprópria.

E seria irresponsável concluir isso sem laudos.

Pelo contrário: os dados apresentados pela concessionária indicam 99,66% de conformidade.

Mas o fenômeno revela uma questão de confiança pública que merece ser estudada.

Por que algumas famílias preferem buscar água em outro lugar se pagam por água tratada em casa?

É por gosto?

Odor?

Cor eventual?

Receio da tubulação interna?

Experiência passada?

Interrupções frequentes?

Desconfiança?

Tradição?

Ou qualidade percebida?

A resposta exige pesquisa séria.

E talvez a concessionária e o poder público devam encarar essa percepção como um indicador tão importante quanto o laboratório.

⚠️ POÇO ARTESIANO TAMBÉM PRECISA TER QUALIDADE COMPROVADA

Existe outro ponto de conscientização fundamental.

Água subterrânea não é automaticamente mais segura do que água tratada.

A própria norma federal determina que água destinada ao consumo humano, inclusive proveniente de soluções alternativas individuais ou coletivas, está sujeita à vigilância sanitária.

Portanto, um poço utilizado pela população para beber precisa possuir:

controle;

análises microbiológicas;

análises físico-químicas;

monitoramento periódico;

e regularização adequada.

A aparência cristalina não garante potabilidade.

Isso ficou evidente recentemente em Hortolândia, onde a Prefeitura precisou alertar moradores após laudo indicar falta de potabilidade em água de um poço artesiano.

Portanto, incentivar a fiscalização dos poços públicos e comunitários de Sumaré também é uma questão de saúde pública.

🔬 99,66% É BOM — MAS O QUE ESTÁ NOS 0,34%?

Outro questionamento técnico que merece resposta.

A concessionária realizou 67.747 análises e afirma 99,66% de conformidade.

Isso representa excelente percentual.

Mas jornalisticamente existe uma pergunta inevitável:

o que ocorreu nas análises não conformes?

Quais parâmetros apresentaram divergência?

Foi turbidez?

Cloro residual?

Coliformes?

Cor?

pH?

Outro parâmetro?

Em quais datas?

Em quais regiões?

Houve repetição da coleta?

Que providências foram adotadas?

A Portaria GM/MS nº 888/2021 estabelece justamente responsabilidades de controle por parte do prestador e de vigilância pelas autoridades sanitárias municipais.

A transparência dessas informações pode, inclusive, ajudar a aumentar a confiança da população.

🏛️ PREFEITURA TAMBÉM TEM RESPONSABILIDADE DE VIGILÂNCIA

A concessão do serviço não elimina a responsabilidade pública sobre a água consumida no município.

A Portaria nº 888 estabelece que compete às Secretarias Municipais de Saúde exercer a vigilância da qualidade da água em sua área de competência, articulando-se com o responsável pelo sistema de abastecimento.

Portanto, a população não depende exclusivamente dos dados produzidos pela própria concessionária.

O Município também possui atribuição de fiscalização sanitária.

Uma das perguntas que o Portal Auge1 considera pertinente é:

quantas análises independentes a Vigilância Sanitária de Sumaré realizou em 2026?

E mais:

qual foi o índice de conformidade encontrado pelo Município?

Os resultados coincidem com os 99,66% apresentados pela BRK?

Esse cruzamento de informações seria extremamente importante.

📋 O QUE PRECISA SER EXPLICADO À POPULAÇÃO

Diante dos números divulgados pela BRK e das reclamações recorrentes de abastecimento, algumas respostas poderiam aumentar a transparência do serviço:

  • Quantas interrupções de abastecimento ocorreram em Sumaré entre janeiro e junho?
  • Quantas foram programadas e quantas emergenciais?
  • Quantas horas, em média, cada região ficou sem água?
  • Qual região concentra mais ocorrências?
  • Qual o atual índice de perdas de água na distribuição?
  • Quantos dos 30 reservatórios operam no limite da capacidade?
  • Os 67.747 testes incluem quais parâmetros?
  • Quantas análises ficaram fora do padrão e por quê?
  • Quantos poços públicos ou comunitários existentes em Sumaré estão ativos e com laudo de potabilidade atualizado?
  • Por que a média de 76,6 milhões de litros/dia não coincide matematicamente com os 13,37 bilhões informados para os 181 dias do semestre?

São questões técnicas.

Não ataques.

E deveriam ser respondidas justamente porque estamos falando de água, um serviço essencial à vida.

🔎 OLHAR DO PORTAL AUGE1

Produzir 13,37 bilhões de litros de água é um número impactante.

Realizar quase 68 mil análises também.

Alcançar 99,66% de conformidade merece ser reconhecido.

Mas o morador não abre a torneira e recebe uma estatística.

Ele recebe água.

Ou não recebe.

E é aí que números institucionais precisam encontrar a vida real.

Porque para uma família que passa horas ou dias enfrentando baixa pressão ou torneira seca, ouvir que bilhões de litros foram produzidos pode gerar uma pergunta compreensível:

“Onde está toda essa água?”

Da mesma maneira, para quem ainda pega galões e se desloca até um poço artesiano para ter a água que prefere beber, existe outra pergunta:

por que a água tratada que chega em casa ainda não conquistou plenamente a confiança desse consumidor?

Isso não autoriza dizer que a água da BRK é imprópria.

Os dados apresentados pela própria concessionária apontam justamente o contrário.

Mas mostra que potabilidade técnica, continuidade no abastecimento e confiança do consumidor são três assuntos diferentes.

E Sumaré precisa avançar nos três.

Uma cidade pode ter água de excelente qualidade dentro da estação de tratamento.

O serviço só estará completo quando ela percorrer quilômetros de rede, chegar com regularidade aos bairros e fazer com que o morador tenha segurança para abrir a torneira.

Sem medo de faltar.

Sem depender de estoque.

Sem correr atrás de galões.

E sem precisar perguntar, depois de ouvir que bilhões de litros foram produzidos:

“MAS POR QUE AINDA FALTA ÁGUA EM SUMARÉ?”

#Sumaré #BRK #FaltaDeÁgua #Abastecimento #ÁguaPotável #Saneamento #SaúdePública #PoçosArtesianos #Consumidor #PortalAuge1

Fonte: BRK Ambiental; Ministério da Saúde – Portaria GM/MS nº 888/2021; Câmara Municipal de Sumaré; registros públicos e comunicados sobre interrupções no sistema de abastecimento; levantamento e análise do Portal Auge1

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