Connect with us
   

Cidades

🚨 CASA DO AUTISTA: FAMÍLIAS CONTESTAM E COBRAM RESPOSTAS EM SUMARÉ; E QUAL ÔNIBUS CHEGA À UNIDADE?

Publicado

on

Imagem Pública Internet

Comunicado diz que pacientes do CTEA foram transferidos com a mesma equipe e que rota de ônibus foi alterada; mães ouvidas pelo Auge1 relatam troca e ausência de profissionais, dificuldade de agendamento e continuam perguntando algo básico: qual ônibus chega à unidade?

A Prefeitura de Sumaré divulgou nesta quinta-feira (17) uma nova versão sobre a transferência dos atendimentos do antigo CTEA do Centro para a Casa do Autista, no Jardim Marchissoli.

No comunicado, a administração afirma que as crianças e adolescentes que já eram acompanhados passaram para a nova unidade “pela mesma equipe multiprofissional”, com o objetivo de assegurar a continuidade dos tratamentos e preservar o vínculo entre profissionais, pacientes e familiares. A publicação também informa que uma rota de ônibus foi alterada e que foi criado um novo ponto próximo à Casa do Autista.

As afirmações, entretanto, entram em choque com relatos que vêm sendo encaminhados ao Portal Auge1 por mães de pacientes desde as primeiras mudanças na rede.

E há uma diferença importante entre anunciar uma estrutura maior e demonstrar que o atendimento que existia continuou efetivamente funcionando sem interrupções.

🔎 “MESMA EQUIPE”? ENTÃO QUEM FOI E QUEM NÃO FOI TRANSFERIDO?

Este talvez seja o ponto mais objetivo do novo comunicado.

A Prefeitura afirma que os pacientes passaram para a Casa do Autista com a “mesma equipe multiprofissional”.

Mas famílias ouvidas pelo Auge1 relatam que alguns dos profissionais que atendiam seus filhos no CTEA não continuaram acompanhando as mesmas crianças na nova unidade. O Portal já havia publicado relatos de consultas canceladas, mudanças de profissionais e dificuldades de continuidade dos atendimentos.

Há, portanto, uma informação perfeitamente verificável.

Quem compunha a equipe do CTEA antes da transferência? Quem foi efetivamente transferido? Quem permaneceu em outra unidade? Quem deixou de atender esses pacientes?

Se a equipe é realmente a mesma, a Prefeitura pode esclarecer isso objetivamente apresentando a composição profissional antes e depois da mudança — preservando, quando necessário, os dados pessoais dos servidores.

A questão ganha ainda mais importância porque a própria administração, quando inaugurou a Casa do Autista em julho, anunciou uma equipe que deveria contar com fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, nutricionista, educador físico, fisioterapeuta, psicólogo, dentista, psiquiatra, neuropediatra e professor de dança.

Agora, mães relatam ao Auge1 dificuldades para conseguir determinados atendimentos e afirmam que há apenas uma terapeuta atendendo na unidade.

Esse relato precisa ser confrontado com a escala real de profissionais.

⚠️ EM JULHO, A PROMESSA ERA OUTRA

Existe ainda uma questão cronológica que não pode desaparecer.

Quando a Casa do Autista foi inaugurada, em 29 de julho, a informação divulgada era de que a nova estrutura seria utilizada inicialmente para atender crianças que estavam na fila e ampliar a capacidade da rede.

Naquele momento, a informação pública era clara: os demais CTEAs permaneceriam funcionando normalmente, com continuidade dos atendimentos já existentes.

Pouco mais de um mês depois, a Prefeitura confirma que o atendimento do CTEA que funcionava no Centro foi transferido para a Casa do Autista.

É uma mudança relevante em relação ao desenho apresentado às famílias na inauguração.

Por isso, não basta informar que a estrutura física é maior.

A população tem o direito de saber quando essa decisão foi tomada, por que o planejamento anunciado em julho mudou e quais garantias foram adotadas para impedir a interrupção dos tratamentos em andamento.

😥 “O QUE ERA PARA SER PRECOCE SE TORNOU UM PESADELO”

Uma mãe que procurou o Auge1 relata que aguarda desde abril um retorno para nova avaliação da filha e teme perder um atendimento que considera fundamental na Pestalozzi.

Segundo ela:

“Passo no CTEA desde 2024 sem laudo até hoje, em investigação precoce.”

A mãe também questiona uma informação que afirma ter recebido sobre eventual formação de grupos conforme características das crianças:

“Nenhuma criança autista é igual à outra. […] O que era para ser precoce se tornou um pesadelo.”

O relato da família não permite concluir, sozinho, que esse seja oficialmente o protocolo adotado pela Secretaria de Saúde. Justamente por isso, a Prefeitura precisa esclarecer quais são os critérios atuais para avaliação, formação de grupos, encaminhamento e manutenção das terapias.

Em agosto, a própria Secretaria reuniu Casa do Autista, CTEAs, Atenção Primária, Saúde Mental, APAE e Pestalozzi para discutir fluxos, protocolos e responsabilidades da rede.

Quais protocolos foram definidos nessa reunião?

E eles foram comunicados às famílias?

🚌 PREFEITURA DIZ QUE MUDOU ROTA. MAS QUAL ROTA?

Outro trecho chama atenção justamente pelo que não informa.

O comunicado afirma que:

uma rota de ônibus foi alterada e um novo ponto foi criado próximo à Casa do Autista.

Mas a publicação não identifica qual linha foi alterada.

Não apresenta número da linha, ponto inicial, destino final, itinerário, horários ou frequência.

Para uma família que precisa chegar a uma terapia amanhã pela manhã, dizer apenas que “uma rota foi alterada” tem utilidade limitada.

Uma mãe resumiu a dificuldade ao Auge1:

“Ônibus difícil para o local. […] Dependendo de onde for tem que pegar para a Rodoviária de Sumaré e esperar para Hortolândia.”

Outra pergunta recebida pela reportagem é ainda mais simples:

“Qual o ônibus que passa lá agora?”

E essa pergunta continua sem resposta no comunicado publicado.

🚌 AUGE1 JÁ HAVIA ALERTADO SOBRE O PROBLEMA

A questão do transporte não apareceu agora.

Em matéria publicada em 14 de setembro, o Auge1 mostrou que existem linhas que circulam pela Estrada Teodor Condiev, entre elas as metropolitanas 653 e 668, além de outras linhas apontadas no levantamento da região.

O problema apontado pelas famílias nunca foi simplesmente afirmar que “não existe ônibus”.

A questão é a conectividade.

Para uma mãe que sai de regiões como Matão, Área Cura, Maria Antônia, Nova Veneza ou Picerno, quantos ônibus são necessários para chegar à Casa do Autista? Quanto tempo demora? Qual é a frequência? Há integração? E como fica o retorno depois da terapia?

Alterar uma linha pode representar uma melhoria.

Mas, para avaliar se resolveu o problema denunciado, é indispensável saber qual linha foi alterada.

🏥 4 MIL ATENDIMENTOS POR MÊS: QUANTOS ESTÃO SENDO REALIZADOS?

Há outro número que precisa sair do campo da expectativa e entrar no campo da prestação de contas.

Na inauguração, a Prefeitura anunciou capacidade para aproximadamente 4 mil atendimentos mensais.

Agora, informa que mais de 400 pessoas aguardavam atendimento e que pretende ampliar gradualmente a oferta para reduzir a fila.

A Casa foi inaugurada em 29 de julho.

Já existe, portanto, período suficiente para apresentar os primeiros indicadores:

quantos atendimentos foram efetivamente realizados em agosto e setembro; quantas crianças começaram tratamento; quantas continuam aguardando; quantos profissionais estão trabalhando diariamente; e qual é atualmente o tempo médio de espera por especialidade?

Capacidade física para 4 mil atendimentos e 4 mil atendimentos efetivamente realizados são informações completamente diferentes.

🧩 E O VÍNCULO TERAPÊUTICO?

Esse ponto é particularmente sensível porque o próprio comunicado municipal utiliza a expressão “preservar o vínculo entre profissionais, pacientes e familiares”.

O Auge1 recebeu anteriormente relato de mãe afirmando que o filho teve interrupção no atendimento e, quando retornou, encontrou outra profissional. A família associou temporalmente essas mudanças a episódios de crise da criança.

Isso não permite afirmar clinicamente que a troca de terapeuta tenha causado a crise.

Mas permite fazer uma pergunta administrativa objetiva:

Se a Prefeitura afirma que preservou o vínculo, por que há famílias relatando que seus filhos não continuaram com os mesmos profissionais?

Não é uma discussão sobre prédio novo ou antigo.

É sobre continuidade assistencial.

📋 O QUE PRECISA SER RESPONDIDO

Para transformar o comunicado em informação verificável, alguns dados objetivos precisam ser apresentados:

  • qual linha de ônibus teve o itinerário alterado e quais seus horários;
  • composição da equipe do antigo CTEA e da atual Casa do Autista;
  • número de profissionais por especialidade e carga horária;
  • quais profissionais acompanharam seus pacientes na transferência;
  • quantidade de atendimentos efetivamente realizada desde 29 de julho;
  • tamanho atualizado da fila; tempo médio de espera;
  • quantidade de pacientes transferidos;
  • quais protocolos foram definidos para evitar interrupções e trocas desnecessárias durante a transição.

Esses números permitiriam à própria população comparar o anúncio oficial com aquilo que está encontrando na prática.

📢 PRÉDIO MAIOR NÃO ENCERRA A DISCUSSÃO

A criação de uma estrutura maior para atendimento às pessoas com TEA é uma política pública que pode ampliar a capacidade da rede.

Mas estrutura física, sozinha, não responde às denúncias.

Uma Casa do Autista precisa ser avaliada também por profissionais disponíveis, terapias realizadas, tempo de espera, continuidade do tratamento, acesso ao diagnóstico, atendimento médico e condições reais para que as famílias consigam chegar até o serviço.

Depois de sucessivos relatos enviados ao Auge1, o novo comunicado da Prefeitura traz informações importantes — mas também abre perguntas ainda mais objetivas.

Se houve “continuidade”, os números podem demonstrá-la.

Se existe “a mesma equipe”, a composição pode ser apresentada.

E se uma linha de ônibus realmente foi alterada para resolver o problema de acesso, existe uma informação elementar que as mães precisam receber:

🚌 QUAL É A LINHA, QUAL O ITINERÁRIO E QUAIS SÃO OS HORÁRIOS?

Para quem depende do serviço público, essa resposta vale muito mais do que simplesmente informar que existe um novo ponto de ônibus.

#Sumaré #CasaDoAutista #Autismo #TEA #CTEA #MãesAtípicas #Saúde #SaúdePública #SUS #Inclusão #PessoaComDeficiência #PCD #Terapia #AtendimentoEspecializado #TransportePúblico #Ônibus #DireitoÀSaúde #Fiscalização #Transparência #PortalAuge1 #Auge1

Fonte: Prefeitura de Sumaré; Secretaria Municipal de Saúde; publicações oficiais sobre a Casa do Autista; relatos de mães e familiares encaminhados ao Portal Auge1; levantamento do Portal Auge1.

Deixe o seu Comentário

Publicidade

Carregando dados do Brasileirão...

Publicidade

Mais Visto da Semana