Estado SP
🚨 DESISTÊNCIA DE SALLES NÃO GARANTE VOTOS A ANDRÉ DO PRADO E EXPÕE DILEMA DA DIREITA CONSERVADORA EM SP
🗳️ Ex-ministro construiu sua candidatura questionando o histórico político de André e atraindo eleitores que rejeitavam justamente essa trajetória; agora, ao deixar a disputa e apoiar o antigo adversário, enfrenta resistência entre parte de sua própria base
A desistência de Ricardo Salles (Novo) da disputa pelo Senado por São Paulo, anunciada nesta segunda-feira (28), produziu uma situação política que vai muito além da retirada de um nome da urna. Salles declarou apoio a Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), candidatos apoiados pelo governador Tarcísio de Freitas.
Mas existe uma pergunta que o anúncio, por si só, não responde:
os eleitores de Ricardo Salles acompanharão sua decisão, principalmente no segundo voto para André do Prado?
Para uma parcela dos apoiadores do ex-ministro, a resposta pode não ser automática. Isso porque Salles passou parte significativa da campanha construindo sua própria candidatura justamente em contraposição à trajetória política de André do Prado.
O próprio Salles vinha dizendo publicamente que representava uma “direita de verdade”, enquanto questionava a identificação atual de André com esse campo político.
Agora, a menos de uma semana da eleição, pede voto justamente no candidato que transformou em um de seus principais adversários dentro da direita.
🇧🇷 SALLES ATRAÍA PARTE DO ELEITORADO QUE DESCONFIAVA DE ANDRÉ
A candidatura de Ricardo Salles tinha uma característica política bastante definida.
Ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, Salles buscava se apresentar como alternativa para o eleitor conservador que não considerava suficiente o fato de André do Prado estar atualmente no PL e integrado ao grupo político de Tarcísio e do bolsonarismo.
Essa disputa não foi criada pelo Portal Auge1.
Foi explicitada pelo próprio Salles.
Em julho, durante entrevista ao UOL, ele acusou André de se apresentar como representante da direita apesar de uma trajetória política que, segundo Salles, incluía apoio a Dilma Rousseff, Aloizio Mercadante e Márcio França, além da participação na base do governo João Doria em São Paulo.
No debate promovido por Folha e UOL em 21 de setembro, essa divisão voltou a aparecer. Salles e André trocaram acusações, enquanto Salles voltou a disputar diretamente a identidade política da direita.
Portanto, existe uma contradição política objetiva que agora será testada nas urnas:
durante a campanha, Salles apresentou André como alguém que não representaria a direita que ele próprio dizia representar. Agora pede aos seus eleitores que votem nele.
📚 HISTÓRICO DE ANDRÉ JÁ HAVIA SIDO DISCUTIDO PELO AUGE1
O Portal Auge1 abordou essa questão anteriormente ao analisar a trajetória política de André do Prado.
A reportagem mostrou que o atual candidato do PL está hoje inserido no campo político de Tarcísio e conta com apoio de lideranças da direita, mas possui uma trajetória de alianças mais ampla.
Entre os episódios levantados estavam apoios políticos anteriores a nomes como Dilma Rousseff, Aloizio Mercadante e Márcio França. O próprio Ricardo Salles utilizou esses episódios durante a campanha para contestar a identidade conservadora de André.
Isso não significa, por si só, que André possa ser objetivamente classificado hoje como “de esquerda”. O candidato atualmente integra o PL, participa da composição apoiada por Tarcísio e recebeu apoio de lideranças do campo bolsonarista.
O fato jornalisticamente relevante é outro: esse histórico foi transformado pelo próprio Salles em argumento eleitoral para conquistar conservadores que não confiavam na trajetória política de André.
É justamente esse eleitor que agora ficou sem seu candidato.
😠 DESISTÊNCIA PROVOCA DECEPÇÃO ENTRE ELEITORES OUVIDOS PELO AUGE1
Nas primeiras horas após o anúncio, o Portal Auge1 conversou informalmente com eleitores que declaravam apoio a Ricardo Salles.
O sentimento predominante entre os entrevistados foi de decepção com a desistência, especialmente pela decisão do deputado de declarar apoio a André do Prado depois dos ataques e questionamentos feitos durante a própria campanha.
Alguns foram ainda mais enfáticos e disseram que não pretendem acompanhar Salles no apoio a André.
Esse levantamento do Auge1 é qualitativo e não possui caráter de pesquisa eleitoral. Portanto, não permite afirmar estatisticamente qual parcela do eleitorado de Salles adotará a mesma posição.
Mas revela uma reação política que merece ser acompanhada.
E existe uma razão evidente para isso: esses eleitores não chegaram a Salles apesar das críticas feitas a André. Para alguns deles, essas críticas eram justamente uma das razões para escolher Salles.
⚔️ HÁ UMA SEMANA, SALLES E ANDRÉ ERAM ADVERSÁRIOS DIRETOS
A velocidade da mudança também chama atenção.
Há apenas uma semana, durante o debate Folha/UOL, Salles e André estavam em confronto aberto.
Salles chamou André de ligado ao grupo de Valdemar Costa Neto e apresentou-se como representante de uma direita diferente daquela que atribuía ao adversário. André, por sua vez, atacou Salles por sua postura em relação ao ministro Alexandre de Moraes.
Naquele momento, Guilherme Derrite demonstrou uma relação política diferente com Salles.
Derrite declarou que, não fosse seu compromisso com André do Prado, votaria em Salles, mencionando amizade e admiração pelo ex-ministro.
Por isso, entre os eleitores conservadores que já enxergavam Derrite e Salles como uma possível combinação para os dois votos ao Senado, a retirada de Salles produz principalmente uma incógnita sobre o segundo voto.
❓ PARA ONDE VAI O SEGUNDO VOTO?
Essa talvez seja uma das principais consequências eleitorais da desistência.
São Paulo elegerá dois senadores em 2026.
Salles agora pede que seus apoiadores votem em Derrite e André.
Mas apoio político não significa transferência automática de votos.
O eleitor que pretendia votar em Derrite e Salles terá de decidir o que fazer com a segunda escolha.
Pode optar por André do Prado.
Pode escolher outro candidato.
Ou pode simplesmente não conceder um segundo voto válido.
Além de Derrite e André, a disputa paulista inclui candidaturas como Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), Geraldo Rufino (Podemos), Soninha Francine (Cidadania) e outros nomes.
Não há, neste momento, pesquisa realizada após a desistência que permita determinar para onde migrará o eleitorado de Salles.
⚠️ O APOIO DE SALLES ENFRENTA O PRÓPRIO DISCURSO QUE ELE CONSTRUIU
Esse é o ponto central da nova situação.
Ricardo Salles não passou a campanha apenas dizendo que seria um senador melhor que André do Prado.
Ele questionou publicamente a identidade política do adversário.
Disse que André não tinha trajetória na direita, relembrou seus apoios anteriores e utilizou justamente essa diferença para disputar o eleitor conservador.
Agora, ao desistir e pedir voto no mesmo adversário, Salles precisa convencer parte de seus apoiadores a abandonar um argumento que ele próprio ajudou a consolidar durante meses.
É por isso que a transferência de apoio político não pode ser confundida com transferência de eleitorado.
🗳️ ELEITOR NÃO É TRANSFERIDO JUNTO COM APOIO POLÍTICO
A fotografia política desta segunda-feira mostra Tarcísio, Derrite, André e Salles juntos.
Mas a fotografia eleitoral somente aparecerá nas urnas.
O eleitor conservador que via Salles como contraponto a André continuará tendo liberdade para decidir seu segundo voto — inclusive sem seguir a orientação do candidato que apoiava.
Por isso, a pergunta deixada pela desistência talvez seja maior do que simplesmente saber quem Ricardo Salles decidiu apoiar:
OS ELEITORES QUE ESCOLHERAM SALLES JUSTAMENTE POR REJEITAREM O HISTÓRICO POLÍTICO DE ANDRÉ DO PRADO ACEITARÃO AGORA VOTAR NELE?
Neste momento, não existe dado representativo que permita responder.
As primeiras manifestações colhidas pelo Auge1 indicam resistência entre os eleitores consultados, mas somente pesquisas realizadas após a desistência — e, definitivamente, as urnas — poderão dimensionar esse movimento.
A contradição política, entretanto, já está estabelecida: Salles passou meses apresentando André como adversário da direita que dizia representar e, seis dias antes da eleição, retirou sua candidatura e pediu aos mesmos conservadores que votassem nele.
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Fonte: UOL/Folha, JOTA, CNN Brasil, SBT News e levantamento jornalístico do Portal Auge1
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