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Estado SP

🚨 “PORTE FUNCIONAL 0000”: NOVAS CARTEIRAS DA GCM DE SUMARÉ CONTRARIAM REGRA DA PF E ATÉ DECRETO MUNICÍPAL

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Imagem Auge1 - I.A.

Documentos entregues a novos guardas exibem campo destinado ao porte funcional preenchido com “0000”, enquanto texto da própria identidade afirma direito de portar arma; norma federal exige número individual gerado no SINARM e decreto de Sumaré determina que número da Polícia Federal conste na cédula

Uma nova e preocupante questão envolvendo o armamento da Guarda Civil Municipal de Sumaré chega ao centro do debate.

Depois de o Portal Auge1 revelar que integrantes da nova turma da GCM apareceram portando armamento durante o desfile de 7 de Setembro enquanto ainda aguardavam a regularização dos respectivos portes funcionais, documentos obtidos pelo portal levantam agora uma questão ainda mais séria:

como uma identidade funcional pode declarar que seu portador tem direito de portar arma se o próprio campo destinado ao porte funcional aparece preenchido como “0000”?

A questão não é meramente gráfica.

Não é uma discussão sobre o modelo ou a aparência da carteira.

Trata-se da diferença entre identificar alguém como guarda municipal e comprovar que aquele servidor recebeu a autorização individual necessária para portar arma de fogo.

E a legislação encontrada pelo Auge1 é bastante específica sobre essa diferença.

🔎 O QUE MOSTRAM AS CARTEIRAS

Em uma das imagens obtidas pelo portal, a nova identidade funcional apresenta:

“GUARDA CIVIL MUNICIPAL DE SUMARÉ – IDENTIDADE FUNCIONAL”

Mais abaixo aparece:

“PORTE FUNCIONAL: 0000”

e, ao lado uma “VALIDADE”

No verso, entretanto, aparece a declaração de que o portador do documento teria direito de portar arma de fogo pertencente à GCM de Sumaré, em serviço e fora dele, além de arma particular fora do serviço, dentro dos limites indicados no documento.

É justamente a combinação dessas duas informações que provoca o questionamento.

Como o documento pode declarar o direito de portar arma enquanto o espaço destinado a identificar o porte apresenta apenas “0000”?

🚨 A POLÍCIA FEDERAL EXIGE UM NÚMERO DO SINARM

A resposta começa na regulamentação federal.

Desde 2025, os procedimentos específicos estão disciplinados pela Instrução Normativa DG/PF nº 310/2025, da própria Polícia Federal.

O artigo 7º estabelece que, cumpridas as etapas institucionais, o dirigente da Guarda solicita à Superintendência Regional da Polícia Federal os portes dos integrantes da corporação mediante requerimentos individualizados.

São exigidos documentos e requisitos relacionados, entre outros pontos, à formação, antecedentes, aptidão psicológica e capacidade técnica.

Depois vem o ponto fundamental.

O artigo 8º determina que, deferida a solicitação, a unidade especializada da Polícia Federal determinará a inclusão no Sistema Nacional de Armas — SINARM dos dados correspondentes e das respectivas autorizações de porte funcional, comunicando o Comando da Guarda.

Ou seja:

NÃO É A PREFEITURA QUE CRIA O PORTE.

NÃO É O SECRETÁRIO QUE CRIA O PORTE.

NÃO É O COMANDANTE QUE CRIA O PORTE.

Existe uma autorização individual registrada no sistema federal.

⚠️ A NORMA DA PF DIZ O QUE DEVE ESTAR ESCRITO NA CARTEIRA

E aqui a situação fica ainda mais objetiva.

O artigo 9º da IN nº 310/2025 determina que a carteira funcional do guarda municipal contenha, entre outras informações, a declaração do direito ao porte acompanhada da identificação:

“Porte funcional condicionado SINARM nº xxxxxxxx, válido até xxxxxxxx.”

Não se trata, portanto, de um número decorativo criado pela Prefeitura.

O número está relacionado à autorização registrada no SINARM.

A própria Polícia Federal disponibiliza atualmente mecanismo para verificação da autenticidade de documentos expedidos pelo sistema.

💣 MAS O PRÓPRIO DECRETO DE SUMARÉ EXIGE O NÚMERO DA PF

A apuração do Auge1 encontrou algo ainda mais contundente.

O Decreto Municipal nº 11.662/2023, que regulamenta a identidade funcional da própria Guarda Civil Municipal de Sumaré, determina quais informações devem constar na parte frontal da cédula.

Entre elas aparece expressamente:

“Número do Porte Funcional da Polícia Federal”

É o inciso X do §4º do artigo 8º do decreto municipal.

Portanto, a exigência não vem apenas de Brasília.

Sumaré criou uma regra municipal determinando exatamente isso.

O mesmo decreto estabelece que a emissão das identidades funcionais compete ao setor administrativo da Guarda, por intermédio do gestor de material bélico e produtos controlados, e prevê assinatura pelo secretário municipal de Segurança ou pelo comandante da corporação.

Isso significa que existe autonomia municipal para emitir a identidade funcional.

Mas isso é muito diferente de possuir autonomia para conceder o porte de arma.

⚖️ SECRETÁRIO PODE ASSINAR A CARTEIRA. ISSO NÃO SIGNIFICA QUE POSSA CONCEDER O PORTE

Essa distinção é central.

O secretário municipal possui competência administrativa sobre a estrutura que lhe é subordinada, conforme as atribuições municipais.

O decreto de Sumaré permite inclusive sua assinatura na identidade funcional.

Mas a competência administrativa para emitir uma identidade não transfere ao secretário a competência federal para conceder porte de arma.

O Decreto Federal nº 11.615/2023 atribui à Polícia Federal o procedimento de concessão do porte funcional aos integrantes das guardas municipais, dentro dos requisitos estabelecidos na legislação.

A IN nº 310/2025 detalha o procedimento e estabelece que o processamento e a emissão são realizados pela unidade especializada de Controle de Armas da Polícia Federal.

Portanto:

o secretário pode participar da emissão da identidade funcional municipal;

não pode transformar essa identidade, por decisão própria, em autorização federal de porte.

📜 O ESTATUTO DO DESARMAMENTO NÃO DÁ UM “CHEQUE EM BRANCO”

A Lei Federal nº 10.826/2003 prevê a possibilidade de porte aos integrantes das guardas municipais.

Mas o próprio Estatuto do Desarmamento estabelece condições.

O §3º do artigo 6º determina que a autorização para o porte das guardas municipais está condicionada à formação funcional e à existência dos mecanismos de fiscalização e controle previstos na regulamentação, sob supervisão federal.

O Decreto nº 11.615/2023 acrescenta requisitos de treinamento, estrutura institucional, corregedoria e outras condições para a concessão.

Portanto, ser GCM significa integrar uma categoria legalmente habilitável ao porte.

Não significa que qualquer pessoa recém-empossada como GCM esteja automaticamente individualmente autorizada a portar arma antes da conclusão do procedimento aplicável.

🚔 E SE UM DESSES GUARDAS FOR ABORDADO ARMADO?

Aqui é necessário cuidado jurídico.

Não é correto afirmar antecipadamente que o guarda será automaticamente preso por porte ilegal simplesmente porque sua carteira mostra “0000”.

Uma abordagem exigiria verificar a situação concreta.

A primeira pergunta objetiva seria:

EXISTE OU NÃO EXISTE AUTORIZAÇÃO INDIVIDUAL VÁLIDA NO SINARM PARA AQUELE GCM?

Se existir, o problema poderá estar na irregularidade documental da carteira municipal, que deixou de reproduzir adequadamente a informação exigida.

Se não existir, a questão muda radicalmente.

Nesse cenário, uma identidade confeccionada pelo Município não substitui a autorização federal inexistente.

A Polícia Federal é quem registra as autorizações individuais no SINARM e comunica o Comando depois do deferimento.

Por isso, a carteira municipal com “0000” não deveria ser tratada como salvo-conduto independente.

A eventual consequência penal para o servidor dependeria das circunstâncias concretas — arma institucional ou particular, local, serviço, documentação apresentada, situação jurídica individual e interpretação das autoridades competentes. Não é tecnicamente seguro antecipar que toda abordagem resultaria necessariamente em prisão.

🚨 E A CARTEIRA PODE INDUZIR O PRÓPRIO GCM A ERRO?

Esse talvez seja um dos pontos mais preocupantes.

Imagine um servidor recém-formado recebendo oficialmente de sua instituição uma carteira que declara:

“O portador deste documento tem o direito de portar arma de fogo…”

Ao mesmo tempo, o campo destinado ao número individual aparece como:

“0000”.

Se o porte ainda não tiver sido efetivamente concedido pela PF, qual orientação está sendo dada ao servidor?

Ele está sendo informado formalmente de que não pode portar até a liberação do SINARM?

Existe termo de ciência?

As armas permanecem recolhidas?

O sistema de cautela impede a retirada?

Ou a própria carteira pode transmitir ao novo guarda a impressão de que já está autorizado?

São perguntas relevantes não apenas para responsabilizar a Administração, mas também para proteger os próprios novos GCMs.

🔥 EXISTE AINDA UMA CONTRADIÇÃO ENTRE DOCUMENTOS

O Auge1 teve acesso também a imagem de um modelo anterior de documento relacionado à GCM de Sumaré.

Nele aparece referência expressa à Lei nº 10.826/2003, à Portaria nº 365/06-DG/DPF e a convênio com a Polícia Federal.

Já o novo documento apresenta outra redação e o campo específico:

PORTE FUNCIONAL 0000

A legislação federal mudou ao longo dos anos, e atualmente a referência específica para o procedimento das guardas é a IN DG/PF nº 310/2025. Ela inclusive revogou os artigos 38 a 44 da IN nº 201/2021 e a IN nº 222/2022.

Por isso, utilizar modelos antigos ou adaptar textos sem observar a regulamentação vigente merece análise documental cuidadosa.

🚨 A PF PODE SUSPENDER OU CANCELAR PORTES EM CASO DE IRREGULARIDADE

A regulamentação atual não trata essas exigências como mera burocracia.

A IN nº 310 prevê fiscalização da Polícia Federal sobre armazenamento, controle das armas e requisitos relacionados aos portes.

Constatada irregularidade, o município pode ser notificado para saneá-la.

Dependendo da situação, a norma prevê inclusive suspensão ou cancelamento de portes, além de consequências sobre o Termo de Adesão e Compromisso que sustenta o sistema.

Isso demonstra por que uma discussão envolvendo documentação de porte funcional não pode ser reduzida a “erro de impressão”.

Primeiro é necessário descobrir o que existe no SINARM.

🔎 A PERGUNTA QUE RESOLVE GRANDE PARTE DA CONTROVÉRSIA

O Auge1 considera que existe uma forma bastante objetiva de a Prefeitura esclarecer a situação:

OS MAIS DE 50 NOVOS GCMs JÁ POSSUEM NÚMEROS INDIVIDUAIS DE PORTE FUNCIONAL CONDICIONADO REGISTRADOS NO SINARM PELA POLÍCIA FEDERAL?

Se a resposta for sim, por que as carteiras entregues apresentam “PORTE FUNCIONAL 0000”, contrariando aparentemente tanto a regulamentação da PF quanto o Decreto Municipal nº 11.662/2023?

Se a resposta for não, surge uma questão ainda mais séria:

por que foram emitidas identidades funcionais contendo declaração de direito ao porte antes da existência da autorização individual correspondente?

E, principalmente:

esses guardas estão ou não recebendo, cautelando ou portando armas enquanto aguardam a autorização federal?

⚠️ O SECRETÁRIO NÃO PODE SUBSTITUIR O SINARM

A conclusão documental alcançada até aqui é bastante clara.

O secretário municipal possui competência administrativa para atuar na emissão da identidade funcional conforme a regulamentação de Sumaré.

Mas não encontramos nenhuma norma que lhe conceda competência para substituir o procedimento da Polícia Federal, criar número de porte, presumir autorização ainda não concedida ou transformar uma carteira municipal em porte funcional federal.

Ao contrário.

A legislação encontrada aponta para um procedimento federal individualizado, com deferimento, inserção no SINARM e comunicação ao Comando da Guarda.

E o próprio Município de Sumaré determinou que a carteira contenha o:

“Número do Porte Funcional da Polícia Federal”.

É exatamente por isso que quatro caracteres impressos no documento — “0000” — podem representar uma questão muito maior do que parecem.

O Auge1 mantém espaço aberto para que a Secretaria Municipal de Segurança de Sumaré e a Prefeitura apresentem a documentação que demonstre a situação individual dos portes dos novos GCMs, esclareçam a razão do preenchimento “0000”, informem se os números já foram expedidos pelo SINARM e expliquem quais procedimentos estão sendo adotados para impedir o porte de armas por servidores que eventualmente ainda não tenham recebido autorização.

Também cabe à Polícia Federal, como autoridade responsável pelo sistema e pela concessão prevista na regulamentação, esclarecer se uma carteira confeccionada nesses moldes atende às exigências atuais e qual é a situação dos requerimentos encaminhados pelo Município.

Porque, quando se trata de arma de fogo pertencente ao Poder Público, não pode existir dúvida sobre quem está autorizado a portá-la — nem sobre qual autoridade concedeu essa autorização.

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FONTE: Lei Federal nº 10.826/2003; Decreto Federal nº 11.615/2023; Instrução Normativa DG/PF nº 310/2025; Decreto Municipal de Sumaré nº 11.662/2023; documentos e imagens obtidos pelo Portal Auge1; Polícia Federal.

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