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🚨 “NOSSOS FILHOS ESTÃO ENTRANDO EM CRISE”: MÃES GRITAM POR ‘SOCORRO’ APÓS MUDANÇAS NO ATENDIMENTO DO AUTISMO EM SUMARÉ
Depois da repercussão das denúncias sobre a Casa do Autista e os Centros TEA, famílias relatam interrupção de terapias, troca de profissional e dificuldade para agendar atendimento médico. Prefeitura havia anunciado que os CTEAs continuariam funcionando normalmente e garantindo a continuidade dos atendimentos
As denúncias das mães atípicas de Sumaré não terminaram com a inauguração da Casa do Autista. Pelo contrário: após a repercussão das matérias publicadas pelo Portal Auge1, novas famílias procuraram a reportagem relatando situações que colocam novamente no centro da discussão uma palavra fundamental quando se fala em atendimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista:
CONTINUIDADE.
Uma das mães relata que o filho ficou sem a terapia que realizava e, nesse intervalo, entrou em crise. Quando finalmente conseguiu retomar o atendimento, surgiu uma nova dificuldade: a criança encontrou outra terapeuta, diferente da profissional com quem já havia estabelecido vínculo.
Segundo o relato da família, a mudança desencadeou uma nova crise.
O Portal Auge1 preserva a identidade da criança.
🧩 PARA UMA CRIANÇA AUTISTA, TROCAR NÃO É SIMPLESMENTE “TROCAR”
Esse é um aspecto que precisa ser compreendido antes de tratar a situação como mera reorganização administrativa.
O Ministério da Saúde aponta a resistência a mudanças na rotina entre características que podem estar presentes no TEA e relaciona mudanças inesperadas de rotina entre fatores capazes de agravar crises. O próprio Ministério recomenda acompanhamento terapêutico contínuo e estratégias individualizadas.
As diretrizes nacionais são ainda mais específicas: no atendimento à pessoa com TEA, é considerada importante a manutenção de uma rotina clínica, incluindo horários, espaço, participantes das sessões e instrumentos utilizados.
Isso não significa que toda troca de terapeuta necessariamente provocará crise, nem que uma criança jamais possa ser atendida por outro profissional.
Significa que transições precisam considerar as necessidades individuais da criança.
Especialistas ouvidos pelo Auge1 também alertam que a construção de vínculo com uma nova terapeuta pode demandar adaptação e que algumas crianças podem apresentar resistência ou rejeição inicialmente.
❓ E POR QUE A TERAPEUTA QUE JÁ ATENDIA ESSAS CRIANÇAS NÃO AS ACOMPANHOU?
Essa passa a ser uma das principais perguntas da reportagem.
Segundo as mães, a profissional do Centro TEA que anteriormente atendia algumas dessas crianças não está realizando esse acompanhamento na Casa do Autista.
Se confirmado, é preciso entender o motivo.
A profissional foi transferida para outro serviço?
Permanece no Centro TEA?
Houve mudança contratual?
A reorganização partiu da Secretaria Municipal de Saúde, da administração da Casa do Autista ou da entidade responsável pela operação?
Havia possibilidade de estabelecer um período de transição entre a antiga e a nova profissional?
Foi elaborado plano individual para crianças que já possuíam vínculo terapêutico?
As famílias foram previamente orientadas sobre a mudança?
Essas respostas são particularmente importantes porque a própria Prefeitura anunciou algo muito diferente quando apresentou a Casa do Autista à população.
📢 PREFEITURA PROMETEU “CONTINUIDADE DOS ATENDIMENTOS”
No anúncio oficial publicado em 28 de julho, um dia antes da inauguração da Casa do Autista, a Prefeitura informou que a nova unidade teria inicialmente como principal objetivo reduzir a fila de espera e atender crianças que ainda não tinham conseguido acesso ao serviço especializado.
E fez uma afirmação especialmente importante diante das denúncias atuais:
os demais CTEAs permaneceriam “em funcionamento normal, com continuidade dos atendimentos já realizados”.
Portanto, menos de dois meses depois da inauguração, as novas reclamações exigem uma explicação objetiva:
O QUE MUDOU ENTRE O QUE FOI ANUNCIADO EM JULHO E O ATENDIMENTO QUE AS FAMÍLIAS RELATAM ESTAR ENCONTRANDO AGORA?
🧠 OUTRO ALERTA: E O NEUROPSIQUIATRA?
As mães apresentam ainda uma segunda reclamação considerada grave: dificuldade ou ausência de agendamento para atendimento médico especializado.
As famílias questionam principalmente como ficarão crianças que precisam de avaliação clínica, acompanhamento e renovação ou adequação de receitas, quando necessária.
Aqui também é importante separar os fatos.
O Auge1 ainda precisa obter da Secretaria Municipal de Saúde o número atual de profissionais disponíveis, especialidades efetivamente atendidas, quantidade de consultas realizadas e eventual fila existente.
Mas existe uma informação oficial que torna o questionamento das famílias ainda mais relevante.
Quando anunciou a Casa do Autista, a própria Prefeitura informou que a equipe multiprofissional teria, entre outras especialidades, psiquiatra e neuropediatra, além de fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, nutricionista, educador físico, fisioterapeuta, psicólogo e dentista. A unidade foi anunciada com capacidade estimada de aproximadamente 4 mil atendimentos mensais.
Portanto, é possível fazer uma pergunta bastante objetiva:
ESSAS ESPECIALIDADES ESTÃO EFETIVAMENTE DISPONÍVEIS HOJE?
E, caso estejam, quantas consultas foram realizadas desde a inauguração e qual é o prazo médio de espera?
⚠️ INTERRUPÇÃO DO CUIDADO NÃO PODE SER TRATADA APENAS COMO PROBLEMA DE AGENDA
As orientações atuais do Ministério da Saúde estabelecem que o atendimento às pessoas com TEA deve ocorrer de maneira integrada entre os diferentes pontos da rede e destacam expressamente a importância do acompanhamento contínuo. Quando determinado serviço não dispõe do recurso necessário, deve existir encaminhamento organizado dentro da rede.
O planejamento terapêutico também deve ser individualizado e acompanhado por equipe multidisciplinar, com reavaliações periódicas para identificar avanços, estagnações e novas necessidades.
Isso muda completamente o enfoque da discussão.
Não se trata simplesmente de perguntar:
“Tem terapeuta?”
É preciso perguntar:
A criança que já estava sendo atendida continuou recebendo o cuidado de que necessitava?
Porque disponibilizar novamente uma vaga depois de uma interrupção não necessariamente elimina os efeitos que essa interrupção possa ter provocado.
🏠 A CASA FOI CRIADA PARA AMPLIAR. NÃO PARA DESORGANIZAR O QUE JÁ EXISTIA
Esse é o ponto que o poder público precisa esclarecer.
A Casa do Autista foi apresentada oficialmente como uma ampliação da rede municipal. A Prefeitura afirmou que os CTEAs continuariam funcionando normalmente enquanto a nova unidade atenderia inicialmente crianças que aguardavam na fila.
Se crianças que já estavam em tratamento foram transferidas, tiveram profissionais substituídos ou passaram por períodos sem terapia, é necessário explicar quando e por que a estratégia inicialmente anunciada foi modificada.
E, principalmente, qual planejamento técnico foi elaborado para essa transição.
Diante dos novos relatos, algumas informações podem esclarecer rapidamente a situação: quantas crianças foram transferidas dos CTEAs para a Casa do Autista; quantas tiveram mudança de terapeuta; quais profissionais dos CTEAs acompanharam seus pacientes; quantas sessões deixaram de ocorrer durante a transição; quantos terapeutas estão trabalhando atualmente em cada unidade; quantos psiquiatras e neuropediatras estão efetivamente atendendo; quantas consultas dessas especialidades foram realizadas desde 29 de julho; quantas crianças aguardam consulta; e qual é o prazo para atendimento de pacientes que necessitam de avaliação ou renovação de receita.
Esses são dados administrativos. Portanto, podem ser respondidos documentalmente.
📣 “AS MÃES ESTÃO GRITANDO POR SOCORRO”
Por trás das planilhas, contratos, agendas e reorganizações administrativas existem crianças.
E existem famílias que organizam praticamente toda a rotina doméstica em torno de terapias, consultas, escola, medicamentos e necessidades específicas de seus filhos.
Quando uma mãe relata que o filho entrou em crise depois de ficar sem terapia e novamente enfrentou dificuldades diante da mudança de profissional, o episódio não permite concluir sozinho que a reorganização do serviço causou clinicamente todas as crises.
Mas é suficiente para exigir que a administração explique como garantiu a continuidade e planejou a transição terapêutica.
Especialmente porque o próprio Município prometeu continuidade.
A inauguração de uma nova estrutura é uma conquista somente quando a ampliação física se transforma em atendimento efetivo, contínuo e adequado às necessidades das crianças.
E, neste momento, algumas mães atípicas de Sumaré estão dizendo algo muito mais urgente do que uma crítica administrativa:
ELAS ESTÃO PEDINDO SOCORRO.
O Portal Auge1 continuará recebendo relatos das famílias, preservando a identidade das crianças, e mantém espaço para os esclarecimentos técnicos e documentais dos responsáveis pelos serviços.
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Fonte: relatos de mães e especialistas ouvidos pelo Portal Auge1; Prefeitura de Sumaré; Ministério da Saúde.
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