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Política

Em Campinas: PT lança Haddad e aposta em mulheres e centro político para reduzir resistência eleitoral no interior de SP

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O Partido dos Trabalhadores (PT) deu neste sábado (25), em Campinas, o pontapé inicial da disputa pelo Governo de São Paulo apostando em uma estratégia que vai além da candidatura de Fernando Haddad.

Em convenção da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), a legenda oficializou o ex-ministro da Fazenda como candidato ao Palácio dos Bandeirantes, tendo Márcio França (PSB) como vice, e apresentou uma chapa ao Senado formada por Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB), em uma composição que busca ampliar o diálogo com o centro político, fortalecer a presença feminina e reduzir a resistência histórica do partido no interior paulista.

A convenção reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), ministros, parlamentares, prefeitos e dirigentes partidários. Mais do que homologar candidaturas, o ato marcou o lançamento da estratégia eleitoral petista para o estado, baseada na repetição da frente ampla que levou Lula de volta à Presidência em 2022 e na tentativa de ampliar o alcance da campanha para além do eleitorado tradicional da esquerda.

A escolha de Campinas também teve peso simbólico. Localizada em uma das regiões mais populosas e economicamente mais importantes do estado, a cidade foi escolhida para marcar o início da campanha em uma região onde o PT historicamente enfrenta dificuldades. A avaliação da campanha é que ampliar a votação no interior será decisiva para enfrentar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputará a reeleição.

Durante a convenção, Márcio França destacou a importância estratégica do interior para a campanha.

“Nós tamos aqui em Campinas, que é a capital do interior de São Paulo, pra mostrar que isso não é verdade. Nós já empatamos as eleições aqui”, disse Márcio.

Da direita para a esquerda, Márcio França, Marina Silva, Fernando Haddad, Simone Tebet e Geraldo Alckmin junto com o presidente Lula (Foto: Código 19)

Frente ampla para ampliar o eleitorado

A composição da chapa foi apresentada como um dos principais diferenciais da campanha. Ao lado de Haddad estão Márcio França, ex-governador de São Paulo, Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e uma das principais lideranças ambientais do país, e Simone Tebet, ministra do Planejamento e Orçamento, que disputou a Presidência da República pelo MDB em 2022 antes de declarar apoio a Lula no segundo turno.

A presença das duas ministras foi tratada pelos organizadores como uma demonstração de que a campanha pretende dialogar com diferentes perfis do eleitorado paulista, reunindo lideranças com trajetórias políticas distintas em torno de um projeto comum para o estado.

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Simone Tebet defendeu que a campanha dialogue com setores que tradicionalmente não compõem a base do PT.

“Vamos conversar com a direita democrática, com a direita conservadora. Vamos conversar com o centro. Vamos conversar com aqueles que não querem ir pras urnas e que falam que vão se abster. Vamos conversar com os indecisos e vamos virar esse jogo”, disse Simone.

Marina Silva afirmou que a aliança mostra que é possível construir consensos mesmo entre partidos de diferentes correntes políticas.

“É possível, mesmo pensando diferente, mesmo sendo progressista ou conservador, tem coisas que a gente não pode abrir mão”, explicou Marina.

Segundo a ministra, a coligação está unida em torno da defesa da democracia, da redução das desigualdades e do desenvolvimento do país.

O Partido dos Trabalhadores (PT) deu neste sábado (25), em Campinas, o pontapé inicial da disputa pelo Governo de São Paulo apostando em uma estratégia que vai além da candidatura de Fernando Haddad (Foto: Código 19)

Protagonismo feminino

A disputa pelas duas vagas ao Senado também foi apresentada como um dos símbolos da campanha. Simone Tebet e Marina Silva defenderam que a composição amplia a participação feminina na política e fortalece a representação de diferentes segmentos da sociedade.

Simone destacou que a eleição pode representar um marco para São Paulo.

“Pela primeira vez na história desse estado, vamos eleger duas mulheres senadoras da República”, disse Simone.

Já Marina afirmou que a diversidade da chapa é uma das principais forças da aliança.

“Uma mulher preta, uma mulher branca, uma mulher nascida na floresta, ambientalista. Uma mulher do agro, uma mulher evangélica, uma mulher católica. É assim que a gente constrói um país”, comentou Marina.

Presidente Lula durante seu discurso na Convenção da Federação Brasil da Esperança, em Campinas (Foto: Código 19)

Lula reforça a estratégia da chapa

Responsável por encerrar a convenção, Lula apresentou a diversidade da chapa como um dos principais ativos da campanha em São Paulo.

“Poucas vezes na história de São Paulo a gente conseguiu ver uma chapa da qualidade da chapa que foi montada em São Paulo pra disputar as eleições”, disse Lula.

O presidente também afirmou que a campanha pretende destacar a trajetória dos candidatos durante a disputa eleitoral.

“É a primeira vez que a gente pode utilizar a biografia do candidato. A biografia, o histórico, a vida dele, a vida da família dele, a formação dele e por onde ele passou”, comentou Lula.

Federação oficializa chapas

Além da chapa majoritária, a convenção homologou os candidatos da Federação Brasil da Esperança para a disputa proporcional. O PT lançou 90 candidatos a deputado estadual e 56 a deputado federal. O PCdoB confirmou sete candidaturas à Assembleia Legislativa e duas à Câmara dos Deputados, enquanto o PV oficializou duas candidaturas estaduais e três federais.

Ao escolher Campinas para lançar a campanha e reunir lideranças de diferentes espectros políticos na mesma chapa, o PT tenta transformar a diversidade da coalizão em uma vantagem eleitoral.

A aposta da legenda é que a combinação entre frente ampla, protagonismo feminino e diálogo com setores de centro seja suficiente para ampliar sua presença no interior paulista e recolocar o partido na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes após mais de duas décadas fora do comando do Estado.

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