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🌾 AGRO SUSTENTA SUPERÁVIT DO BRASIL, MAS SÃO PAULO VÊ EXPORTAÇÕES DO SETOR RECUAREM EM AGOSTO

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Agronegócio brasileiro exportou US$ 15,18 bilhões e gerou saldo positivo de US$ 13,49 bilhões no mês; no Estado de São Paulo, setor permaneceu superavitário, mas sentiu forte retração do complexo sucroenergético

A balança comercial brasileira fechou agosto de 2026 com superávit de US$ 7,39 bilhões, avanço de 23,8% em relação ao mesmo mês de 2025. Mais uma vez, o agronegócio teve participação expressiva na geração de divisas para o país.

Segundo levantamento do Departamento Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), as exportações brasileiras do agronegócio alcançaram US$ 15,18 bilhões, enquanto as importações ficaram em US$ 1,68 bilhão.

O resultado foi um superávit setorial de aproximadamente US$ 13,49 bilhões, 6,9% superior ao registrado em agosto do ano passado.

🇧🇷 AGRO AVANÇA 6,7% NAS EXPORTAÇÕES

As vendas externas do agronegócio brasileiro cresceram 6,7% na comparação anual. As importações do setor também avançaram, mas em ritmo menor: 5%.

A diferença entre os números evidencia a característica fortemente superavitária do comércio exterior agropecuário brasileiro.

E a soja em grãos continuou ocupando a liderança.

Foram US$ 4,41 bilhões exportados em agosto, crescimento de 14% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Faesp.

☕ CAFÉ, FRANGO E CELULOSE CRESCEM

Outros produtos importantes também tiveram desempenho positivo nas exportações brasileiras.

O café verde avançou 24,1%, enquanto a celulose cresceu 30,2%. O farelo de soja apresentou aumento de 35,9% e a carne de frango in natura, 39,4%.

Um dos movimentos percentuais mais expressivos ocorreu com os bovinos vivos, cujas exportações avançaram 182,6%, atingindo, segundo o levantamento, o maior valor mensal da série analisada para o produto.

No frango, a recuperação também chama atenção diante da base de comparação de 2025, período afetado pela suspensão temporária das compras chinesas após a ocorrência de influenza aviária no Brasil. A China havia suspendido as importações em maio de 2025 e retomou as compras posteriormente.

📉 NEM TODOS OS PRODUTOS ACOMPANHARAM A ALTA

Apesar do resultado geral positivo, algumas importantes commodities brasileiras apresentaram retração.

A receita das exportações de carne bovina in natura caiu 19,7%, chegando a US$ 1,21 bilhão.

Também recuaram:

  • Milho: -25,3%
  • Açúcar de cana em bruto: -41,9%
  • Suco de laranja: -47,4%

Os números mostram que um superávit crescente do agronegócio não significa crescimento uniforme de todas as cadeias produtivas.

⚠️ SÃO PAULO SEGUE CAMINHO DIFERENTE

Quando o recorte passa para o Estado de São Paulo, o cenário muda.

As exportações paulistas totais atingiram US$ 6,43 bilhões em agosto, crescimento de 6,4%.

Entretanto, as importações cresceram muito mais: 17,1%, chegando a US$ 8,38 bilhões.

Consequência: o déficit comercial paulista passou de aproximadamente US$ 1,1 bilhão em agosto de 2025 para US$ 1,9 bilhão em agosto deste ano.

🌱 AGRO PAULISTA AINDA TEM SUPERÁVIT, MAS PERDE FORÇA

O agronegócio paulista continuou no azul, com saldo positivo de aproximadamente US$ 1,6 bilhão.

Mas esse resultado representa uma queda de 21,7% em relação a agosto do ano passado.

As exportações do agro paulista somaram US$ 2,04 bilhões, retração de 16,6%.

Uma das explicações está no desempenho do complexo sucroenergético, extremamente relevante para a economia agroindustrial de São Paulo.

As vendas externas de açúcar de cana em bruto caíram 45%. No açúcar refinado, a retração foi de 21,2%, enquanto as exportações de álcool etílico diminuíram 58,9%.

Segundo a análise da Faesp, houve redução tanto das quantidades exportadas quanto dos preços médios, com maior peso da queda dos volumes comercializados.

🍊 SUCO DE LARANJA TAMBÉM DESPENCA

Outro produto emblemático do agronegócio paulista sofreu forte retração.

As exportações de suco de laranja caíram 58,5%.

Também foram registradas reduções nas receitas externas de carne bovina in natura (-30,6%), sebo bovino (-28%) e café verde (-18,8%).

O resultado merece atenção porque São Paulo possui participação relevante justamente em cadeias agroindustriais de maior valor agregado, como açúcar, etanol e citricultura.

📈 MAS ALGUNS PRODUTOS DISPARAM

Em meio às quedas, outros segmentos apresentaram crescimento expressivo.

O farelo de soja paulista avançou 160,9% nas vendas externas. O algodão não cardado nem penteado cresceu 136,8%.

O café solúvel avançou 169,8%, enquanto as exportações de óleo essencial de laranja aumentaram 101,6%.

Segundo a Faesp, nesses produtos o crescimento esteve relacionado principalmente ao aumento das quantidades embarcadas.

🚢 IMPORTAÇÕES DO AGRO PAULISTA CRESCEM

Do outro lado da balança, São Paulo importou US$ 485,5 milhões em produtos do agronegócio, crescimento de 5,6%.

Os salmões lideraram a pauta e tiveram aumento de 48,4%.

Também avançaram as importações de trigo (+46,7%), vestuário e outros produtos de algodão (+41,8%), leite em pó (+25,8%) e papel (+14,9%).

De maneira geral, segundo o Departamento Econômico da Faesp, o crescimento esteve associado ao aumento das quantidades adquiridas. Para salmão e trigo, também houve elevação dos preços médios.

🔎 DOIS RETRATOS DIFERENTES DO MESMO MÊS

Agosto terminou, portanto, mostrando dois movimentos distintos.

No Brasil, o agronegócio ampliou suas exportações e aumentou o superávit comercial.

Em São Paulo, o agro continuou gerando saldo positivo, mas suas exportações recuaram significativamente, pressionadas principalmente pelo desempenho do complexo sucroenergético e do suco de laranja.

Essa diferença é importante porque impede uma leitura simplista dos números nacionais.

O AGRO BRASILEIRO AVANÇOU EM AGOSTO, MAS O AGRO PAULISTA NÃO ACOMPANHOU O MESMO RITMO.

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Fonte: Departamento Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp); dados oficiais de comércio exterior utilizados no levantamento.

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