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🚌💰 Nova Odessa terá ônibus novos, mas custo do transporte a R$12,00 levanta questionamentos sobre subsídio público

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Foto de Divulgação

Prefeitura mantém tarifa em R$ 3 para o usuário, mas subsídio anunciado pelo prefeito sobe de R$ 3,60 para R$ 9 por passagem; empresa poderá receber cerca de R$ 12 por viagem

A renovação da frota do transporte coletivo urbano de Nova Odessa foi apresentada nesta sexta-feira (24) como um avanço para a mobilidade da cidade.

A concessionária MoV, antiga Rápido Sumaré, colocou sete novos veículos em operação, sendo três zero quilômetro e quatro seminovos, equipados com climatização, acessibilidade, GPS, catracas eletrônicas e piso antiderrapante.

A melhoria é evidente.

Mas o anúncio trouxe um dado que pode gerar um debate ainda maior do que os próprios ônibus.

Segundo declaração pública do prefeito Leitinho, divulgada nas redes sociais, o subsídio pago pela Prefeitura à empresa passará de R$ 3,60 para R$ 9 por passageiro.

Como a tarifa paga pelo usuário permanece em R$ 3, a remuneração total da concessionária poderá alcançar cerca de R$ 12 por passageiro transportado.


📈 Aumento de aproximadamente 150% no subsídio

Pelos números divulgados pelo próprio prefeito:

Antes

👤 Usuário: R$ 3,00

🏛️ Prefeitura: R$ 3,60

💰 Receita aproximada por passageiro: R$ 6,60

Agora

👤 Usuário: R$ 3,00

🏛️ Prefeitura: R$ 9,00

💰 Receita aproximada por passageiro: R$ 12,00

Isso representa um aumento de 150% na parcela subsidiada pelo Município e aumento de 81,9% na receita da empresa.

Veja vídeo do Prefeito falando sobre os ônibus e o subsídio:


🚍 Cidade possui apenas cinco linhas urbanas

Outro aspecto que chama atenção é a dimensão do sistema.

Segundo a própria Prefeitura:

  • apenas cinco linhas urbanas;
  • cerca de 1.000 passageiros por dia;
  • percursos relativamente curtos quando comparados a cidades vizinhas.

Esses dados levam a uma pergunta de interesse público:

O custo final de aproximadamente R$ 12 por viagem está compatível com a realidade operacional do município?


💵 O subsídio não desaparece. Ele sai do bolso do contribuinte.

É importante esclarecer um ponto.

Quando se afirma que a passagem custa apenas R$ 3, isso representa apenas o valor pago diretamente pelo usuário.

A diferença é coberta pelo orçamento municipal.

Ou seja:

quem financia esse subsídio é o contribuinte, por meio dos impostos arrecadados pelo Município.

Na prática, parte do custo do transporte deixa de ser paga apenas pelo passageiro e passa a ser dividida por toda a população, incluindo até quem não utiliza o transporte público.


🚍 Ônibus novos justificam esse aumento?

Os novos veículos realmente oferecem melhorias.

Entre elas:

✔️ acessibilidade;

✔️ GPS;

✔️ elevador para cadeirantes;

✔️ climatização;

✔️ ar-condicionado em parte da frota;

✔️ maior conforto.

A questão que surge não é sobre a importância da renovação.

O debate é outro:

Essas melhorias justificam um aumento tão expressivo do subsídio público?


📑 O contrato prevê essa alteração?

Essa talvez seja a principal pergunta.

Para responder tecnicamente, seria necessário analisar:

  • o contrato de concessão;
  • eventuais termos aditivos;
  • estudos econômicos;
  • planilhas de custos;
  • pareceres que fundamentaram a revisão.

Somente com esses documentos será possível verificar:

  • qual metodologia foi utilizada;
  • se houve recomposição do equilíbrio econômico-financeiro;
  • quais fatores justificaram o novo valor;
  • qual o impacto anual para os cofres municipais.

🏛️ Os ônibus pertencem à empresa ou ao Município?

Outro questionamento importante diz respeito ao patrimônio.

É comum que contratos de concessão estabeleçam modelos diferentes.

Em alguns casos:

  • os veículos permanecem pertencendo à concessionária;

em outros,

  • determinados bens retornam ao Município ao término da concessão (bens reversíveis), conforme previsto no contrato e na legislação aplicável.

A resposta depende das cláusulas específicas da concessão firmada em Nova Odessa.


⚖️ O aumento exigiria nova licitação?

Não necessariamente.

A legislação brasileira permite, em determinadas hipóteses, a revisão da remuneração de contratos de concessão para preservar o chamado equilíbrio econômico-financeiro, desde que haja fundamento legal, motivação técnica e respeito às regras contratuais.

Por outro lado, se houver alteração substancial das condições originalmente contratadas sem respaldo jurídico, a situação pode ser objeto de análise pelos órgãos de controle, como Tribunal de Contas e Ministério Público.

Sem acesso ao contrato e aos estudos que embasaram a decisão, não é possível concluir se a revisão observou todos os requisitos legais.


📝 OLHAR DO PORTAL AUGE1

A renovação da frota é positiva e tende a melhorar o conforto dos usuários. Entretanto, transparência sobre os custos é igualmente importante.

Se cada viagem passa a representar aproximadamente R$ 12 de remuneração à concessionária, sendo R$ 9 pagos com recursos públicos, é legítimo que a população conheça os critérios técnicos que fundamentaram esse aumento.

Algumas perguntas merecem resposta da Prefeitura:

  • Qual o custo operacional detalhado por quilômetro rodado?
  • Qual o número médio de passageiros transportados por linha?
  • Qual será o impacto anual desse novo subsídio no orçamento municipal?
  • O aumento foi precedido de estudo econômico independente?
  • Os ônibus incorporados à operação são bens reversíveis ao Município ao término da concessão ou permanecerão como patrimônio da empresa?
  • Quais cláusulas do contrato autorizam essa recomposição financeira?

Esses questionamentos não significam que o reajuste seja ilegal. Eles buscam assegurar que uma decisão com impacto direto sobre o orçamento público seja plenamente compreendida pela sociedade.

Afinal, embora o passageiro continue pagando R$ 3 na catraca, a diferença é suportada por toda a coletividade por meio dos tributos municipais. Quanto maior o subsídio, maior é a importância da transparência sobre sua necessidade, proporcionalidade e sustentabilidade financeira.

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Fonte: Prefeitura de Nova Odessa, concessionária MoV e declarações públicas do prefeito sobre o subsídio do transporte coletivo.

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