Cidades
🚨 “ESTUDOS” PARA PISCINÕES? SUMARÉ JÁ TEM PLANO DE MACRODRENAGEM DESDE 2002 E CINCO RESERVATÓRIOS FORAM PREVISTOS PARA A CIDADE
Indicação apresentada na Câmara pede que a Prefeitura estude reservatórios na bacia do Ribeirão Quilombo, mas o problema já foi estudado há mais de duas décadas. Documento técnico do DAEE definiu reservatórios para Sumaré e registro federal mostra R$ 20 milhões destinados ao QL-01 em 2010. Em vez de começar novamente pelo diagnóstico, Legislativo pode cobrar onde estão os projetos e por que as obras nunca foram executadas
Depois de aproximadamente 100 residências serem atingidas pelas recentes enchentes em Sumaré, os piscinões do Ribeirão Quilombo finalmente chegaram à Câmara Municipal.
Mas chegaram com aproximadamente 24 anos de atraso.
O vereador Professor Edinho (Republicanos) apresentou indicação propondo que a Prefeitura realize, em articulação com a BRK, estudos técnicos para avaliar reservatórios de retenção e outras intervenções de macrodrenagem na bacia do Ribeirão Quilombo.
A iniciativa pode até recolocar um problema histórico na agenda política. Porém, existe uma informação fundamental que não pode desaparecer da discussão:
ESSE ESTUDO JÁ EXISTE.
E não é recente.
O Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia do Ribeirão Quilombo foi elaborado pelo DAEE em 2002 e estudou tecnicamente intervenções para controle das cheias em toda a bacia. Documentos do próprio plano continuam disponíveis no acervo do Comitê PCJ.
Portanto, a questão que Sumaré precisa enfrentar em 2026 não começa em:
“Onde poderíamos construir piscinões?”
Começa em:
POR QUE OS RESERVATÓRIOS ESTUDADOS HÁ MAIS DE DUAS DÉCADAS NÃO FORAM EXECUTADOS?
🗺️ CINCO RESERVATÓRIOS JÁ FORAM PREVISTOS PARA SUMARÉ
O Portal Auge1 mostrou recentemente que o planejamento da bacia já apontava reservatórios de amortecimento de cheias para diferentes municípios.
Para Sumaré, a documentação municipal relacionada ao plano identifica cinco estruturas:
QL-1 — Tijuco
QL-2 — Anhanguera
QL-3 — Jatobá
QL-4 — Jacuba
QL-5 — Guaíra.
E o diagnóstico utilizado pelo Município registra expressamente que esses reservatórios não foram implantados.
O documento técnico original do DAEE também apresenta os reservatórios previstos para Sumaré, inclusive com volumes de armazenamento calculados para as estruturas.
Então existe uma diferença enorme entre dizer:
“Sumaré precisa estudar se piscinões poderiam ajudar.”
e reconhecer:
“Sumaré possui há mais de duas décadas planejamento de macrodrenagem prevendo reservatórios que continuam sem execução.”
A segunda frase muda completamente a cobrança política.
💰 E EM 2010 APARECERAM R$ 20 MILHÕES PARA UM DOS RESERVATÓRIOS
A história fica ainda mais séria quando voltamos a 2010.
Documento federal relacionando investimentos em manejo de águas pluviais registra para Sumaré:
“Reservatório de amortecimento de cheias (QL-01) na Bacia do Ribeirão Quilombo”
Valor registrado:
R$ 20 MILHÕES.
O empreendimento aparece vinculado ao Estado de São Paulo e a recursos do Orçamento Geral da União.
Portanto, antes de produzir simplesmente um novo pedido de “estudos”, existe uma tarefa de fiscalização muito mais concreta para os 21 vereadores de Sumaré:
DESCOBRIR O QUE ACONTECEU COM O QL-01.
Os R$ 20 milhões chegaram a ser empenhados?
Houve convênio?
Qual era o projeto executivo?
A verba foi liberada integralmente?
Houve licenciamento?
Existia área definida?
Precisaria de desapropriação?
O recurso foi cancelado?
Houve perda de prazo?
O Estado deixou de executar?
O Município deixou de cumprir alguma etapa?
O projeto ainda existe?
Quanto custaria atualizá-lo em 2026?
Essas respostas podem ser muito mais úteis à população do que simplesmente pedir ao Executivo para estudar novamente aquilo que já foi estudado.
🚨 E HÁ MAIS: UMA LICITAÇÃO DE MACRODRENAGEM CHEGOU A EXISTIR
Outro documento histórico localizado pelo Auge1 reforça que a discussão não permaneceu apenas no papel técnico.
O Diário Oficial do Estado de São Paulo de 14 de outubro de 2010 registra comunicado da Prefeitura de Sumaré sobre a:
“Pré Qualificação de empresas para execução de obras de macrodrenagens do Ribeirão Quilombo.”
Só que o comunicado era justamente para informar que a licitação havia sido revogada.
Isso abre outra frente objetiva de fiscalização:
POR QUE A CONCORRÊNCIA Nº 003/09, LIGAÇÃO Nº 039/2009, FOI REVOGADA?
O que seria executado?
Qual era o valor?
Quais reservatórios estavam contemplados?
Por que o procedimento não avançou?
Houve uma nova licitação?
O projeto foi abandonado?
Essa documentação está nos arquivos públicos.
É exatamente aí que a fiscalização parlamentar pode atuar.
📚 O PRÓPRIO PLANO DIRETOR MUNICIPAL VOLTOU A COBRAR OS RESERVATÓRIOS
O problema também não desapareceu dos documentos posteriores.
Como o Auge1 já revelou, a revisão do planejamento municipal voltou a reconhecer problemas de drenagem, estrangulamentos, ocupação das áreas ribeirinhas e ausência de estruturas de contenção.
E estabeleceu entre as medidas necessárias a elaboração de cronograma para execução progressiva dos reservatórios previstos no Plano Diretor de Macrodrenagem do Quilombo.
Ou seja:
o Município conhece o plano.
O DAEE conhecia o plano.
Os reservatórios possuem identificação técnica.
A documentação municipal reconhece que não foram executados.
Houve tentativa de contratação de obras de macrodrenagem.
E existe registro federal de R$ 20 milhões para o QL-01.
Em 2026, portanto, apresentar a discussão como se Sumaré estivesse começando agora a descobrir que reservatórios podem ajudar no controle das cheias deixa de fora uma parte essencial da história.
🏛️ O PAPEL DO VEREADOR NÃO PRECISA TERMINAR EM UMA “INDICAÇÃO”
Uma indicação é um instrumento legítimo do Legislativo.
Mas é justamente aí que a Câmara pode ir além.
Vereadores possuem função constitucional de legislar e fiscalizar o Executivo municipal. E, diante desse histórico documental, há material suficiente para transformar a discussão em fiscalização concreta.
A Câmara pode cobrar formalmente do Executivo o processo administrativo dos projetos QL-1 a QL-5, os estudos existentes, atualizações realizadas, áreas previstas, situação fundiária, licenciamento, custos atualizados, tratativas com o DAEE e Governo do Estado e todo o histórico relacionado aos recursos federais registrados para o QL-01.
Pode ainda investigar a revogação da antiga concorrência para obras de macrodrenagem e cobrar do Executivo um cronograma atualizado.
Isso muda a atuação parlamentar de:
“PREFEITO, ESTUDE SE É POSSÍVEL FAZER.”
para:
“PREFEITO, O PROJETO EXISTE HÁ MAIS DE 20 ANOS. O QUE FALTA PARA EXECUTAR?”
É uma diferença enorme.
🌧️ ENQUANTO ISSO, A ÁGUA CONTINUA ENTRANDO NAS CASAS
Essa discussão não é meramente burocrática.
As últimas chuvas atingiram aproximadamente 100 residências em Sumaré.
Vila Diva esteve entre as regiões mais castigadas, além de outros bairros próximos ao sistema do Ribeirão Quilombo.
Famílias perderam móveis, eletrodomésticos e tiveram suas casas tomadas pela água.
Depois da tragédia, aparecem visitas, operações emergenciais, limpeza, retirada de entulho, campanhas de doação e agora propostas políticas.
Tudo isso pode ter sua utilidade.
Mas prevenção de enchentes não começa depois que a água entra na casa das pessoas.
E Sumaré não pode alegar desconhecimento histórico do problema.
O Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia do Ribeirão Quilombo é de 2002.
São aproximadamente 24 anos.
⚠️ NÃO SIGNIFICA PEGAR UM PROJETO DE 2002 E COMEÇAR A ESCAVAR AMANHÃ
Também é preciso responsabilidade técnica.
Um projeto dessa idade obviamente precisa ser reavaliado e atualizado antes da execução.
Sumaré mudou.
A ocupação urbana mudou.
A impermeabilização do solo mudou.
Os custos mudaram.
Áreas podem ter sido ocupadas.
As condições hidráulicas precisam ser novamente modeladas.
Licenciamento ambiental, desapropriações e projetos executivos precisam refletir a realidade de 2026.
Portanto, estudos complementares podem ser necessários.
Mas isso é muito diferente de começar tudo novamente como se não existissem 24 anos de estudos, planejamento, projetos e tentativas de execução.
O ponto de partida deveria ser:
PEGUEM O PLANO EXISTENTE.
ATUALIZEM O QUE PRECISA SER ATUALIZADO.
DIGAM O QUE AINDA É VIÁVEL.
APRESENTEM QUANTO CUSTA.
BUSQUEM OS RECURSOS.
E ESTABELEÇAM UM CRONOGRAMA PARA EXECUTAR.
🔎 E O QL-01 PRECISA VIRAR UMA INVESTIGAÇÃO À PARTE
O registro dos R$ 20 milhões de 2010 talvez seja a informação que mais exige resposta neste momento.
Não seria correto afirmar que Sumaré “recebeu R$ 20 milhões e perdeu o dinheiro” sem reconstruir toda a execução orçamentária e administrativa.
O documento federal comprova o registro do empreendimento e do valor. Não comprova, isoladamente, que os R$ 20 milhões tenham entrado nos cofres municipais ou sido integralmente disponibilizados.
É justamente isso que precisa ser descoberto.
O Auge1 entende que essa é uma investigação mais importante do que simplesmente anunciar uma nova proposta de estudos.
ONDE PAROU O QL-01?
Essa resposta pode explicar muito sobre duas décadas de enchentes em Sumaré.
🚨 O QUE SUMARÉ PRECISA AGORA É DE COBRANÇA, PRAZO E EXECUÇÃO
Depois de mais uma enchente, é compreensível que vereadores apresentem propostas.
Mas a população também tem o direito de esperar que seus representantes conheçam o histórico dos problemas que pretendem solucionar.
Os documentos mostram que a macrodrenagem do Ribeirão Quilombo não nasceu nesta semana, nesta legislatura ou nesta gestão.
Ela atravessa décadas.
E a responsabilidade pelo atraso também atravessa diferentes governos municipais e estaduais.
A atual administração não criou esse passivo.
Mas recebeu o problema — e agora precisa dizer o que pretende fazer com ele.
Da mesma maneira, a atual Câmara não criou os 24 anos de atraso.
Mas possui instrumentos para fiscalizar o que aconteceu e cobrar execução.
Por isso, depois da indicação apresentada nesta semana, talvez a pergunta mais importante não seja:
“SUMARÉ PRECISA ESTUDAR A CONSTRUÇÃO DE PISCINÕES?”
Essa resposta começou a ser construída tecnicamente há mais de duas décadas.
A pergunta que interessa às famílias que continuam retirando lama de dentro de suas casas é outra:
OS PISCINÕES JÁ FORAM ESTUDADOS. ENTÃO, SENHORES VEREADORES: ONDE ESTÃO OS PROJETOS, O QUE ACONTECEU COM O QL-01 E QUANDO AS OBRAS VÃO FINALMENTE SAIR DO PAPEL?
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Fonte: Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia do Ribeirão Quilombo/DAEE; Comitês PCJ; registros federais de investimentos em manejo de águas pluviais; Diário Oficial do Estado de São Paulo; documentos de planejamento do Município de Sumaré; Câmara Municipal de Sumaré; levantamento e apuração do Portal Auge1.
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