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Atendimentos por fibromialgia crescem 33,5% na região de Campinas e nova lei amplia acesso a benefícios
Os atendimentos ambulatoriais relacionados à fibromialgia registraram crescimento significativo na região de Campinas. Dados apontam que os procedimentos clínicos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aumentaram 33,5% entre 2024 e 2025.
Em 2024, foram 1.782 atendimentos, número que subiu para 2.379 em 2025, refletindo uma maior procura por diagnóstico e acompanhamento médico.
O aumento acompanha a tendência registrada em todo o estado de São Paulo, que contabilizou mais de 38 mil procedimentos relacionados à doença na rede pública de saúde no último ano, também com crescimento superior a 30%.
Especialistas apontam que a ampliação do número de atendimentos pode estar ligada à maior conscientização sobre a doença e também à recente mudança na legislação que reconhece a fibromialgia como deficiência.
O que é fibromialgia
De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a fibromialgia é uma síndrome crônica caracterizada principalmente por dor generalizada no corpo, especialmente em músculos e tendões.
Além da dor, a doença pode provocar diversos sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida do paciente, como:
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fadiga intensa
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distúrbios do sono
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ansiedade
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dificuldade de concentração
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alterações de memória
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cansaço extremo
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depressão
Estima-se que cerca de 3% da população brasileira conviva com a doença.
Como identificar a fibromialgia
O diagnóstico da fibromialgia pode ser desafiador porque não existe um exame específico que confirme a doença. Por isso, a identificação depende da avaliação clínica e da exclusão de outras condições médicas.
Entre os principais sinais que podem indicar a síndrome estão:
🔹 Dor generalizada por mais de três meses em diferentes regiões do corpo
🔹 Sensibilidade ao toque em músculos e articulações
🔹 Cansaço constante, mesmo após descanso
🔹 Dificuldade para dormir ou sono não reparador
🔹 Problemas de memória e concentração, conhecidos como “fibro fog”
🔹 Rigidez muscular, principalmente pela manhã
Segundo especialistas, muitas vezes o diagnóstico só ocorre após a investigação de outras doenças reumatológicas ou neurológicas.
Nova lei reconhece fibromialgia como deficiência
Desde janeiro de 2025, a fibromialgia passou a ser reconhecida legalmente como deficiência no Brasil com a sanção da Lei 15.176/2025.
A nova legislação garante que pessoas diagnosticadas com a síndrome possam ter acesso a políticas públicas destinadas às pessoas com deficiência, como:
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cotas em concursos públicos
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benefícios previdenciários e assistenciais
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isenções fiscais
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políticas de inclusão social
Especialistas acreditam que a nova lei também contribuiu para o aumento na busca por laudos médicos, diagnósticos e acompanhamento especializado.
Pacientes relatam dificuldades no dia a dia
A dona de casa Luciana de Oliveira, que convive com a fibromialgia há cerca de 15 anos, relata que a dor pode surgir em diferentes partes do corpo e comprometer atividades simples do cotidiano.
Segundo ela, nem sempre os medicamentos conseguem aliviar completamente os sintomas.
“A dor não fica só no braço. Ela anda pelo corpo. É uma dor muito tensa. Essa noite eu não dormi, mesmo com remédio. Por causa da dor tive que ir ao postinho e tomar injeção”, relata.
Outro caso é o da auxiliar de enfermagem Vanessa Marquiori, que descobriu a doença após sentir dores no braço enquanto trabalhava como operadora de telemarketing.
“Na época eu achava que era por ficar digitando seis horas por dia. Hoje tomo três medicações, mas mesmo assim a dor é constante”, explica.
Para ela, conviver com a doença exige adaptação.
“Tem dias bons, dias ruins e dias muito ruins, mas a gente aprende a conviver.”
Diagnóstico exige investigação médica
O médico especialista em dor Fabrício Assis alerta que o diagnóstico da fibromialgia precisa ser feito com cuidado, já que sintomas semelhantes podem estar ligados a outras doenças.
Segundo ele, alguns pacientes chegam com diagnóstico inicial que, após investigação mais profunda, revela outros problemas de saúde.
Entre eles:
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doenças reumatológicas
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efeitos colaterais de medicamentos
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alterações musculares e metabólicas
Por isso, o acompanhamento com reumatologistas e especialistas em dor é considerado essencial.
Doença ainda enfrenta falta de informação
Apesar de relativamente comum, a fibromialgia ainda enfrenta desinformação e dificuldade de diagnóstico, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o sofrimento dos pacientes.
Com o reconhecimento legal da síndrome e o aumento na procura por atendimento médico, especialistas acreditam que a tendência é de maior visibilidade, diagnóstico precoce e acesso a tratamentos adequados.
📌 Fonte: dados do SUS, especialistas em dor e Sociedade Brasileira de Reumatologia.
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