Agro
🍊 COLHEITA AVANÇA, MAS PRODUTORES ENFRENTAM CRISE DE PREÇOS E MERCADO LENTO NO SETOR DE CITROS
Safra apresenta boa produtividade, mas comercialização reduzida preocupa agricultores e ameaça rentabilidade da atividade
Enquanto os pomares apresentam boa produtividade e a colheita das variedades precoces de citros avança em diversas regiões do Rio Grande do Sul, a realidade enfrentada pelos produtores tem sido bem diferente da esperada. O principal problema não está na produção, mas na comercialização.
Dados divulgados pela Emater/RS-Ascar apontam que o mercado segue lento, com redução na demanda, pressão sobre os preços e dificuldades para escoamento da safra. O cenário preocupa agricultores que já observam queda na rentabilidade e incertezas sobre os próximos meses.
Produção avança, mas dinheiro não chega ao campo
Nas principais regiões produtoras do Estado, os pomares apresentam bom desenvolvimento. Em municípios como Veranópolis, Cotiporã, Arvorezinha, Montenegro, São José do Sul, Maratá e Tupandi, a colheita das variedades precoces segue em ritmo acelerado.
No entanto, o aumento da oferta não tem sido acompanhado pelo crescimento da demanda.
O resultado é um fenômeno conhecido pelos produtores: muita fruta disponível e poucos compradores, situação que naturalmente pressiona os preços para baixo.
Em diversas localidades, agricultores relatam que a comercialização está ocorrendo em ritmo inferior ao esperado para esta época da safra.
Preços pagos ao produtor preocupam
A situação é ainda mais delicada quando se compara o valor recebido pelo produtor com o preço encontrado pelo consumidor final.
As bergamotas Caí e Ponkan estão sendo comercializadas em algumas regiões por aproximadamente R$ 40,00 a caixa de 25 quilos.
Já a laranja Bahia destinada ao consumo in natura está sendo negociada por cerca de R$ 1,25 por quilo ao produtor, enquanto a laranja do Céu alcança aproximadamente R$ 2,00 por quilo.
Em Erechim, os números chamam ainda mais atenção. Segundo a Emater, produtores estão recebendo valores próximos de apenas R$ 0,60 por quilo da fruta.
Quando se analisa a cadeia produtiva completa, percebe-se uma diferença significativa entre o valor pago ao agricultor e o preço final praticado nos centros de distribuição e supermercados.
Indústrias reduzem compras e aumentam insegurança
Outro fator que vem gerando preocupação é a diminuição temporária da demanda por parte da indústria de processamento.
Em Tupandi, por exemplo, produtores acompanham com apreensão a suspensão temporária do recebimento de cargas por algumas indústrias de suco.
A expectativa é de que, quando as compras forem retomadas, os preços permaneçam em patamares considerados baixos pelos agricultores.
Essa situação acaba impactando diretamente o fluxo de caixa das propriedades rurais, especialmente das pequenas e médias produções familiares que dependem da venda imediata da safra para custear despesas da atividade.
Produtores apostam em armazenamento para tentar melhorar preços
Diante do mercado desaquecido, muitos agricultores estão recorrendo às câmaras frias para armazenar parte da produção.
A estratégia busca aguardar momentos de menor oferta para tentar negociar a fruta com valores mais atrativos.
Porém, essa alternativa não está disponível para todos os produtores, já que exige investimentos em infraestrutura e gera custos adicionais de armazenamento e conservação.
Além disso, existe o risco de os preços não reagirem na intensidade esperada, prolongando a pressão financeira sobre as propriedades.
Campo produz, mas mercado não acompanha
O cenário atual evidencia um problema recorrente no agronegócio brasileiro: produzir bem não significa necessariamente obter boa rentabilidade.
Enquanto as lavouras apresentam produtividade satisfatória e qualidade adequada, os produtores continuam dependentes das oscilações do mercado, do comportamento da indústria e da capacidade de consumo da população.
Para muitos agricultores, a preocupação não está mais em colher a fruta, mas em conseguir vendê-la por um preço que cubra os custos de produção e permita a continuidade da atividade.
Citricultura segue estratégica para a economia
A cadeia dos citros movimenta milhares de empregos diretos e indiretos no Brasil, envolvendo produção, transporte, processamento industrial, comercialização e exportação.
O setor possui relevância econômica significativa e contribui para a geração de renda em centenas de municípios produtores.
Por isso, especialistas alertam que o acompanhamento dos preços, da demanda e das políticas de incentivo ao setor será fundamental para garantir sustentabilidade econômica aos produtores nos próximos meses.
Enquanto a safra segue avançando nos pomares, a principal expectativa dos agricultores permanece a mesma: que o mercado finalmente acompanhe a produção.
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Fonte: Emater/RS-Ascar; Informativo Conjuntural do Rio Grande do Sul; setor produtivo da citricultura gaúcha.
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