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🎓 PROFESSORES DA UNICAMP ENCERRAM GREVE APÓS ACORDO SALARIAL; SERVIDORES MANTÊM PARALISAÇÃO E ESTUDANTES AVANÇAM EM NEGOCIAÇÃO
Docentes aprovam reajuste de 3,92%; estudantes dizem ter conquistado 95% das pautas e aguardam decisão do campus de Limeira para encerrar mobilização
Da redação | Campinas (SP)
Após mais de três semanas de mobilização, os professores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) decidiram encerrar a greve iniciada em maio. Em assembleia realizada nesta quinta-feira (11), os docentes aprovaram a proposta de reajuste salarial de 3,92%, negociada entre o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) e o Fórum das Seis.
A decisão marca um novo capítulo no movimento que mobilizou diferentes setores da universidade. Enquanto os professores retornam às atividades, os servidores técnico-administrativos mantêm a paralisação e os estudantes caminham para o fim da greve após avanços considerados históricos nas negociações com a reitoria.
Reajuste salarial põe fim à greve dos docentes
Os professores estavam em greve desde o dia 18 de maio. Segundo a Associação dos Docentes da Unicamp (ADunicamp), a categoria aceitou o reajuste de 3,92%, mas estabeleceu uma condição: caso a arrecadação do ICMS paulista alcance a projeção de R$ 187,1 bilhões, prevista pelo Governo do Estado, as negociações salariais deverão ser reabertas no segundo semestre.
Apesar do retorno às salas de aula, os docentes afirmam que continuarão participando das mobilizações conjuntas com estudantes e servidores.
Em nota, a ADunicamp destacou que a atuação integrada entre as três categorias fortaleceu o movimento.
“Avaliamos como extremamente positiva e forte as ações conjuntas das três categorias da Universidade, coordenadas e decididas em comum pela ADunicamp, STU e DCE.”
Além da recomposição salarial, os docentes defendem melhorias nas condições de trabalho, fortalecimento das políticas de permanência estudantil e ampliação do financiamento das universidades públicas paulistas.
Servidores mantêm greve
Diferentemente dos professores, os trabalhadores técnico-administrativos da universidade decidiram manter a paralisação.
O Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU) informou que uma nova assembleia está marcada para a próxima terça-feira (16), quando a categoria deverá avaliar os rumos do movimento e os resultados das negociações.
Até o momento, a universidade não havia divulgado posicionamento oficial sobre a continuidade da greve dos servidores.
Estudantes conquistam avanços e aguardam decisão de Limeira
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) informou ao g1 nesta sexta-feira (12) que aproximadamente 95% das reivindicações apresentadas pelo movimento estudantil foram contempladas nas propostas da reitoria.
Com isso, representantes estudantis votaram favoravelmente ao encerramento da greve. Entretanto, a decisão definitiva ainda depende da aprovação em assembleia do campus de Limeira.
Caso os estudantes limeirenses concordem com os termos negociados, a paralisação estudantil também será encerrada.
O DCE classificou a rodada de negociações como uma vitória significativa do movimento.
Ocupação da DGA marcou fase mais tensa da greve
Na segunda-feira (8), estudantes ocuparam o prédio da Diretoria Geral da Administração (DGA), alegando que propostas anteriores apresentadas pela reitoria deixavam de fora reivindicações consideradas centrais.
Na ocasião, a Unicamp lamentou a ocupação e afirmou que atos reivindicatórios não deveriam impedir o funcionamento administrativo da instituição.
Segundo a universidade, a paralisação das atividades na DGA poderia comprometer serviços essenciais.
“A interrupção das atividades na DGA prejudica o andamento de serviços essenciais, como o abastecimento da área da saúde, a liberação de salários, de bolsas e de auxílios estudantis.”
O que a Unicamp ofereceu aos estudantes?
A proposta apresentada pela reitoria contempla uma série de medidas voltadas à permanência estudantil, infraestrutura e inclusão.
Permanência e moradia estudantil:
- Investimentos em moradias estudantis nos campi de Campinas e Limeira;
- Criação de grupo de trabalho para discutir alternativas habitacionais em Limeira;
- Aperfeiçoamento das políticas de bolsas e auxílios.
Mobilidade, infraestrutura e convivência:
- Melhorias no transporte estudantil e na mobilidade entre campi;
- Ampliação dos espaços destinados à convivência e representação estudantil;
- Continuidade dos investimentos em infraestrutura e acessibilidade.
Inclusão e acolhimento:
- Ampliação das equipes de apoio psicossocial;
- Reforço das estruturas de acolhimento e enfrentamento às violências;
- Fortalecimento das políticas de diversidade e acessibilidade.
Programas acadêmicos:
- Grupos de trabalho para aperfeiçoar os programas ProFIS e ProFIIVI;
- Ampliação da participação estudantil no acompanhamento das políticas universitárias.
A universidade destacou que os compromissos foram assumidos com base em estudos de viabilidade acadêmica, administrativa e orçamentária.
O que reivindicavam os estudantes?
Sob o lema de lutar por “dignidade para morar, estudar e trabalhar”, o movimento estudantil apresentou oito pautas prioritárias, entre elas:
- Ampliação das bolsas e políticas de permanência;
- Melhorias no transporte entre os campi;
- Atendimento em saúde física e mental;
- Implantação do Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVES) em Limeira;
- Espaços adequados para centros acadêmicos;
- Fim da terceirização de serviços;
- Defesa do caráter público do Hospital de Clínicas;
- Fortalecimento das políticas de inclusão e acolhimento.
Segundo o DCE, as demandas relacionadas à moradia estudantil e à permanência sempre estiveram no centro das negociações.
O estopim da greve
A mobilização teve início após a reunião do Cruesp realizada em 4 de maio, quando estudantes alegaram que suas pautas não foram incluídas nas negociações conduzidas pelos reitores das universidades estaduais paulistas.
O campus de Limeira foi o primeiro a entrar em greve, no dia 5 de maio. Em Campinas, os cursos começaram a aderir ao movimento a partir do dia 8. Já a greve geral da universidade foi aprovada em 18 de maio.
Segundo o DCE, praticamente todos os cursos aderiram à paralisação, com exceção da Faculdade de Odontologia de Piracicaba.
Agora, com os professores retornando às atividades e os estudantes próximos de um acordo definitivo, o desfecho da greve passa a depender principalmente da decisão dos servidores técnico-administrativos e da posição final do campus de Limeira.
O movimento, no entanto, deixa como legado a retomada do debate sobre financiamento das universidades públicas, permanência estudantil e condições de trabalho dentro de uma das instituições de ensino superior mais importantes do país.
Fonte: G1 Campinas, ADunicamp, DCE Unicamp e STU.
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