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🚍 CPI DO TRANSPORTE EMPACA NA CÂMARA DE CAMPINAS E ESCANCARA DIVISÃO ENTRE BASE E OPOSIÇÃO

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Imagem Pública Internet

Pedido para investigar possíveis irregularidades no sistema de transporte coletivo reúne apenas assinaturas da esquerda e depende de apoio da base governista para avançar

Da redação | Campinas (SP)

Em meio à crescente repercussão das investigações envolvendo empresários do setor de transportes, representantes da administração municipal e agentes políticos ligados à base do governo, o pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar possíveis irregularidades no transporte coletivo de Campinas ainda não conseguiu reunir o apoio necessário para sair do papel.

Protocolado na quarta-feira (10) pela vereadora Mariana Conti (PSOL), o requerimento recebeu, até o momento, assinaturas apenas de parlamentares da bancada de esquerda da Câmara Municipal.

Assinaram o pedido:

  • Mariana Conti (PSOL);
  • Fernanda Souto (PSOL);
  • Paolla Miguel Guida Calixto (PT);
  • Wagner Romão (PT);
  • Gustavo Petta (PCdoB).

A proposta pretende investigar fatos relacionados ao sistema de transporte coletivo da cidade, especialmente após a divulgação de gravações envolvendo a empresa Smile Transportes, empresários do setor, integrantes da gestão do prefeito Dário Saadi (Republicanos) e políticos ligados à base governista.

A matemática da política

Mais do que um debate sobre transporte público, a tentativa de instaurar a CPI acabou revelando o atual desenho político da Câmara de Campinas.

Embora os desdobramentos das investigações tenham dominado o noticiário nas últimas semanas, nenhum vereador da base do governo aderiu ao requerimento até o momento.

Não assinaram o pedido os vereadores:

  • Ailton da Farmácia (PSB);
  • Arnaldo Salvetti (MDB);
  • Benê Lima (PL);
  • Carlinhos Camelô (PSB);
  • Carmo Luiz (Republicanos);
  • Debora Palermo (PL);
  • Dr. Yanko (PP);
  • Edison Ribeiro (União Brasil);
  • Filipe Marchesi (PSB);
  • Guilherme Teixeira (PL);
  • Hebert Ganem (Podemos);
  • Higor Diego (Republicanos);
  • Luis Yabiku (Republicanos);
  • Luiz Cirilo (Podemos);
  • Luiz Rossini (Republicanos);
  • Marcelo Silva (PSD);
  • Marrom Cunha (MDB);
  • Nelson Hossri (PSD);
  • Nick Schneider (PL);
  • Paulo Haddad (PSD);
  • Permínio Monteiro (PSB);
  • Roberto Alves (Republicanos);
  • Rodrigo Farmadic (União Brasil);
  • Rubens Gás (PSB);
  • Vini Oliveira (Cidadania).

Com isso, a iniciativa permanece restrita aos cinco parlamentares que integram a oposição de esquerda na Casa.

“Quem não deve, não teme?”

A vereadora Mariana Conti tem defendido publicamente a necessidade de investigação parlamentar independente, argumentando que os fatos divulgados exigem esclarecimentos à população.

“Os indícios de corrupção no transporte só crescem”, afirmou a parlamentar.

Em outra manifestação, ela reforçou o apelo para que os demais vereadores apoiem a abertura da comissão.

“Se a base do governo não tem nada a temer, os vereadores devem assinar o pedido de CPI para que a gente possa apurar e dar respostas à população.”

A ausência de assinaturas significa inocência ou blindagem?

A recusa — ao menos até agora — em aderir ao pedido de CPI inevitavelmente alimenta questionamentos políticos.

De um lado, vereadores governistas podem alegar que as investigações conduzidas pelo Ministério Público, Polícia Civil e Gaeco já estão em andamento e que uma comissão parlamentar poderia politizar ainda mais o tema.

De outro, opositores argumentam que a Câmara Municipal possui o dever constitucional de fiscalizar atos da administração pública e não deveria abrir mão desse papel justamente diante de denúncias de grande repercussão.

A discussão ultrapassa a disputa ideológica.

Afinal, uma CPI não condena, não absolve e tampouco substitui a atuação do Judiciário. Seu objetivo é investigar, convocar testemunhas, requisitar documentos e permitir que o Legislativo exerça uma de suas principais funções: a fiscalização.

O silêncio também é uma decisão política

A não assinatura do requerimento não configura, por si só, apoio a eventuais irregularidades. Da mesma forma, assinar uma CPI não representa antecipação de culpa.

Mas, em política, as escolhas produzem narrativas.

Ao decidir não aderir à proposta, os vereadores da base assumem o ônus de explicar à população por que entendem que uma investigação interna da Câmara não é necessária neste momento.

Enquanto isso, a oposição tenta transformar a resistência em argumento político.

No fim das contas, a pergunta que ficará para os eleitores é simples:

Se os fatos já são investigados pela Polícia e pelo Ministério Público, por que não permitir também que a Câmara cumpra seu papel fiscalizador?

A resposta poderá influenciar não apenas os próximos capítulos das investigações sobre o transporte coletivo, mas também o debate público sobre transparência, independência do Legislativo e confiança nas instituições.

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Fonte: Informações do requerimento protocolado na Câmara Municipal de Campinas e manifestações públicas dos parlamentares envolvidos.

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