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🚨 CASA DO AUTISTA: PREFEITURA PROMETEU MANTER CTEAs, MAS POUCAS SEMANAS DEPOIS FAMÍLIAS RELATAM MUDANÇA NO ATENDIMENTO
Em julho, anúncio oficial dizia que os CTEAs continuariam funcionando normalmente e que a nova unidade ampliaria a rede; relatos de famílias e profissionais agora levantam dúvidas sobre transferências, falta de reposição e planejamento
No dia 28 de julho, às vésperas da inauguração da Casa do Autista, a Prefeitura de Sumaré fez uma promessa objetiva às famílias: a nova unidade chegaria para ampliar o atendimento às crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), e não para substituir aquilo que já funcionava.
O comunicado oficial informava capacidade de aproximadamente 4 mil atendimentos mensais e dizia que, na fase inicial, a prioridade seria reduzir a fila e atender crianças que ainda aguardavam acesso ao serviço especializado.
Mais importante: a Prefeitura afirmou expressamente que os demais CTEAs permaneceriam “em funcionamento normal”, com continuidade dos atendimentos já realizados.
Poucas semanas depois, porém, relatos recebidos pelo Portal Auge1 apontam para uma realidade diferente daquela apresentada na inauguração.
📆 O QUE MUDOU EM TÃO POUCO TEMPO?
Segundo mães ouvidas pela Equipe Auge1, profissionais que atuavam no CTEA foram direcionados para a Casa do Autista e pacientes que já possuíam acompanhamento passaram a enfrentar cancelamentos, espera ou necessidade de reorganização do atendimento.
Na primeira reportagem desta série, o Portal Auge1 mostrou inclusive o relato de uma mãe que afirma ter sido informada pelo próprio serviço de que o médico da filha havia sido transferido e que não existia previsão para contratação de outro profissional.
Se confirmado, o problema vai além da transferência de endereço.
Surge uma pergunta administrativa inevitável:
Como uma estrutura inaugurada para ampliar a rede passou, poucas semanas depois, a depender de profissionais que já atendiam em outro serviço?
🏥 A PROMESSA ERA SOMAR, NÃO TRANSFERIR
A comunicação oficial não deixava essa interpretação aberta.
A Casa do Autista seria destinada inicialmente às crianças que ainda não haviam conseguido atendimento especializado, enquanto os pacientes já acompanhados permaneceriam nos CTEAs.
O secretário municipal de Saúde afirmou, na ocasião, que a unidade ampliaria a oferta de atendimento especializado.
O prefeito Henrique do Paraíso declarou que a administração estava “ampliando a rede”.
E o vice-prefeito e secretário de Governo, André da Farmácia, classificou a Casa do Autista como resultado de “planejamento, responsabilidade e compromisso”.
É justamente a palavra planejamento que agora precisa ser confrontada com os acontecimentos posteriores.
Se já existia um plano de funcionamento, por que profissionais dos CTEAs precisaram ser transferidos?
Onde estavam os profissionais adicionais necessários para colocar uma unidade anunciada para até 4 mil atendimentos mensais em funcionamento?
❓ HOUVE CONTRATAÇÃO OU REMANEJAMENTO?
Essa é uma das respostas que o Município precisa apresentar.
Uma nova unidade física não significa necessariamente ampliação da assistência.
Se dez profissionais atendiam determinada quantidade de crianças em um local e simplesmente passam a atender em outro endereço, a rede ganhou um prédio, mas não necessariamente ganhou dez profissionais nem aumentou sua capacidade na mesma proporção.
Por isso, o número fundamental não é apenas quantos atendimentos a Casa do Autista pode realizar.
É:
QUANTOS NOVOS PROFISSIONAIS FORAM ACRESCENTADOS À REDE MUNICIPAL PARA A ABERTURA DA CASA DO AUTISTA?
E quantos vieram dos serviços que já existiam?
⚠️ PROFISSIONAIS TAMBÉM NÃO TERIAM ACOMPANHADO A MUDANÇA
Outro ponto relatado ao Portal Auge1 torna a situação ainda mais delicada.
Segundo informações recebidas pela reportagem, nem todos os profissionais que atuavam no atendimento às crianças teriam acompanhado a reorganização para a Casa do Autista.
Os relatos apontam duas situações que precisam ser esclarecidas: profissionais que não teriam aceitado trabalhar novamente sob a atual gestão da unidade e casos em que a própria composição da nova equipe não teria incluído determinados servidores.
O pano de fundo seriam conflitos profissionais anteriores.
🔎 HISTÓRICO DA GESTÃO VOLTA AO CENTRO DA DISCUSSÃO
De acordo com relatos recebidos pelo Portal Auge1, a atual responsável pela gestão da Casa do Autista já teria exercido função de gestão no atendimento ao TEA, no Ambulatório, durante a administração municipal anterior.
Naquele período, profissionais teriam apresentado reclamações envolvendo relações de trabalho, conflitos com a chefia, supostas perseguições e alegações de assédio moral.
O Portal Auge1 também apura informações sobre a existência de procedimentos administrativos relacionados a acontecimentos daquele período.
Aqui é fundamental fazer uma distinção: denúncia ou abertura de procedimento administrativo não significa comprovação de assédio moral ou de qualquer outra irregularidade. A conclusão depende do conteúdo e do resultado de cada procedimento.
Mas, diante da atual reorganização, o histórico passa a ter interesse público.
🚨 SE JÁ EXISTIAM ATRITOS, ISSO ENTROU NO PLANEJAMENTO?
Se a administração pretendia reunir na Casa do Autista profissionais que anteriormente tiveram conflitos com a mesma gestão, algumas perguntas deveriam ter sido respondidas antes da inauguração.
A Secretaria de Saúde conhecia esse histórico?
Foi realizada alguma avaliação interna?
Os profissionais foram ouvidos?
Havia risco de servidores não aceitarem o remanejamento?
Existia equipe substituta?
Se alguns profissionais não fossem para a nova unidade, quem assumiria seus pacientes?
Essas perguntas são especialmente relevantes porque estamos falando de continuidade terapêutica de crianças autistas, e não simplesmente de uma mudança administrativa entre departamentos.
📊 4 MIL ATENDIMENTOS: CAPACIDADE NOVA OU CAPACIDADE REDISTRIBUÍDA?
A Prefeitura anunciou uma estrutura multiprofissional formada por fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, nutricionista, educador físico, fisioterapeuta, psicólogo, dentista, psiquiatra, neuropediatra, entre outros profissionais.
Agora é necessário abrir os números.
Quantos desses profissionais foram contratados especificamente para ampliar a rede?
Quantos já pertenciam aos CTEAs?
Quantos foram transferidos?
Quantos não aceitaram ou não foram transferidos?
Quantos profissionais ficaram nas unidades anteriores?
E, principalmente:
quantas crianças eram atendidas antes da Casa do Autista e quantas passaram efetivamente a ser atendidas depois dela?
Sem essa comparação, falar apenas em capacidade para 4 mil atendimentos mensais não permite saber quanto a rede realmente cresceu.
🧩 NÃO É UMA DISPUTA SOBRE QUAL GESTÃO CRIOU O QUÊ
Para as famílias, pouco deveria importar se determinado serviço nasceu na administração anterior ou na atual.
Política pública pertence à população.
Quando uma gestão assume, sua obrigação é preservar aquilo que funciona, corrigir aquilo que não funciona e ampliar aquilo que é insuficiente.
Desmontar um serviço apenas porque foi criado anteriormente seria tão inadequado quanto manter um serviço deficiente apenas para preservar uma marca política.
Até o momento, o Auge1 não possui elementos para afirmar que as mudanças tenham ocorrido por motivação política.
Mas a velocidade da alteração do modelo anunciado exige explicações.
❓ PLANEJAMENTO OU IMPROVISAÇÃO?
Em 28 de julho, o discurso oficial era claro:
Casa do Autista para quem aguardava atendimento.
CTEAs funcionando normalmente para quem já era atendido.
Poucas semanas depois, famílias relatam profissionais transferidos, atendimentos afetados e falta de previsão para reposição.
Se a estratégia mudou, a Prefeitura precisa explicar quando mudou, quem decidiu, por qual motivo técnico e qual planejamento garantiu que nenhuma criança ficasse desassistida.
Porque uma coisa é reorganizar a rede depois de estudos demonstrarem necessidade.
Outra é inaugurar uma estrutura anunciando um modelo e, cerca de um mês depois, precisar reorganizar aquilo que havia acabado de ser apresentado à população.
E é justamente aí que permanece a principal pergunta:
SE A CASA DO AUTISTA FOI INAUGURADA PARA AMPLIAR O QUE JÁ EXISTIA, POR QUE FOI NECESSÁRIO MEXER TÃO RAPIDAMENTE NA ESTRUTURA QUE JÁ ATENDIA AS CRIANÇAS?
As famílias de Sumaré merecem uma resposta baseada em documentos, números e planejamento — não apenas em discursos de inauguração.
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Fonte: Prefeitura de Sumaré, relatos de familiares e profissionais e apuração do Portal Auge1.
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