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Brasil

💔 Brasil registra 1 vĂ­tima a cada 9 minutos: 61 mil crianças e adolescentes vĂ­timas de violĂȘncia dentro de casa em 2025

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Anuårio revela crescimento de quase 10% nos casos de maus-tratos e agressÔes; uma vítima foi registrada a cada nove minutos em 2025

A violĂȘncia contra crianças e adolescentes dentro do ambiente que deveria ser o mais seguro — o prĂłprio lar — continua crescendo no Brasil.

Dados do AnuĂĄrio Brasileiro de Segurança PĂșblica 2026, divulgados nesta semana, revelam que 60.797 crianças e adolescentes foram vĂ­timas de maus-tratos ou lesĂŁo corporal dolosa em contexto de violĂȘncia domĂ©stica durante 2025.

O nĂșmero representa um aumento de 9,9% em relação ao ano anterior e significa que, em mĂ©dia, uma criança ou adolescente foi vĂ­tima de agressĂŁo dentro de casa a cada nove minutos.

Os dados acendem um alerta sobre a persistĂȘncia da violĂȘncia familiar e a dificuldade em romper um ciclo que muitas vezes permanece escondido entre quatro paredes.


📈 Casos continuam aumentando

Os nĂșmeros mostram crescimento nas duas principais categorias analisadas pelo levantamento.

Crime 2024 2025 Variação
Maus-tratos 34.417 38.986 +13,3%
LesĂŁo corporal dolosa 20.911 21.811 +4,3%
Total 55.328 60.797 +9,9%

O aumento demonstra que a violĂȘncia fĂ­sica contra crianças e adolescentes permanece uma realidade em crescimento no paĂ­s.


đŸ‘¶ Crianças pequenas sĂŁo as principais vĂ­timas

O estudo aponta que os maus-tratos atingem principalmente crianças na primeira infùncia.

A maior taxa foi registrada entre crianças de 5 a 9 anos, com 95,5 ocorrĂȘncias para cada 100 mil habitantes.

JĂĄ entre adolescentes, o cenĂĄrio muda.

Os casos classificados como lesĂŁo corporal dolosa apresentam maior incidĂȘncia entre jovens de 14 a 17 anos, alcançando 104 registros por 100 mil habitantes.

Segundo os pesquisadores, a violĂȘncia fĂ­sica muda de caracterĂ­stica conforme a idade.

Na infùncia, predominam agressÔes associadas ao exercício violento da autoridade familiar.

Na adolescĂȘncia, passam a prevalecer conflitos domĂ©sticos enquadrados como lesĂŁo corporal.


📊 ViolĂȘncia ainda Ă© naturalizada por parte da população

AlĂ©m dos registros policiais, o anuĂĄrio apresenta uma pesquisa realizada pelo Instituto Futuro Ă© InfĂąncia SaudĂĄvel (Infinis) em parceria com a Quaest, revelando que a violĂȘncia fĂ­sica ainda encontra aceitação em parte da sociedade.

Os resultados chamam atenção:

📌 74% dos brasileiros acreditam que os maus-tratos contra crianças aumentaram nos Ășltimos anos.

📌 56% consideram aceitável bater nos filhos como forma de educação.

📌 49% afirmaram já ter dado tapas em crianças.

📌 Apenas 36% disseram que interviriam ao presenciar uma agressĂŁo contra uma criança em local pĂșblico.

Os dados mostram uma contradição preocupante: embora a maioria reconheça o crescimento da violĂȘncia, uma parcela significativa ainda admite prĂĄticas de castigo fĂ­sico.


⚖ Lei brasileira proĂ­be castigos fĂ­sicos

Desde 2014, a Lei Menino Bernardo (Lei nÂș 13.010) assegura que crianças e adolescentes tĂȘm o direito de ser educados sem castigos fĂ­sicos ou tratamentos cruĂ©is e degradantes.

Além disso, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que a proteção integral é dever da família, da sociedade e do Estado.

Especialistas destacam que violĂȘncia nĂŁo educa. Ao contrĂĄrio, aumenta os riscos de traumas emocionais, problemas de desenvolvimento e reprodução do ciclo de violĂȘncia na vida adulta.


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Talvez o dado mais chocante deste levantamento não seja apenas o aumento dos registros, mas a constatação de que mais da metade dos brasileiros ainda considera aceitåvel bater nos filhos.

Esse pensamento ajuda a explicar por que tantos casos permanecem invisĂ­veis durante anos. Muitas agressĂ”es continuam sendo confundidas com “educação”, “correção” ou “disciplina”, quando, na realidade, ultrapassam os limites legais e colocam em risco o desenvolvimento fĂ­sico e emocional da criança.

Outro dado preocupante Ă© que apenas 36% das pessoas afirmam que interviriam ao presenciar uma agressĂŁo em pĂșblico. O silĂȘncio, a omissĂŁo e a ideia de que “em briga de famĂ­lia ninguĂ©m mete a colher” ainda representam obstĂĄculos para romper o ciclo da violĂȘncia.

Cada criança agredida carrega marcas que vĂŁo muito alĂ©m dos hematomas. A violĂȘncia na infĂąncia pode comprometer o desenvolvimento, afetar a saĂșde mental e perpetuar um ciclo que atravessa geraçÔes.

Proteger crianças nĂŁo Ă© responsabilidade apenas da famĂ­lia ou das autoridades. É um compromisso coletivo de toda a sociedade.

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Fonte: AnuĂĄrio Brasileiro de Segurança PĂșblica 2026; Instituto Futuro Ă© InfĂąncia SaudĂĄvel (Infinis); Quaest.

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