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🗳️ 110 URNAS, 15.156 VOTOS E ZERO PARA O ADVERSÁRIO: MATEMÁTICA REVELA O QUE PARECE IMPOSSÍVEL NAS ELEIÇÕES DE 2026

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Imagem Auge1 - I.A.

Flávio Bolsonaro não recebeu votos em 106 urnas, nas quais Lula conquistou 14.860 votos. O fenômeno inverso ocorreu em quatro urnas, com 296 votos para Flávio e nenhum para Lula. Análise estatística mostra por que os resultados exigem contexto antes de qualquer conclusão.

Uma eleição presidencial decidida por uma diferença relativamente pequena no conjunto do país apresentou resultados de unanimidade em determinadas seções eleitorais.

No segundo turno de 25 de outubro de 2026, Flávio Bolsonaro (PL) terminou sem receber nenhum voto em 106 urnas. Nessas seções, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) somou 14.860 votos válidos.

O contrário também aconteceu: Lula ficou sem votos em quatro urnas, nas quais Flávio recebeu 296 votos.

Os dados foram divulgados pela Folha de S.Paulo, com base em levantamento da Paris Group, e aprofundados pelo Jornal Razão, que informou ter conferido os boletins eleitorais.

Como é possível que uma disputa tão equilibrada nacionalmente apresente urnas em que apenas um candidato recebeu todos os votos válidos?

A resposta exige matemática, geografia eleitoral e análise do comportamento dos eleitores.

📊 106 URNAS ZERADAS PARA FLÁVIO

As seções em que Flávio não recebeu votos estão distribuídas por 67 municípios de 18 estados.

O Amazonas lidera, com 30 urnas, seguido pelo Maranhão, com 20, e pelo Pará, com 16.

Uma seção da Escola Municipal Indígena Rainha dos Apóstolos, em Tabatinga (AM), registrou 354 votos para Lula e nenhum para Flávio.

O resultado chama atenção quando comparado ao equilíbrio nacional. Entretanto, o levantamento revelou que 68 das 106 seções estavam localizadas em aldeias, escolas ou comunidades indígenas.

Outras 29 estavam em comunidades rurais ou ribeirinhas, cinco em quilombos, duas em assentamentos e duas em unidades destinadas a presos provisórios.

Essa concentração geográfica é fundamental para interpretar os números.

🔵 LULA TAMBÉM ZEROU: QUATRO URNAS DERAM TODOS OS VOTOS A FLÁVIO

A ocorrência inversa foi registrada em quatro seções eleitorais:

  • Arroio do Padre (RS): 116 votos para Flávio;
  • Cândido Godói (RS): 82 votos;
  • Jacareacanga (PA): 50 votos;
  • Chaves (PA): 48 votos.

Nas quatro urnas, Lula recebeu zero voto, enquanto Flávio somou 296.

Embora os números sejam menores, a lógica estatística é a mesma: um candidato recebeu todos os votos válidos de uma seção.

A existência de resultados extremos para ambos os candidatos demonstra que o fenômeno não ocorreu exclusivamente em benefício de um lado político.

🧮 A MATEMÁTICA: QUAL A PROBABILIDADE DE UMA URNA ZERAR?

Imagine uma seção eleitoral com 300 votos válidos e eleitores divididos igualmente entre os candidatos.

Se cada eleitor tivesse, independentemente dos demais, 50% de chance de votar em Lula e 50% de votar em Flávio, a probabilidade de todos escolherem o mesmo candidato seria extraordinariamente pequena.

Para um candidato específico receber zero voto, a probabilidade seria de aproximadamente uma em 2 × 10⁹⁰.

Em outras palavras, sob essa hipótese de equilíbrio local, um placar de 300 a zero seria praticamente impossível na prática.

Mas existe uma condição decisiva: essa conta pressupõe que os eleitores daquela seção realmente tenham probabilidades individuais de voto de 50% para cada candidato.

Uma eleição equilibrada no Brasil inteiro não garante que uma aldeia, comunidade rural ou pequena localidade apresente a mesma divisão.

🌎 QUANDO A REALIDADE MUDA A PROBABILIDADE

Se o apoio local de um candidato fosse de apenas 1%, em uma seção com 300 votos válidos, a probabilidade matemática de ele terminar com zero seria de aproximadamente 4,9%.

Nesse cenário hipotético, o resultado deixa de ser extraordinário.

Com apoio local de 5%, a probabilidade de zero voto na mesma seção cai para cerca de 0,0000208%.

Portanto, pequenas mudanças na distribuição real das preferências eleitorais produzem diferenças enormes nas probabilidades.

O que seria praticamente impossível numa seção dividida meio a meio pode acontecer numa comunidade em que quase todos os eleitores apoiam o mesmo candidato.

🔎 UM DADO IMPORTANTE: O PRIMEIRO TURNO

A comparação entre os dois turnos ajuda a compreender os resultados.

Segundo a conferência publicada pelo Jornal Razão, em 105 das 106 seções em que Flávio zerou no segundo turno, ele já havia recebido no máximo dez votos no primeiro.

A principal exceção foi uma seção de Maués (AM), onde Flávio passou de 16 votos no primeiro turno para zero no segundo.

Isso indica que a concentração de votos já existia anteriormente na grande maioria das seções examinadas.

Não demonstra, por si só, por que cada eleitor votou de determinada maneira, mas oferece um dado verificável para avaliar a continuidade do comportamento eleitoral.

🏘️ MUNICÍPIOS ONDE FLÁVIO VENCEU TAMBÉM TIVERAM URNAS ZERADAS PARA ELE

Outro aspecto relevante é a diferença entre o resultado municipal e o de comunidades específicas.

Em Guarantã do Norte (MT), Flávio venceu no município com 81,8% dos votos válidos, mas uma seção da Terra Indígena Panará registrou 145 votos para Lula e nenhum para Flávio.

Em Confresa (MT), Flávio também venceu no município, mas uma seção da aldeia Urubu Branco registrou 309 votos para Lula.

Esses exemplos mostram que o comportamento eleitoral de uma comunidade pode ser muito diferente do resultado geral da cidade em que está localizada.

⚖️ RESULTADO IMPROVÁVEL É PROVA DE FRAUDE?

Não.

A improbabilidade estatística depende das premissas utilizadas no cálculo.

Aplicar uma proporção nacional de votos a todas as seções, como se cada uma fosse uma amostra aleatória do Brasil, produz uma interpretação inadequada da realidade eleitoral.

Os eleitores estão distribuídos geograficamente e podem compartilhar características culturais, econômicas e políticas.

Para investigar uma possível irregularidade, é necessário confrontar os boletins de urna com os registros oficiais, verificar a consistência da totalização e examinar evidências concretas de problemas na votação.

A matemática pode indicar quais resultados merecem análise adicional, mas não substitui a verificação documental.

📢 TRANSPARÊNCIA E CONFERÊNCIA DOS RESULTADOS

Os boletins de urna são documentos públicos gerados pelos equipamentos ao término da votação.

Eles permitem verificar a quantidade de votos registrada para cada candidato em determinada seção e confrontá-la com os resultados divulgados pela Justiça Eleitoral.

Uma investigação independente deve considerar o histórico das seções, a quantidade de eleitores, os votos válidos, a localização e a documentação oficial.

Também é importante examinar os resultados dos dois candidatos com o mesmo rigor.

📰 O QUE OS NÚMEROS REALMENTE MOSTRAM?

Os dados revelam um fenômeno eleitoral relevante: a unanimidade em determinadas seções, mesmo numa eleição nacionalmente disputada.

As 106 urnas em que Flávio zerou e as quatro em que Lula zerou merecem ser analisadas dentro de suas características locais.

O levantamento das comunidades, a comparação entre os turnos e os boletins públicos oferecem caminhos para essa verificação.

O impossível na matemática de uma urna dividida meio a meio não é necessariamente impossível na realidade de uma comunidade com preferências políticas concentradas.

O papel do jornalismo é apresentar os números, testar as hipóteses e distinguir resultados surpreendentes de irregularidades efetivamente demonstradas.

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Portal Auge1

Fonte: Folha de S.Paulo, levantamento da Paris Group divulgado em 27 de outubro de 2026; Jornal Razão, conferência dos boletins eleitorais; Tribunal Superior Eleitoral (TSE); cálculos estatísticos do Portal Auge1.

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