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Política

Em Campinas, Marina Silva rebate críticas de Tarcísio de Freitas

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A ex-ministra do Meio Ambiente e deputada federal,Marina Silva (Rede),pré-candidata ao Senado por São Paulo, esteve em Campinas nesta quinta-feira (9). Em entrevista ao Grupo EP, ela falou sobre desenvolvimento sustentável, energias renováveis e os desafios impostos pelas mudanças climáticas, especialmente para cidades como Campinas e a região metropolitana. Ela também rebateu as críticas do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que apontou a origem dela como um empecilho para a eleição ao Senado.

Marina afirmou que, se eleita ao Senado, poderia contribuir para a criação de um marco legal da emergência climática, com medidas permanentes de prevenção a desastres em municípios vulneráveis. Entre as ações citadas por ela estão sistemas de alerta precoce, rotas de fuga, obras de drenagem e remoção preventiva de populações em áreas de risco.

“Hoje, com a mudança do clima, cada vez mais nós vamos precisar de política pública com base em evidência. Quando você tem um Estado como São Paulo, uma região como a região de Campino, que é formadora de quadros e, ao mesmo tempo, de tecnologia e de inovação, isso vai ajudar muito para um novo círculo de prosperidade”, disse Marina.

Para a pré-candidata, Campinas e outros municípios da região precisam de parceria e planejamento para enfrentar ondas de calor, chuvas intensas e desabamentos.

Marina também destacou a importância da cooperação técnica e científica entre São Paulo e outros países para acelerar a transição energética e ampliar investimentos verdes. Segundo ela, a redução do desmatamento no país abriu espaço para novos mercados e fortaleceu a imagem do Brasil no cenário internacional.

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Defesa da educação e diálogo com evangélicos

Marina Silva também comentou os desafios da educação em São Paulo e criticou o processo de “plataformização” nas escolas, afirmando que o professor deve continuar sendo peça central no ensino. Ela defendeu ainda o uso pedagógico de celulares nas unidades escolares e disse que escolas de tempo integral precisam respeitar as singularidades dos alunos.

Ao falar sobre o público evangélico, Marina afirmou que o Estado deve ser laico e que políticas públicas precisam atender todas as pessoas, independentemente de religião, orientação sexual, cor ou condição social. Para ela, não se deve instrumentalizar a fé para fins políticos, nem a política para fins religiosos.

“O Estado tem que compreender o papel que as igrejas desempenham. Elas são comunidade de afeto, de ajuda, de solidariedade, de orientação. Onde tem uma igreja, isso faz a diferença, mas não para ser instrumentalizado, é assim que eu acho o que tem que ser feito é dialogar com as pessoas, com todas as pessoas, com quem crê, com quem não crê e saber que o Estado é laico e que essa foi uma grande contribuição da reforma protestante”, declarou

Marina responde a Tarcísio

Questionada sobre declarações do governador Tarcísio de Freitas, que afirmou que ela e a também pré-candidata ao Senado, Simone Tebet (PSB), “não são de São Paulo”, Marina rebateu dizendo que o estado sempre acolheu pessoas de várias regiões do país. Ela lembrou sua relação antiga com o estado, onde esteve pela primeira vez em 1979 para tratar a saúde, além de destacar que é casada com um paulista e tem domicílio eleitoral em Santos.

Marina também afirmou que São Paulo acolheu lideranças de diferentes origens, inclusive o presidente Lula (PT) e o próprio Tarcísio, e classificou a fala do governador como “incoerente” e “marcada por dois pesos e duas medidas”.

“Primeiro, eu achei muito estranho, porque sendo ele do Rio de Janeiro, que veio ser eleger governador no estado de São Paulo, ter esse tipo de atitude denuncia mais a ele do que a mim e a Simone. E eu acho que tem também uma atitude de preconceito contra as mulheres, de se acharem o dono do mundo. Nós podemos montar o nosso território, a nossa barraca, onde quisermos, As mulheres vão ser sempre vistas como estrangeiras, que devem ficar do lado de fora. Eu achei muito estranho. É dois pesos e duas medidas”, rebateu.

Ambiente, água e queimadas

Ao tratar do meio ambiente, Marina defendeu políticas permanentes de combate às queimadas e adaptação climática. Ela lembrou que, em 2024, incêndios florestais e ondas de calor atingiram fortemente o estado de São Paulo e exigiram mobilização federal.

Marina disse ainda que o governo já avançou em instrumentos como a Lei do Manejo Integrado do Fogo, o Fundo Clima e mecanismos de incentivo à transição energética. Segundo ela, o desenvolvimento sustentável deve ser visto como oportunidade econômica e não como obstáculo ao agronegócio.

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