Cidades
⚖️ Ministério Público abre inquérito para investigar reajuste das passagens de ônibus em Campinas
🚌 Aumento das tarifas passa a ser alvo de investigação
O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito civil para apurar a legalidade do reajuste das tarifas do transporte coletivo de Campinas, aplicado desde 1º de janeiro de 2026.
A investigação busca verificar se os aumentos cobrados dos usuários possuem respaldo técnico, econômico e contratual, além de analisar a documentação apresentada pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec).
A medida surge após denúncias que questionam tanto os índices de reajuste quanto o aumento dos subsídios públicos destinados ao sistema de transporte coletivo.
💰 Tarifas subiram acima da inflação
Com o reajuste, os valores passaram a ser:
🔹 Bilhete Único Comum: R$ 6,00 (antes R$ 5,70)
🔹 Vale-transporte e compra avulsa (QR Code): R$ 6,50 (antes R$ 6,20)
🔹 Bilhete Escolar: R$ 2,40 (antes R$ 2,28)
🔹 Bilhete Universitário: R$ 3,00 (antes R$ 2,85)
🔹 Linha Centro: R$ 4,33 (antes R$ 4,13)
O aumento variou entre 4,83% e 5,26%, índices superiores à inflação oficial acumulada em 2025, medida pelo IPCA, que fechou em 4,26%.
Na ocasião do reajuste, Campinas passou a figurar entre as cidades com as tarifas mais elevadas do país, superando os valores praticados em 24 capitais brasileiras.
📊 Ministério Público encontrou inconsistências
Segundo o MP, após receber estudos e planilhas encaminhadas pela Emdec, o Centro de Apoio Operacional à Execução (CAEx), órgão técnico do Ministério Público, realizou uma análise preliminar dos documentos.
O parecer apontou inconsistências em somatórias de valores e ausência de informações consideradas essenciais para verificar a legalidade do reajuste.
De acordo com a promotora Luciana Ribeiro Guimarães Viegas de Carvalho, a documentação apresentada não permitiu confirmar se os índices aplicados estavam efetivamente respaldados pelos custos operacionais do sistema.
🔍 Falta de memória de cálculo levanta questionamentos
Um dos principais pontos observados pelo CAEx foi a ausência das chamadas memórias de cálculo, documentos que demonstram detalhadamente como os índices de reajuste foram obtidos.
Segundo o relatório técnico, a falta dessas informações impossibilitou a realização de uma auditoria completa.
“O CAEx concluiu que não é possível afirmar que os índices de reajuste aplicados encontram respaldo nos dados apresentados, nem se o aumento é compatível com os custos do sistema”, destacou a promotora ao justificar a abertura do inquérito.
🏛️ Prefeitura defende reajuste
Em nota, a Prefeitura de Campinas informou que o reajuste foi baseado em uma recomposição média de 4,24%, percentual considerado próximo à inflação registrada no período.
A administração municipal afirma que os cálculos consideraram fatores como:
🔹 Combustíveis;
🔹 Insumos operacionais;
🔹 Custos trabalhistas;
🔹 Equilíbrio econômico-financeiro do sistema.
A Prefeitura também declarou que continuará fornecendo toda a documentação solicitada pelo Ministério Público.
💸 Subsídio milionário entrou na mira das denúncias
Outro ponto que chamou a atenção dos denunciantes foi o aumento expressivo dos subsídios pagos pela Prefeitura às empresas concessionárias do transporte coletivo.
Segundo os dados apresentados ao MP, o valor destinado ao sistema passou de R$ 139,5 milhões para R$ 218,4 milhões ao longo de 2025.
O crescimento representa aproximadamente 56,5% de aumento nos recursos públicos destinados ao setor.
Os denunciantes sustentam que, diante desse reforço financeiro, haveria questionamentos sobre a necessidade de repassar novos aumentos diretamente aos passageiros.
🚍 O que está sendo investigado?
O Ministério Público pretende esclarecer:
✔️ Se os reajustes possuem fundamentação técnica adequada;
✔️ Se os contratos de concessão autorizavam os percentuais aplicados;
✔️ Se os cálculos apresentados pela Emdec refletem os custos reais do sistema;
✔️ Se o aumento dos subsídios públicos deveria influenciar a definição das tarifas cobradas dos usuários.
👥 Isenções foram mantidas
Apesar do reajuste, permaneceram válidas as gratuidades e benefícios destinados a grupos específicos, incluindo:
🔹 Pessoas idosas;
🔹 Pessoas com deficiência;
🔹 Estudantes;
🔹 Universitários beneficiados pelos programas tarifários.
O Bilhete Único Comum também manteve o sistema de integração gratuita na primeira conexão e a segunda integração no valor de R$ 0,50.
⚖️ Debate envolve transparência e interesse público
A abertura do inquérito amplia a discussão sobre transparência na composição tarifária do transporte coletivo e sobre a utilização dos recursos públicos destinados ao setor.
O resultado das investigações poderá confirmar a regularidade dos reajustes ou apontar eventuais inconsistências que exijam medidas corretivas por parte dos órgãos responsáveis.
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Fontes: Ministério Público do Estado de São Paulo; Emdec; Prefeitura Municipal de Campinas; Centro de Apoio Operacional à Execução (CAEx).
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