Cidades
💰🌳 Propina para invadir área ambiental? Vereadores de Campinas são investigados por liberar obras em APAs
Um escândalo envolvendo nomes conhecidos da política campineira está sob os holofotes do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil: seis vereadores e ex-vereadores estão sendo investigados por suposto recebimento de propina para favorecer empreendimentos imobiliários em Áreas de Preservação Ambiental (APAs) do município.
Segundo apurado, os parlamentares teriam atuado para incluir emendas em um projeto de lei que alterou as regras de parcelamento e uso do solo, abrindo brechas para a urbanização de áreas protegidas.
📜 A lei em questão: Complementar 295/2020
O ponto central da investigação é a Lei Complementar 295/2020, que dispõe sobre o uso e ocupação do solo nas áreas rurais e urbanas de Campinas. A partir da denúncia, foram levantadas suspeitas de que uma emenda específica, articulada por parte dos vereadores, permitiria estudos de expansão urbana em zonas conectadas às APAs, num raio de até 100 metros, o que, segundo especialistas e ambientalistas, fere diretamente legislações ambientais vigentes, incluindo:
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Lei Federal nº 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais)
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Código Florestal (Lei nº 12.651/2012)
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Constituição Federal, art. 225, que garante o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.
👥 Quem são os investigados?
Os nomes citados na denúncia anônima, que deu origem ao inquérito, são:
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Zé Carlos (PSB)
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Permínio Monteiro (PSB)
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Edison Ribeiro (União Brasil)
-
Filipe Marchesi (PSB)
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Jorge Schneider (PL) – Ex-vereador
-
Fernando Mendes (Republicanos) – Ex-vereador
De acordo com os documentos obtidos, Zé Carlos e Permínio teriam liderado o suposto “esquema de propina” e atuado diretamente na formulação da emenda legislativa que favoreceu os empreendimentos.
🚨 Como funcionava o suposto esquema?
A denúncia anônima enviada à Polícia Federal aponta que os parlamentares teriam recebido quantias em dinheiro para facilitar a tramitação da proposta que permitia o avanço de empreendimentos sobre áreas protegidas.
Ainda segundo a investigação, a emenda teria sido incluída de maneira discreta no texto da Lei Complementar, favorecendo o lobby imobiliário e legalizando o que seria uma invasão gradual das APAs.
🕵️♂️ O que diz a investigação?
O MPSP confirmou que os parlamentares foram acionados para prestar esclarecimentos, mas até o momento nenhuma prisão, quebra de sigilo ou outra diligência avançada foi confirmada.
A lentidão nas investigações e a gravidade das acusações preocupam ambientalistas, juristas e cidadãos da cidade, que temem o “engavetamento” do caso.
🌱 Impacto ambiental: um crime anunciado?
Especialistas afirmam que autorizar urbanização em áreas protegidas compromete não só a biodiversidade, como a segurança hídrica, o controle climático e o equilíbrio ecológico da cidade e da região metropolitana. Campinas, como importante polo urbano e econômico, já enfrenta forte pressão imobiliária.
Segundo o Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), ao menos 30% da malha verde da cidade está sob risco de descaracterização por expansão urbana descontrolada.
🗣️ O que diz a população?
A reação nas redes sociais e nas ruas é de indignação:
“Mais um escândalo e, como sempre, tudo deve acabar em pizza”, diz uma moradora de Sousas.
“É sempre o mesmo roteiro: loteamento ilegal, político envolvido, denúncia abafada”, critica um ativista ambiental da região do Campo Grande.
⚖️ O que pode acontecer agora?
Se comprovadas as irregularidades, os investigados poderão responder por:
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Corrupção passiva (Art. 317 do Código Penal)
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Improbidade administrativa (Lei 8.429/92)
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Crime ambiental (Lei 9.605/98)
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Formação de quadrilha (Art. 288 do Código Penal)
As penas podem incluir perda de mandato, multa, suspensão dos direitos políticos, cassação e até prisão.
🔎 Conclusão
O caso coloca luz sobre a fragilidade da proteção ambiental frente ao poder político e econômico. Em um momento em que o mundo exige responsabilidade ambiental, ver parlamentares sendo investigados por facilitar a destruição de áreas protegidas é um tapa na cara da cidadania.
A população espera rigor nas investigações e, sobretudo, transparência e justiça. Afinal, a natureza não pode ser loteada.
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