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Agro

📈 Chuvas atrasam colheita e elevam preços do café; mercado acompanha qualidade da safra brasileira ☕

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Imagem Pública Internet

Excesso de chuvas reduziu o ritmo da colheita, atrasou a chegada do café ao mercado e impulsionou as cotações internacionais; Brasil segue projetado para colher safra recorde em 2026/27

As chuvas registradas principalmente durante o mês de junho alteraram significativamente o comportamento do mercado de café e trouxeram novos desafios para a safra brasileira 2026/27. O excesso de precipitações desacelerou a colheita, atrasou as etapas de secagem e beneficiamento dos grãos e reduziu a velocidade de entrada da nova produção no mercado.

Segundo análise da Consultoria Agro Itaú BBA, o cenário elevou as preocupações com a disponibilidade imediata do produto e, principalmente, com a qualidade do café arábica, impulsionando uma forte valorização das cotações nas bolsas internacionais.


🌧️ Chuvas atrasaram a colheita

Embora a colheita tenha começado em maio, as precipitações registradas em importantes regiões produtoras, como:

  • Sul de Minas Gerais;
  • Cerrado Mineiro;
  • Mogiana;

reduziram o ritmo dos trabalhos no campo.

Além do atraso operacional, as chuvas provocaram a queda de frutos das plantas, aumentando o risco de perdas de qualidade, especialmente no café arábica.

Como consequência, a chegada do café novo ao mercado ocorreu em velocidade inferior à esperada.


📈 Mercado reagiu com forte alta

A expectativa inicial era de que a nova safra aumentasse rapidamente a oferta disponível.

Entretanto, diante do atraso da colheita e das dúvidas sobre a qualidade dos grãos, investidores passaram a precificar um cenário de menor disponibilidade no curto prazo.

O resultado foi uma forte valorização das cotações internacionais.

Segundo o Itaú BBA:

  • o contrato de café arábica negociado em Nova York avançou 16% em apenas um dia;
  • alcançando 350 cents por libra-peso no vencimento de setembro de 2026.

No mercado de robusta:

  • a Bolsa de Londres registrou alta de 4%;
  • chegando a US$ 4.064 por tonelada.

Posteriormente, parte desse movimento foi corrigida pela realização de lucros dos investidores.

Mesmo assim, em 23 de julho, o contrato do arábica ainda encerrava o dia cotado em 309,40 cents por libra-peso, permanecendo em níveis elevados.


☕ Café brasileiro também ficou mais caro

No mercado físico nacional, os preços também reagiram.

Desde o início de junho:

Café Arábica

  • alta de 11%;
  • chegando a R$ 1.701 por saca em 22 de julho.

Café Conilon

  • valorização de 15%;
  • atingindo R$ 1.182 por saca.

Segundo a consultoria, a valorização do conilon foi proporcionalmente superior à registrada para o robusta na Bolsa de Londres.


🌎 Clima segue no radar

Outro fator que sustentou a alta foi a preocupação com o clima.

O mercado voltou a incorporar um prêmio de risco climático diante das projeções que indicam a possibilidade de um El Niño mais intenso durante o segundo semestre.

Caso o fenômeno se confirme, poderão surgir novos impactos sobre o desenvolvimento da safra 2027/28, mantendo elevada a sensibilidade do mercado às condições climáticas.


🚜 Colheita continua atrasada

Segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, o ritmo da colheita permanece inferior ao observado no mesmo período do ano passado.

Mesmo quando os grãos são colhidos, ainda existe um intervalo necessário para:

  • secagem;
  • beneficiamento;
  • classificação;
  • preparação para comercialização.

Esse processo mantém a oferta física limitada no curto prazo.


💰 Momento pode favorecer vendas dos produtores

Apesar da volatilidade, o atual cenário voltou a abrir oportunidades comerciais.

A consultoria avalia que:

  • as margens da próxima safra permanecem positivas;
  • as relações de troca com fertilizantes seguem historicamente favoráveis;
  • especialmente para ureia e cloreto de potássio (KCl).

Por isso, especialistas recomendam que produtores considerem estratégias de proteção de preços para reduzir riscos diante das oscilações do mercado.


🌍 USDA projeta safra recorde no Brasil

Embora o curto prazo permaneça apertado, as perspectivas para o próximo ciclo são bastante otimistas.

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA):

Produção mundial

  • 190 milhões de sacas
  • crescimento de 6,1%.

Consumo mundial

  • 180 milhões de sacas
  • alta de 3,6%.

O resultado será um superávit estimado em 9,9 milhões de sacas, permitindo recomposição dos estoques globais.


🇧🇷 Brasil deve registrar novo recorde

Para o Brasil, o USDA projeta:

Produção total

  • 71,9 milhões de sacas
  • crescimento de 14,1%
  • novo recorde histórico.

A previsão inclui:

Café Arábica

  • 47,5 milhões de sacas
  • alta de 25%.

Café Robusta (Conilon)

  • 24,4 milhões de sacas
  • redução de 2,4%.

Segundo o órgão norte-americano, a recuperação do arábica é favorecida pela:

  • bienalidade positiva;
  • melhores condições climáticas durante o desenvolvimento da lavoura;
  • expansão da área cultivada.

🚢 Exportações devem crescer quase 30%

Com maior disponibilidade interna, o USDA estima aumento significativo das exportações brasileiras.

A previsão é que o Brasil embarque:

  • 49,4 milhões de sacas de café verde;
  • crescimento de 29,6% sobre o ciclo anterior.

Ao mesmo tempo:

  • o consumo interno deverá permanecer praticamente estável em 22,4 milhões de sacas;
  • os estoques nacionais poderão crescer de 3,9 milhões para 4,4 milhões de sacas.

📝 OLHAR DO PORTAL AUGE1

O mercado do café vive um momento de transição. No curto prazo, a combinação entre chuvas, atraso da colheita e preocupação com a qualidade dos grãos mantém os preços sustentados em níveis elevados. Já no médio prazo, as projeções indicam um cenário diferente: caso a safra recorde prevista para o Brasil se confirme, a maior oferta tende a aliviar parte da pressão sobre o mercado internacional.

Para os produtores, esse contexto exige atenção redobrada. A volatilidade continuará sendo influenciada não apenas pelo clima, mas também pelo comportamento do câmbio, pelos movimentos dos fundos de investimento e pelo ritmo da colheita. Em um setor altamente sensível às condições meteorológicas, decisões de comercialização e gestão de risco tornam-se tão importantes quanto o desempenho das lavouras.

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Fonte: Consultoria Agro Itaú BBA, Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

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