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♿ BRASIL AINDA IMPÕE OBSTÁCULOS A QUEM PRECISA DE ACESSIBILIDADE: SÓ 12,9% DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA TÊM RAMPA PERTO DE CASA
Novo estudo do IBGE revela contraste entre direitos previstos em lei e a realidade das cidades: 67,4% das pessoas com deficiência vivem em locais onde existem obstáculos nas calçadas
Para milhões de brasileiros, sair de casa continua sendo um desafio antes mesmo de chegar ao destino.
Dados divulgados nesta sexta-feira (18) pelo IBGE mostram que, em 2022, apenas 12,9% das pessoas com deficiência moravam em domicílios cujo entorno possuía rampa para cadeirantes.
Entre pessoas sem deficiência, o percentual era maior: 15,4%. O levantamento integra a segunda edição do estudo Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil, que reúne informações do Censo Demográfico 2022 e de outras bases nacionais.
🚧 67,4% VIVIAM EM LOCAIS COM OBSTÁCULOS NAS CALÇADAS
Outro número dimensiona ainda melhor o problema: 67,4% das pessoas com deficiência residiam em locais onde foram identificados obstáculos nas calçadas.
São situações que podem transformar um trajeto cotidiano em uma sucessão de barreiras, especialmente para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.
O levantamento urbanístico utilizado pelo IBGE não se baseou simplesmente na percepção dos entrevistados: as condições das ruas e calçadas foram observadas diretamente durante a Pesquisa Urbanística do Entorno dos Domicílios.
🦽 NEM PARA QUEM TEM DIFICULDADE DE CAMINHAR A RAMPA É REGRA
O dado fica ainda mais significativo quando analisadas especificamente as pessoas com dificuldade ou impossibilidade de caminhar ou subir degraus.
Nesse grupo, somente 13,5% viviam em domicílios cujo entorno apresentava rampas para cadeirantes.
Ou seja, mesmo entre aqueles para quem uma barreira física pode impedir diretamente o deslocamento, a infraestrutura acessível continua longe de ser predominante.
🏙️ ACESSIBILIDADE NÃO TERMINA NA PORTA DO PRÉDIO
Os números também expõem uma questão frequentemente esquecida nas discussões sobre inclusão.
Não adianta apenas adaptar o interior de escolas, repartições, empresas, hospitais e estabelecimentos se o cidadão encontra uma sequência de barreiras para conseguir chegar até eles.
A acessibilidade urbana envolve calçadas transitáveis, rebaixamentos adequados, travessias, transporte, sinalização e continuidade das rotas acessíveis.
Uma única barreira pode interromper todo o percurso.
Para uma pessoa sem limitação de mobilidade, um buraco, poste no meio da calçada, degrau ou veículo obstruindo a passagem pode representar um incômodo.
Para determinadas pessoas com deficiência, pode representar simplesmente:
“DAQUI EU NÃO PASSO.”
🏠 DESIGUALDADE TAMBÉM APARECE DENTRO DAS CONDIÇÕES DE MORADIA
O estudo do IBGE vai além das calçadas.
Em praticamente todos os indicadores de condições habitacionais analisados, as pessoas com deficiência apresentaram resultados menos favoráveis.
No acesso ao saneamento adequado, por exemplo, eram 56,6% entre pessoas com deficiência, contra 60,2% entre aquelas sem deficiência.
A exceção foi o adensamento domiciliar excessivo. Nesse indicador, o grupo com deficiência apresentou condição mais favorável, situação que o IBGE relaciona ao perfil etário mais envelhecido dessa população, já que domicílios com idosos tendem a possuir menos moradores por cômodo.
⚠️ O PROBLEMA NÃO É A PESSOA. É TAMBÉM A BARREIRA QUE A SOCIEDADE COLOCA DIANTE DELA
O próprio estudo do IBGE trabalha com uma compreensão importante: deficiência não deve ser analisada apenas pelas características corporais de uma pessoa.
O ambiente interfere diretamente em sua possibilidade de participação social.
Uma pessoa pode possuir uma limitação de mobilidade e conseguir circular com autonomia em uma cidade acessível.
A mesma pessoa pode encontrar enormes dificuldades quando colocada diante de escadas, calçadas quebradas, ausência de rampas e transporte inadequado.
Essa perspectiva biopsicossocial reconhece justamente a interação entre impedimentos individuais e barreiras existentes no ambiente.
♿ ACESSIBILIDADE NÃO É FAVOR
O Brasil possui desde 2015 a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, que estabelece direitos relacionados à acessibilidade, mobilidade, educação, saúde, trabalho, moradia e participação social.
Portanto, acessibilidade não deveria ser tratada como gentileza, benefício opcional ou obra realizada apenas quando “sobra orçamento”.
É uma questão de direitos e de autonomia.
Os dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira colocam números em algo que pessoas com deficiência enfrentam diariamente:
uma cidade pode excluir sem colocar uma placa dizendo “proibida a entrada”.
Basta construir uma escada sem alternativa acessível.
Basta interromper uma calçada.
Basta não fazer o rebaixamento.
Basta colocar um poste no caminho.
Basta permitir que uma rota acessível simplesmente não exista.
🔎 E OS MUNICÍPIOS? AGORA É HORA DE OLHAR PARA AS PRÓPRIAS CALÇADAS
Os números nacionais também abrem uma pauta importante para cada cidade.
Quantos prédios públicos municipais possuem acessibilidade integral?
Quantas escolas?
Quantas unidades de saúde?
Quantas praças?
Quantos pontos de ônibus?
Quantos prédios alugados pelas prefeituras possuem pavimentos acessíveis?
Quantas calçadas permitem que um cadeirante percorra centenas de metros sem precisar entrar na rua para continuar seu caminho?
São perguntas que podem ser respondidas localmente.
Porque os números do IBGE mostram a dimensão nacional do problema, mas a barreira enfrentada por uma pessoa com deficiência está, quase sempre, em algum lugar muito concreto:
na calçada da sua rua, na entrada da escola, no ponto de ônibus, na repartição pública ou no caminho até o trabalho.
E quando 67,4% das pessoas com deficiência vivem em locais onde existem obstáculos nas calçadas, a falta de acessibilidade deixa de poder ser tratada como exceção.
Ela passa a ser um problema estrutural das cidades brasileiras.
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Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil, 2ª edição, divulgado em 18 de setembro de 2026.
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