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🚨 “POSSO SER BEM MAL”: MENSAGENS REVELAM AMEAÇAS ANTES DE DENTISTA SER ESPANCADA PELO MARIDO EM SP

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Giullia Falcão, de 27 anos, afirma ter vivido quase três anos sob agressões, intimidação e ameaças; empresário Ivo Kos foi preso e teve a prisão convertida em preventiva. Defesa dele nega as acusações e sustenta outra versão dos fatos

Mensagens trocadas entre a cirurgiã-dentista Giullia Falcão Kos, de 27 anos, e o empresário Ivo Kos, de 48, acrescentam um novo e perturbador capítulo ao caso de violência doméstica registrado em São Paulo.

Nos diálogos divulgados, Ivo teria escrito frases como “vai ser bem ruim pra você”, “não me peita” e afirmado que, da mesma forma que poderia ser “bom”, também poderia ser “bem mal” com a esposa. As mensagens ainda fazem referência ao uso de um “exército de advogados” contra Giullia.

Os registros ganham peso diante do que aconteceria posteriormente.

Na madrugada deste sábado (15), Giullia relatou ter sido agredida com socos, golpe de taco de beisebol e ameaças com uma arma de choque, depois que o casal retornou de um jantar na zona oeste de São Paulo. Imagens de câmera de segurança registraram parte da ocorrência.

Ivo Kos foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva após audiência de custódia. O caso é investigado pela 4ª Delegacia de Defesa da Mulher de São Paulo como lesão corporal, ameaça e violência doméstica sob a Lei Maria da Penha. A defesa de Giullia pretende pedir ao Ministério Público uma tipificação mais grave.

💬 MENSAGENS MOSTRAM RELAÇÃO MARCADA POR INTIMIDAÇÃO

A conversa divulgada teria começado depois de Giullia questionar o marido sobre uma situação envolvendo outra mulher.

Segundo o material publicado, Ivo respondeu que havia solicitado apenas que a pessoa pegasse uma planilha.

O teor da conversa, porém, muda rapidamente.

A dentista passa a receber mensagens de intimidação.

Em uma delas, o empresário escreve que, caso ela quisesse “bater de frente”, a situação seria ruim para ela.

Em outro trecho, afirma que poderia ser “bom” ou “bem mal”.

Há ainda referência ao poder econômico dentro da relação e à possibilidade de mobilizar advogados contra Giullia e outras pessoas.

Essas mensagens passam agora a integrar o debate sobre algo que especialistas em violência doméstica apontam há anos:

a agressão física frequentemente não começa no primeiro soco.

Antes dela podem existir controle, intimidação, dependência econômica, humilhação, ameaças, isolamento e medo.

Isso não significa que toda discussão conjugal seja violência doméstica.

Mas ameaças reiteradas e mecanismos de controle são elementos relevantes para compreender o contexto de uma relação abusiva.

💔 “EU JÁ TENTEI SAIR”

Segundo o relato divulgado pela dentista, ela já havia tentado deixar a relação anteriormente.

Giullia afirmou que sofria agressões havia cerca de dois anos e que chegou a tentar romper o casamento, mas retornava diante de promessas e pressões.

Em vídeo publicado após a ocorrência, ela apareceu com o rosto severamente machucado e um dos dedos lesionado.

A dentista afirmou que aquela não teria sido a primeira agressão sofrida durante o relacionamento.

Na noite deste domingo (16), em entrevista ao Fantástico, Giullia declarou acreditar que, desta vez, o marido teria tentado matá-la.

Essa afirmação é da vítima e ainda será analisada dentro da investigação criminal.

🚨 CÂMERA REGISTROU UM DOS SOCOS

Imagens de segurança divulgadas pela imprensa registraram parte da ocorrência.

Segundo a gravação, o casal chega à rua onde morava.

Giullia desce do veículo e permanece na calçada.

Ivo aparece na sequência e as imagens mostram um movimento seguido de um golpe contra a mulher, que cai para trás.

A existência de imagens torna-se especialmente importante porque permite à Polícia Civil confrontar as diferentes versões apresentadas.

Giullia afirmou que já vinha sendo agredida dentro do carro.

Ivo nega ter cometido as agressões da maneira descrita pela esposa e afirma que também teria sido atacado durante a discussão.

⚠️ ELA DIZ QUE IMPLOROU PARA NÃO SER LEVADA PARA DENTRO DA CASA

Talvez um dos trechos mais angustiantes do depoimento seja o momento em que Giullia diz ter se recusado a voltar para dentro da residência.

Segundo a versão apresentada por ela, após sair do carro tentou permanecer na rua e pedir ajuda.

Na entrevista exibida neste domingo, a dentista relatou que teria dito:

“Não vou, pelo amor de Deus, ele vai me matar.”

Ela afirma, porém, que acabou levada para dentro do imóvel.

O boletim de ocorrência registra o relato de que as agressões prosseguiram.

🏏 TACO DE BEISEBOL E ARMA DE CHOQUE

De acordo com Giullia, o empresário teria retirado um taco de beisebol do veículo.

Ela afirma ter sido atingida na mão direita.

A dentista também declarou ter sido ameaçada com uma arma de choque e relatou ameaça de morte.

Segundo a Polícia Civil, os dois apresentavam lesões aparentes e foram submetidos a exames no Instituto Médico Legal.

Giullia permaneceu hospitalizada e recebeu atendimento para os ferimentos.

🚔 PRISÃO FOI CONVERTIDA EM PREVENTIVA

Ivo Kos foi inicialmente preso em flagrante.

Depois da audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em preventiva, sem prazo determinado naquele momento.

Sua defesa apresentou pedido de habeas corpus buscando a libertação do empresário.

A prisão preventiva não representa condenação.

O empresário permanece investigado e possui direito à ampla defesa e ao contraditório.

⚖️ DEFESA DE GIULLIA QUER ENQUADRAMENTO MAIS GRAVE

Até agora, o caso foi registrado por crimes relacionados a lesão corporal, ameaça e violência doméstica, com aplicação da Lei Maria da Penha.

O advogado de Giullia considera a classificação insuficiente.

A defesa pretende procurar o Ministério Público para discutir eventual reclassificação do caso para uma imputação mais grave, diante das agressões e das ameaças relatadas.

Caberá ao Ministério Público e, posteriormente, ao Judiciário avaliar juridicamente os elementos produzidos pela investigação.

🛡️ MEDIDA PROTETIVA

Giullia também solicitou medidas protetivas.

A Lei Maria da Penha permite que a Justiça imponha medidas como proibição de aproximação, afastamento do lar e restrição de contato quando identificada situação de risco.

Segundo informações divulgadas neste domingo, a defesa da dentista aguardava providências relacionadas a essas medidas.

🗣️ O QUE DIZ IVO KOS

Existe outra versão e ela precisa ser registrada.

Ivo Kos nega as agressões da maneira narrada por Giullia.

Segundo seu depoimento à polícia, a esposa teria ficado alterada após ingerir bebida alcoólica durante o jantar e teria iniciado agressões contra ele.

Ele também afirmou que Giullia teria quebrado vidros do veículo e tentado atingi-lo com objetos.

Os policiais registraram ferimentos tanto na dentista quanto no empresário.

Essas alegações serão confrontadas com:

imagens;

depoimentos;

exames periciais;

mensagens;

eventuais testemunhas;

e demais elementos reunidos pela Polícia Civil.

A existência de versões conflitantes é justamente uma das razões pelas quais o caso ainda precisa ser investigado antes de qualquer conclusão criminal definitiva.

🚨 “EXÉRCITO DE ADVOGADOS”: QUANDO PODER ECONÔMICO APARECE COMO AMEAÇA

As mensagens divulgadas despertam ainda outra discussão importante.

Quando alguém afirma que possui dinheiro, estrutura jurídica ou influência suficiente para prejudicar a outra pessoa, isso pode funcionar psicologicamente como mecanismo de intimidação dentro de uma relação.

Isso não significa que contratar advogados seja ilícito — evidentemente não é.

Todo cidadão possui direito de contratar defesa jurídica.

A questão muda quando a referência à capacidade financeira ou jurídica aparece como instrumento de ameaça ou controle pessoal.

É esse contexto que precisa ser analisado.

A Justiça não pode ser utilizada como extensão de uma relação abusiva.

E possuir mais dinheiro, advogados ou influência jamais concede a alguém direitos superiores sobre o corpo, liberdade ou segurança do companheiro ou companheira.

💜 AGOSTO LILÁS E UMA HISTÓRIA QUE MOSTRA POR QUE A CAMPANHA EXISTE

O episódio ganha ainda mais simbolismo justamente durante o Agosto Lilás, mês nacional de conscientização sobre a violência contra a mulher.

Campanhas normalmente apresentam frases como:

“Não se cale.”

“Denuncie.”

“Procure ajuda.”

Mas histórias como a de Giullia mostram por que sair de uma relação violenta pode ser muito mais complexo do que simplesmente abrir uma porta e ir embora.

Há medo.

Dependência financeira.

Filhos.

Pressão familiar.

Promessas de mudança.

Ameaças.

Vergonha.

E, em alguns casos, medo real de morrer.

Por isso, quando alguém pergunta:

“Por que ela não foi embora antes?”

talvez a pergunta correta seja:

“O que fazia aquela mulher acreditar que não conseguiria sair em segurança?”

🔎 OLHAR DO PORTAL AUGE1

Talvez o aspecto mais perturbador deste caso não esteja apenas nas fotografias dos ferimentos.

Nem no taco.

Nem na arma de choque.

Nem mesmo no vídeo do soco.

Está também nas palavras que teriam sido escritas antes de tudo isso.

“Vai ser bem ruim pra você.”

“Não me peita.”

“Posso ser bem mal.”

Quando analisadas isoladamente, algumas pessoas podem tentar classificá-las apenas como frases ditas numa discussão.

Mas violência doméstica precisa ser compreendida como processo, não apenas como fotografia do momento em que alguém finalmente aparece ensanguentado.

O soco pode ser o ponto visível.

Antes dele, muitas vezes existe uma longa estrada de controle.

E isso precisa ser aprendido socialmente.

Ameaça também é violência.

Humilhação também pode ser violência.

Controle econômico pode ser violência.

Terror psicológico pode ser violência.

E quando tudo isso começa a aparecer, não deveria ser necessário esperar pela primeira fratura para levar uma mulher a sério.

O caso de Giullia ainda será investigado.

Ivo Kos tem direito à defesa.

A Polícia Civil deverá determinar exatamente o que ocorreu.

Mas existe uma mensagem de prevenção que não depende do resultado final deste processo:

ninguém precisa esperar ser espancado para considerar uma ameaça grave.

Se uma mulher está sendo intimidada, controlada, ameaçada ou impedida de terminar um relacionamento, o problema já existe.

E talvez a maior função de casos que ganham repercussão nacional seja fazer outras mulheres reconhecerem sinais que ainda estão tentando normalizar dentro de suas próprias casas.

Porque o combate ao feminicídio não começa depois da morte.

Começa muito antes.

Começa quando uma ameaça é levada a sério.

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Fonte: Polícia Civil do Estado de São Paulo; informações do boletim de ocorrência; Folha de S.Paulo; CNN Brasil; UOL; Metrópoles; declarações públicas da vítima e das defesas.

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