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Agro

📈 Cotações da mandioca atingem maior patamar desde abril em meio à baixa oferta e dificuldades no campo

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Imagem Pública Internet

Menor ritmo de colheita, prioridade ao plantio, endividamento dos produtores e restrição de crédito reduzem a oferta da raiz e sustentam a valorização dos preços, aponta Cepea

Os preços da mandioca voltaram a subir nas principais regiões produtoras do país e atingiram o maior patamar desde abril, impulsionados pela redução da oferta da matéria-prima. O cenário é resultado da combinação entre o ritmo mais lento da colheita, a prioridade dada pelos produtores ao plantio e as dificuldades financeiras enfrentadas pelo setor.

De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a disponibilidade da raiz permanece limitada, sustentando a valorização das cotações mesmo em um período tradicionalmente importante para o abastecimento da indústria.

Segundo os pesquisadores, a retração dos produtores está diretamente ligada à baixa rentabilidade observada nos últimos meses, que reduziu o estímulo para ampliar a oferta.

🌾 Colheita perde ritmo

O Cepea destaca que, no curto prazo, não há indicativos de uma retomada significativa da colheita.

A principal razão é que muitos agricultores concentram seus esforços na implantação das novas lavouras, priorizando o plantio em detrimento da retirada da mandioca já pronta para comercialização.

Esse comportamento reduz a quantidade de produto disponível no mercado e contribui para manter os preços elevados.

💰 Endividamento preocupa produtores

Outro fator que influencia diretamente o mercado é a situação financeira dos produtores rurais.

O elevado nível de endividamento e a dificuldade de acesso ao crédito para custeio vêm limitando novos investimentos na atividade.

Com menor disponibilidade de recursos para financiar operações agrícolas, muitos produtores reduzem o ritmo das atividades ou adiam decisões que poderiam ampliar a produção.

Segundo o Cepea, esse cenário ajuda a explicar a manutenção da oferta restrita.

📈 Oferta menor mantém preços elevados

Enquanto a produção permanece limitada, a demanda continua encontrando menor disponibilidade de matéria-prima.

Esse desequilíbrio entre oferta e procura sustenta a valorização das cotações da mandioca, beneficiando parte dos produtores que ainda possuem produto disponível para comercialização.

Especialistas alertam, no entanto, que a recuperação da atividade dependerá também da melhora nas condições de crédito e da rentabilidade do setor nos próximos meses.

🔎 OLHAR DO PORTAL AUGE1

A alta da mandioca reflete um problema que vai além da simples relação entre oferta e demanda.

O aumento dos preços evidencia as dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores rurais, que convivem com custos elevados, crédito mais restrito e margens de lucro reduzidas.

Embora a valorização atual possa representar um alívio momentâneo para quem ainda possui produção disponível, ela também revela um desafio estrutural para a agricultura brasileira: produzir mais exige investimento, e investir depende de acesso ao crédito e de condições econômicas favoráveis.

Se esse cenário persistir, a tendência é que a oferta continue limitada, mantendo pressão sobre os preços e impactando toda a cadeia produtiva, da indústria aos consumidores.

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Fonte: Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP).

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