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🚬 148 MIL INTERNAÇÕES EM 6 MESES: o cigarro é uma escolha individual, mas quem paga a conta do tabagismo?

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São Paulo registrou 148.801 internações por doenças relacionadas ao tabagismo somente no primeiro semestre de 2026. Por trás do cigarro vendido legalmente existe uma dependência capaz de provocar câncer, infarto, AVC e doenças pulmonares — e uma conta bilionária que não termina no bolso de quem fuma

O cigarro é comprado legalmente.

É vendido em estabelecimentos autorizados.

Gera impostos.

O consumidor adulto pode decidir fumar.

Mas existe uma pergunta incômoda que raramente aparece quando alguém acende um cigarro:

QUEM PAGA A CONTA QUANDO O FUMANTE ADOECE?

Somente no Estado de São Paulo, foram registradas 148.801 internações relacionadas a doenças associadas ao tabagismo no primeiro semestre de 2026, segundo dados divulgados pelo governo estadual.

Isso representa uma dimensão gigantesca de utilização da estrutura hospitalar.

E estamos falando de apenas seis meses e um único estado brasileiro.

Mas a discussão fica ainda mais séria quando saímos das internações e observamos o impacto nacional.

Segundo estudo divulgado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), 477 pessoas morrem por dia no Brasil em decorrência do tabagismo, e o impacto econômico anual estimado, considerando despesas médicas e perdas de produtividade, chega a R$ 153,5 bilhões.

477 MORTES POR DIA.

Não estamos falando apenas de um “mau hábito”.

Estamos falando de uma das maiores questões evitáveis de saúde pública do país.


💀 O CIGARRO NÃO ATACA APENAS O PULMÃO

Quando se fala em cigarro, muita gente pensa imediatamente em câncer de pulmão.

A relação existe e é extremamente importante.

Mas o tabagismo vai muito além.

Está relacionado a doenças cardiovasculares, infarto, acidente vascular cerebral (AVC), doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), bronquite crônica, enfisema e diferentes tipos de câncer, além de outras enfermidades.

O INCA também relaciona o tabagismo a problemas como tuberculose, infecções respiratórias, infertilidade, impotência sexual, osteoporose e catarata.

Ou seja:

O CIGARRO NÃO ESCOLHE APENAS UM ÓRGÃO PARA DESTRUIR.

Seus efeitos podem atingir praticamente todo o organismo.


💰 E ENTÃO CHEGAMOS À CONTA QUE QUASE NINGUÉM VÊ

Quando alguém compra um maço, existe um preço impresso na embalagem.

Esse é o custo particular.

Mas existe outro preço.

O preço coletivo.

Internações.

Consultas.

Medicamentos.

Cirurgias.

UTIs.

Quimioterapia.

Radioterapia.

Tratamentos cardiológicos.

Oxigênio.

Afastamentos do trabalho.

Incapacidade.

Aposentadorias precoces.

Cuidadores.

E mortes prematuras.

Um estudo atualizado divulgado pelo INCA em 2024 estimou em R$ 153,5 bilhões por ano as perdas brasileiras decorrentes de despesas médicas e perda de produtividade atribuíveis ao tabagismo.

R$ 153,5 BILHÕES.

É aqui que a velha frase:

“Eu fumo porque a vida é minha.”

fica incompleta.

Sim, o corpo pertence ao indivíduo.

MAS PARTE DA CONTA DO ADOECIMENTO É SOCIALIZADA.

E isso não significa defender que fumantes tenham menos direito ao SUS — muito pelo contrário.

O acesso à saúde é um direito e pessoas com dependência de nicotina precisam de tratamento, não de estigmatização.

A questão é outra:

SE O PREJUÍZO É COLETIVO, A PREVENÇÃO TAMBÉM PRECISA SER.


🧠 “É SÓ PARAR.”

Não.

Essa talvez seja uma das maneiras mais superficiais de tratar o problema.

A nicotina causa dependência.

Portanto, embora a decisão inicial de experimentar um cigarro possa ocorrer voluntariamente, depois de estabelecida a dependência a relação com o produto se torna muito mais complexa.

É justamente por isso que campanhas baseadas apenas em:

“FUMAR FAZ MAL.”

são insuficientes.

Praticamente todo fumante adulto já sabe disso.

O desafio é transformar conhecimento em abandono da dependência.

E isso pode exigir acompanhamento profissional, mudança comportamental e, conforme avaliação clínica, tratamento medicamentoso.

O próprio INCA informa que o SUS oferece tratamento gratuito para quem deseja parar de fumar.


🚬 O CIGARRO É UM PRODUTO CURIOSO

Pense na contradição.

É um produto legalmente comercializado que precisa carregar advertências sobre seus próprios riscos.

Seu consumidor pode desenvolver dependência.

E seu consumo está associado a doenças responsáveis por enorme impacto sanitário e econômico.

Mesmo assim, continua existindo mercado.

Continua existindo consumo.

Continua existindo iniciação de novos usuários.

E, enquanto alguns conseguem abandonar o cigarro, uma nova geração precisa ser impedida de entrar no ciclo da nicotina.


⚠️ E A INDÚSTRIA MUDOU A EMBALAGEM DO PROBLEMA

Talvez um dos maiores erros atuais seja discutir tabagismo pensando somente no cigarro tradicional.

O problema do século XXI envolve também dispositivos eletrônicos para fumar, narguilés e outras formas de consumo de tabaco e nicotina.

O INCA é categórico ao afirmar que produtos de tabaco, incluindo cigarros, narguilés e dispositivos eletrônicos, estão relacionados a problemas de saúde evitáveis.

E aqui surge um desafio especialmente importante:

A NICOTINA CONSEGUIU ENTRAR EM UMA NOVA ESTÉTICA.

O cigarro tradicional carrega décadas de campanhas mostrando pulmões doentes, dentes comprometidos e advertências.

O dispositivo eletrônico chegou associado, em muitos ambientes, a:

tecnologia;

sabores;

cores;

design;

socialização;

e uma percepção equivocada de menor perigo.

Para uma política de prevenção, essa transformação é fundamental.

Porque o produto pode mudar.

A DEPENDÊNCIA CONTINUA SENDO DEPENDÊNCIA.


👦 O MAIOR CAMPO DE BATALHA É QUEM AINDA NÃO COMEÇOU

Existe uma diferença enorme entre dois desafios de saúde pública:

ajudar alguém dependente a parar

e

impedir que uma criança ou adolescente comece.

O segundo deveria receber atenção gigantesca.

Quanto mais cedo ocorre o contato com produtos de nicotina, maior é a preocupação com estabelecimento de padrões de consumo e dependência.

É por isso que prevenção precisa acontecer antes da primeira tragada, e não quando o adolescente já incorporou o produto à rotina.

Família e escola precisam conversar sobre nicotina com a mesma seriedade com que discutem álcool e outras drogas.


🚭 “MAS MEU AVÔ FUMOU ATÉ OS 90 ANOS”

Esse argumento aparece constantemente.

Sim, existem fumantes longevos.

Assim como existem pessoas que sofreram acidentes gravíssimos e sobreviveram.

Casos individuais não anulam risco populacional.

A medicina não afirma que todo fumante terá câncer.

Ela demonstra que fumar aumenta significativamente o risco de inúmeras doenças e mortes evitáveis.

A pergunta correta não é:

“Existe alguém que fumou a vida inteira e não morreu de câncer?”

Claro que existe.

A pergunta deveria ser:

“QUANTAS PESSOAS ADOECERIAM OU MORRERIAM MENOS SE NÃO FUMASSEM?”

É exatamente isso que estudos populacionais procuram responder.


👨‍👩‍👧 E QUEM NÃO FUMA?

Aqui termina definitivamente o argumento de que fumar é uma decisão que afeta exclusivamente o fumante.

Existe tabagismo passivo.

Crianças, companheiros, familiares, trabalhadores e outras pessoas podem ser expostos à fumaça produzida por terceiros.

Dados reunidos pelo INCA e pela OPAS apontam que, mundialmente, mais de 1,2 milhão de mortes anuais relacionadas ao tabaco atingem não fumantes expostos ao fumo passivo.

QUEM NÃO ACENDEU O CIGARRO TAMBÉM PODE PAGAR O PREÇO.

E quando existe criança dentro de casa ou do veículo, a responsabilidade do adulto se torna ainda maior.


📊 148.801 INTERNAÇÕES PRECISAM SER TRANSFORMADAS EM PERGUNTAS

O número paulista não deveria servir apenas para uma campanha de conscientização.

Deveria servir para planejamento público.

Quantas dessas internações poderiam ser evitadas?

Quais doenças mais ocupam os hospitais?

Qual é a faixa etária predominante?

Quantas pessoas internadas continuam fumando?

Quantas receberam oferta de tratamento para dependência?

Quanto essas hospitalizações custaram ao SUS paulista?

Quantos municípios oferecem programa estruturado para cessação?

Quantos pacientes procuram ajuda e encontram medicamentos e acompanhamento disponíveis?

E principalmente:

QUANTO O ESTADO GASTA TRATANDO AS CONSEQUÊNCIAS E QUANTO INVESTE EVITANDO QUE ELAS ACONTEÇAM?

Essa comparação precisa fazer parte do debate.


🏥 PARAR DE FUMAR NÃO DEVERIA SER UMA CAMPANHA. DEVERIA SER UMA POLÍTICA PERMANENTE.

O fumante não precisa ouvir apenas:

“VOCÊ VAI MORRER.”

Ele precisa ouvir:

“EXISTE TRATAMENTO E NÓS PODEMOS AJUDAR VOCÊ A PARAR.”

Campanhas baseadas exclusivamente no medo podem conscientizar, mas dependência química exige também porta de saída.

É preciso identificar o fumante na atenção básica.

Oferecer abordagem profissional.

Avaliar grau de dependência.

Acompanhar tentativas de cessação.

Tratar recaídas sem transformar recaída em fracasso moral.

E disponibilizar os tratamentos previstos pelos protocolos de saúde.

O INCA informa que existem tratamentos integrais e gratuitos pelo SUS para cessação do tabagismo.


❤️ O CORPO COMEÇA A GANHAR QUANDO O CIGARRO SAI

Existe outra mensagem que precisa ser repetida:

NÃO É “TARDE DEMAIS” PARA PARAR.

Uma pessoa que fuma há anos pode olhar para o histórico de consumo e pensar:

“O estrago já está feito.”

Esse pensamento pode ser justamente aquilo que mantém a dependência.

Abandonar o tabagismo continua trazendo benefícios à saúde, inclusive para fumantes de longa duração.

Por isso, prevenção e tratamento precisam abandonar também a linguagem de condenação.


🔥 A POLÊMICA QUE PRECISAMOS ENFRENTAR

Se uma atividade gera doença, mortes evitáveis e bilhões de reais em perdas econômicas, qual deve ser a responsabilidade do Estado?

Aumentar impostos?

Intensificar fiscalização?

Ampliar tratamento?

Investir mais em prevenção nas escolas?

Combater comércio ilegal?

Reprimir venda de produtos proibidos?

Restringir publicidade e formas indiretas de promoção?

Fiscalizar o acesso de adolescentes?

Provavelmente a resposta não está em uma única medida.

O controle do tabagismo exige uma combinação de educação, tributação, regulação, fiscalização, ambientes livres de fumaça e assistência para cessação.

O debate não deve ser:

FUMANTE CONTRA NÃO FUMANTE.

Deve ser:

SAÚDE PÚBLICA CONTRA UMA DEPENDÊNCIA EVITÁVEL.


✍️ REFLEXÃO AUGE1

Quando alguém acende um cigarro, não aparece imediatamente uma conta hospitalar.

Não aparece um diagnóstico.

Não aparece uma UTI.

Não aparece uma cirurgia cardíaca.

Não aparece uma sessão de quimioterapia.

Não aparece uma família esperando do lado de fora de um hospital.

Talvez esse seja justamente o problema.

O CIGARRO COBRA A CONTA A PRAZO.

Pode levar anos.

Pode levar décadas.

E nem todo fumante desenvolverá as mesmas doenças.

Mas, quando observamos 148.801 internações em apenas seis meses em São Paulo, deixa de ser possível tratar o problema apenas como uma sucessão de decisões individuais.

E quando um estudo nacional estima 477 mortes por dia e R$ 153,5 bilhões anuais em impacto econômico, a discussão ganha dimensão de Estado.

Então fica uma provocação:

SE AMANHÃ 148 MIL PESSOAS NÃO PRECISASSEM SER INTERNADAS, QUANTOS LEITOS ESTARIAM DISPONÍVEIS PARA OUTRAS DOENÇAS?

Quantos profissionais teriam menor sobrecarga?

Quantos recursos poderiam ser destinados à prevenção?

Quantas famílias seriam poupadas?

E quantas vidas continuariam?

Não precisamos perseguir quem fuma.

PRECISAMOS IMPEDIR QUE MAIS PESSOAS SE TORNEM DEPENDENTES E AJUDAR QUEM JÁ É DEPENDENTE A CONSEGUIR PARAR.

Porque por trás de cada estatística existe algo que nenhum cálculo econômico consegue recuperar:

TEMPO DE VIDA.

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Fonte: Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo / Instituto Nacional de Câncer (INCA). Dados nacionais de mortalidade e impacto econômico correspondem às estimativas publicadas pelo INCA e devem ser interpretados conforme a metodologia dos respectivos estudos.

Quem deseja parar de fumar pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e solicitar informações sobre o tratamento para cessação do tabagismo oferecido pelo SUS.

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