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🚨 SUMARÉ SABE HÁ MAIS DE 20 ANOS ONDE CONTER AS CHEIAS: 5 “PISCINÕES” FORAM PREVISTOS E NENHUM SAIU DO PAPEL
Plano de macrodrenagem apontou reservatórios no Tijuco, Anhanguera, Jatobá, Jacuba e Guaíra; Plano Diretor do próprio Município reconhece que obras não foram implantadas — e até cronograma para executá-las foi colocado como diretriz
Toda vez que o Ribeirão Quilombo transborda em Sumaré, a história parece começar novamente.
- Chove.
- O rio sobe.
- Ruas desaparecem debaixo d’água.
- Famílias retiram móveis.
- Defesa Civil entra em ação.
- Prefeitura presta assistência.
Depois a água baixa, Mas documentos técnicos mostram que a discussão sobre uma solução estrutural para as enchentes existe há mais de duas décadas.
E o mais grave:
SUMARÉ NÃO TEM APENAS UM PROBLEMA CONHECIDO. TEM OBRAS DE CONTENÇÃO ESTUDADAS E NUNCA IMPLANTADAS.
O Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia do Ribeirão Quilombo, elaborado no início dos anos 2000, previu 13 reservatórios de amortecimento de cheias na bacia.
Cinco deles foram destinados a Sumaré.
A própria documentação da Prefeitura os identifica como:
QL-1 — Tijuco
QL-2 — Anhanguera
QL-3 — Jatobá
QL-4 — Jacuba
QL-5 — Guaíra
E o diagnóstico municipal é explícito:
“Estes reservatórios ainda não foram implantados.”
🚨 NÃO É PROPOSTA DO AUGE1. ESTÁ NOS DOCUMENTOS DA PRÓPRIA PREFEITURA
Esse ponto muda completamente o debate iniciado pelo Portal Auge1 após as últimas enchentes.
Quando questionamos a possibilidade de implantação de piscinões em Sumaré, não estávamos inventando uma solução.
Ela já havia sido estudada tecnicamente.
E mais: foi incorporada aos documentos de planejamento do próprio Município.
A Revisão do Plano Diretor 2019–2039 reconhece como causas das enchentes, entre outros fatores, a insuficiência de determinados sistemas de drenagem, estrangulamentos provocados por travessias, ocupação de áreas ribeirinhas e justamente a ausência de obras hidráulicas de contenção, como reservatórios de detenção de cheias.
O documento vai além. Entre as ações propostas aparece:
“Elaborar cronograma de execução paulatina dos reservatórios de retenção ou de armazenamento propostos no PDMQ.”
Então a pergunta muda. Não é mais:
“SERÁ QUE SUMARÉ PRECISA DE PISCINÕES?”
É:
POR QUE SUMARÉ NÃO CONSTRUIU OS PISCINÕES QUE SEUS PRÓPRIOS PLANOS JÁ PREVIAM?
🗺️ ONDE FICARIAM?
Os documentos municipais relacionam cinco regiões: Tijuco, Anhanguera, Jatobá, Jacuba e Guaíra. O plano original contém mapas, desenhos e posicionamento hidráulico das estruturas ao longo do sistema do Ribeirão Quilombo e seus afluentes.
Isso também significa que precisamos ter cuidado com as áreas que o Auge1 sugeriu visualmente na matéria anterior, como Jardim Primavera e Vila Diva. (veja imagem sugestiva)
Não devemos afirmar que são as mesmas áreas dos projetos originais.
A proposta editorial pode ser ainda melhor: colocar lado a lado os locais oficialmente estudados há mais de 20 anos e as atuais regiões que continuam sofrendo com enchentes.
E perguntar se os projetos ainda são hidraulicamente viáveis ou precisam ser atualizados.
💧 COMO FUNCIONARIAM?
O termo popular é “piscinão”, mas tecnicamente estamos falando de reservatórios de amortecimento ou detenção de cheias.
A lógica é relativamente simples.
Durante uma chuva intensa, em vez de toda a água chegar praticamente ao mesmo tempo aos trechos críticos do Ribeirão Quilombo, parte desse volume é temporariamente armazenada.
Depois, a água é liberada de maneira controlada.
O objetivo é reduzir o pico da cheia.
O projeto original fez simulações hidráulicas específicas. Para o QL-1, por exemplo, foram analisados diferentes volumes e seus efeitos sobre as vazões a jusante.
Ou seja:
NÃO ERA UM DESENHO GENÉRICO DE “FAZER UM BURACO PARA GUARDAR ÁGUA”.
Havia modelagem hidráulica.
💰 E QUANTO CUSTARIA?
Aqui aparece outro capítulo importante.
O Plano Diretor de Macrodrenagem possui um capítulo específico chamado “Estimativa preliminar de custos e benefícios” e anexos com orçamento de reservatórios e canais. Portanto, existiram estimativas econômicas para as intervenções.
Mas esses valores são do início dos anos 2000 e não podem ser simplesmente apresentados hoje como custo atual da obra.
Seria necessário atualizar projetos, desapropriações, licenciamento ambiental, movimentação de terra, estruturas hidráulicas, urbanização, preços da construção e condições atuais de ocupação.
Porém, encontramos algo ainda mais interessante.
💰 R$ 20 MILHÕES PARA O QL-01 APARECEM EM REGISTRO FEDERAL DE 2010
Uma portaria do Ministério das Cidades de 2010 relaciona Sumaré entre intervenções de manejo de águas pluviais e registra:
“Reservatório de amortecimento de cheias (Bacia de detenção QL-01)(100%) no Ribeirão Quilombo” — R$ 20 milhões.
Esse dado exige uma investigação própria.
O QUE ACONTECEU COM O QL-01?
O projeto chegou a ser contratado?
Os R$ 20 milhões chegaram a ser empenhados?
Houve convênio?
Projeto executivo?
Licenciamento?
Desapropriação?
A verba foi cancelada?
O Município perdeu prazo?
O Estado não executou?
O projeto foi substituído?
Onde estão os documentos dessa obra?
⚠️ E EXISTE ATÉ DECISÃO JUDICIAL COBRANDO A FALTA DE SOLUÇÃO DEFINITIVA
Outro documento encontrado pelo Portal Auge1 torna a situação ainda mais séria.
Em processo envolvendo enchentes do Ribeirão Quilombo, o Tribunal de Justiça de São Paulo registrou que obras provisórias realizadas pelo Município — como limpeza, desassoreamento, elevação de taludes e abertura de valas — haviam se mostrado insuficientes para solucionar o problema.
A decisão também registra que, em uma audiência, ficou acordado que o Município buscaria junto ao DAEE informações atualizadas sobre o programa de macrodrenagem.
Segundo o acórdão, o prazo transcorreu sem os esclarecimentos, situação que o próprio julgamento classificou como “descaso e inércia do Município”.
Isso é extremamente relevante.
Porque confirma judicialmente uma diferença que o Portal Auge1 vem apontando:
DESASSOREAMENTO E LIMPEZA SÃO IMPORTANTES.
MAS NÃO SUBSTITUEM MACRODRENAGEM.
⏳ MAIS DE DUAS DÉCADAS DEPOIS, A PERGUNTA É: POR QUÊ?
Talvez essa seja a parte mais incômoda dessa história.
O problema foi diagnosticado.
Os pontos de inundação foram identificados.
Os reservatórios foram estudados.
Cinco foram previstos para Sumaré.
Existiram estudos hidráulicos.
Existiram estimativas de custos.
O Plano Diretor municipal voltou a reconhecer a necessidade das estruturas.
E existe até registro federal, em 2010, de R$ 20 milhões para o QL-01.
Enquanto isso, em 2026, famílias continuam convivendo com o Ribeirão Quilombo entrando novamente nas áreas urbanizadas.
QUANTAS GESTÕES PASSARAM POR SUMARÉ DESDE 2002?
E quantas transformaram os reservatórios em prioridade efetiva?
Essa responsabilidade não pode ser colocada exclusivamente sobre a atual administração.
O abandono atravessa diferentes governos municipais.
Mas a atual gestão recebeu o problema, os estudos e o histórico.
E agora recebe também uma pergunta objetiva:
VAI EXECUTAR, ATUALIZAR OU ABANDONAR DEFINITIVAMENTE O PLANO DOS CINCO RESERVATÓRIOS?
🚧 PISCINÕES PODEM REDUZIR AS ENCHENTES — MAS NÃO EXISTE PROMESSA DE “ZERAR” O RISCO
Também precisamos ser tecnicamente rigorosos.
Não seria correto publicar que os cinco reservatórios “eliminariam as enchentes”.
A publicação técnica de 2026 afirma que, se todos os 13 reservatórios previstos para a bacia fossem concluídos, eles armazenariam aproximadamente 4,66 milhões de metros cúbicos de água, reduzindo as ondas de pico e minimizando os problemas de inundação.
E existe uma comparação difícil de ignorar:
DOS 13 RESERVATÓRIOS PREVISTOS PARA A BACIA, APENAS DOIS FORAM CONSTRUÍDOS.
Os dois ficam em Hortolândia.
O diagnóstico mais recente ainda aponta que, das 11 áreas restantes, 10 não apresentavam problemas de uso e ocupação do solo que inviabilizassem sua execução.
Portanto, depois de mais uma enchente, talvez Sumaré não precise começar procurando uma nova solução.
PRIMEIRO PRECISA EXPLICAR POR QUE NÃO EXECUTOU A QUE JÁ ESTAVA ESTUDADA.
Porque assistência depois da enchente é obrigação.
Limpar o rio é necessário.
Desassorear onde tecnicamente indicado é importante.
Mas política pública de prevenção é impedir que a próxima chuva produza novamente as mesmas imagens.
E, depois de mais de duas décadas, a população merece saber:
ONDE ESTÃO OS CINCO RESERVATÓRIOS DE SUMARÉ?
#Sumaré #RibeirãoQuilombo #Piscinões #Reservatórios #Macrodrenagem #Enchentes #Alagamentos #QL01 #Tijuco #Anhanguera #Jatobá #Jacuba #Guaíra #VilaDiva #JardimPrimavera #DefesaCivil #DAEE #SPÁguas #ComitêsPCJ #PlanoDiretor #PlanejamentoUrbano #Infraestrutura #ObrasPúblicas #Prevenção #PrefeituraDeSumaré #Fiscalização #Transparência #Auge1 #PortalAuge1 #JornalismoInvestigativo #RMC
Fonte: Portal Auge1; Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia do Ribeirão Quilombo; Revisão do Plano Diretor de Sumaré 2019–2039; DAEE; Comitês PCJ; publicação técnica Ribeirão Quilombo – O desafio de trazer a vida de novo (2026); Portaria MCid nº 534/2010; Tribunal de Justiça de São Paulo.
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