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🥩 CARNE FICA MAIS BARATA NOS SUPERMERCADOS: QUEDA NAS EXPORTAÇÕES AUMENTA OFERTA NO BRASIL E DERRUBA PREÇOS

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Foto de Divulgação

Acém caiu 3,90% em julho, enquanto alcatra, coxão mole, contrafilé, patinho e filé-mignon também ficaram mais baratos; redução das exportações ajuda a explicar movimento no mercado interno

Depois de meses em que o preço da carne pesou no orçamento das famílias, alguns dos principais cortes bovinos registraram queda nos supermercados paulistas em julho.

O movimento está relacionado, segundo análise da Associação Paulista de Supermercados (APAS), à desaceleração das exportações brasileiras de carne bovina.

A lógica é relativamente simples:

SE MENOS CARNE SAI DO BRASIL, MAIS PRODUTO FICA DISPONÍVEL NO MERCADO INTERNO.

Com maior oferta, cresce a possibilidade de pressão para baixo sobre os preços pagos pelo consumidor.

Os dados são do Índice de Preços de Supermercados (IPS), elaborado mensalmente pela APAS em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE).

ACÉM LIDERA QUEDA

Entre os cortes bovinos analisados, o acém apresentou a maior redução em julho: 3,90%.

Também ficaram mais baratos:

  • Acém: -3,90%
  • Alcatra: -2,77%
  • Coxão mole: -2,45%
  • Contrafilé: -1,76%
  • Patinho: -1,39%
  • Filé-mignon: -1,30%

A redução alcançou, portanto, desde cortes mais populares até carnes tradicionalmente mais caras.

Para o consumidor, é um movimento importante depois de períodos de forte pressão dos alimentos sobre o orçamento doméstico.

MENOS CARNE SAINDO DO PAÍS

A explicação apresentada pela APAS passa pelo comércio exterior.

Depois de um primeiro semestre marcado por sucessivos recordes, as exportações brasileiras de carne bovina perderam força em julho.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior citados pela entidade, as vendas externas atingiram aproximadamente US$ 1,4 bilhão no mês, redução de 21% em comparação com junho.

E a China aparece no centro dessa mudança.

CHINA REDUZ RITMO E MERCADO BRASILEIRO SENTE EFEITO

Segundo a APAS, no início de julho o Brasil atingiu a cota anual de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina estabelecida pelo governo chinês para importação sem tarifa adicional.

Ultrapassado esse limite, o volume excedente passou a enfrentar tarifa adicional de 55% para entrar no mercado chinês.

Na prática, exportar determinados volumes para a China tornou-se menos atrativo.

E quando a saída diminui, parte dessa produção permanece disponível para outros destinos — inclusive o mercado brasileiro.

O QUE É PROBLEMA PARA O EXPORTADOR PODE VIRAR ALÍVIO PARA O CONSUMIDOR.

É justamente essa conexão entre exportação, disponibilidade doméstica e preço que a APAS identifica nos números de julho.

MAS ISSO SIGNIFICA QUE A CARNE CONTINUARÁ CAINDO?

Não necessariamente.

Preço de carne não depende apenas da China.

Produção, custo da alimentação animal, preço do boi, oferta de animais para abate, câmbio, demanda doméstica, exportações para outros mercados, logística e comportamento do varejo também influenciam aquilo que chega à etiqueta do supermercado.

Portanto, os números de julho mostram uma queda concreta naquele mês, mas não garantem que os preços continuarão recuando nos meses seguintes.

Esse acompanhamento será fundamental.

CARNE SUÍNA CAIU AINDA MAIS NO ANO

O consumidor também encontrou redução importante em outra proteína.

Entre janeiro e julho de 2026, a carne suína acumulou queda de 8,11%, segundo o IPS.

Alguns cortes tiveram redução de dois dígitos.

O pernil com osso caiu 13,52%, enquanto o lombo com osso recuou 10,16%.

São reduções expressivas para produtos presentes frequentemente na alimentação das famílias.

“UM RESPIRO PARA O BOLSO”

Para Edevaldo Retondo, diretor regional da APAS em Campinas, os números demonstram como mercado internacional e supermercado brasileiro estão diretamente relacionados.

Segundo ele, quando as exportações desaceleram, aumenta a disponibilidade doméstica e isso pode resultar em preços mais acessíveis.

O dirigente considera a redução um “respiro importante” para o consumidor, especialmente em cortes cotidianos, como acém e alcatra.

A PERGUNTA AGORA É: A QUEDA VAI CHEGAR INTEIRA AO CONSUMIDOR?

Esse será o próximo ponto a acompanhar.

Porque redução de preços medida nos supermercados é uma coisa.

Perceber efetivamente essa redução na compra semanal é outra.

O comportamento dos preços em agosto e setembro mostrará se julho representou apenas uma correção pontual ou o início de uma tendência mais prolongada.

Para o consumidor, entretanto, os números de julho trazem uma notícia positiva:

DEPOIS DE TANTA PRESSÃO NO CARRINHO, ALGUNS DOS PRINCIPAIS CORTES DE CARNE FINALMENTE RECUARAM.

E existe uma ironia econômica interessante nesse movimento.

Durante períodos de exportações aquecidas, vender carne para o exterior é excelente para a balança comercial e para a cadeia produtiva — mas uma demanda internacional muito forte pode disputar produto com o consumidor brasileiro.

Quando essa demanda externa diminui, ocorre o movimento contrário.

SOBRA MAIS CARNE AQUI DENTRO.

E, pelo menos em julho, isso ajudou a colocar pressão para baixo nas etiquetas dos supermercados paulistas.

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Fonte: APAS – Associação Paulista de Supermercados, com dados do Índice de Preços de Supermercados (IPS/APAS-FIPE) e informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

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