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🌧️ “CADÊ O ORÇAMENTO BILIONÁRIO?”: PEDIDO DE DOAÇÕES APÓS ENCHENTES GERA COBRANÇAS À PREFEITURA DE SUMARÉ

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💰 Município tem orçamento de R$ 1,81 bilhão em 2026, estrutura própria de Defesa Civil e Assistência Social e lei municipal que prevê benefícios às famílias em situação de calamidade; vídeo da primeira-dama pedindo ajuda à população provocou questionamentos nas redes

O pedido de solidariedade feito pela primeira-dama de Sumaré, após os graves alagamentos registrados na cidade, acabou provocando uma segunda discussão entre moradores: até onde vai a solidariedade da população e onde começa a obrigação do Poder Público?

Depois das fortes chuvas que atingiram Sumaré entre quinta-feira (10) e sexta-feira (11), o Fundo Social de Solidariedade iniciou uma campanha para arrecadação de roupas, calçados, alimentos não perecíveis, materiais de higiene e limpeza, além de itens de cama, mesa e banho.

A mobilização é importante para ampliar rapidamente a ajuda às famílias. Mas a repercussão do vídeo da primeira-dama mostrou que parte da população passou a questionar por que um município com orçamento superior a R$ 1,8 bilhão precisa recorrer aos moradores para itens básicos destinados às vítimas de uma emergência.

E os documentos oficiais ajudam a colocar essa discussão em perspectiva.

💰 SUMARÉ TEM ORÇAMENTO DE R$ 1,81 BILHÃO EM 2026

A Lei Orçamentária Anual de Sumaré para 2026 foi elaborada com previsão de R$ 1.810.961.185,75 em receitas municipais. A LOA foi aprovada pela Câmara Municipal no final de 2025.

Ou seja, a discussão não deve ser apresentada como uma escolha entre “doação da população ou nenhuma assistência”.

O Município possui orçamento próprio e órgãos públicos responsáveis justamente pela proteção social e pela resposta a situações emergenciais.

🚨 DEFESA CIVIL TEM ORÇAMENTO PRÓPRIO

A documentação da LOA 2026 mostra que a unidade da Defesa Civil de Sumaré possui orçamento previsto de aproximadamente R$ 790,8 mil neste exercício.

O próprio Fundo Social de Solidariedade aparece no orçamento municipal com previsão de R$ 62 mil.

Há ainda uma estrutura muito maior dentro da política municipal de assistência.

O Fundo Municipal de Assistência Social possui programação orçamentária de aproximadamente R$ 44,8 milhões em 2026, distribuída entre diferentes ações e serviços socioassistenciais. Isso não significa que todo esse dinheiro esteja disponível para vítimas das enchentes, mas demonstra que existe uma estrutura pública permanente destinada à assistência social.

⚖️ LEI DE SUMARÉ PREVÊ BENEFÍCIO EM CASO DE CALAMIDADE

Há um ponto ainda mais relevante.

Em 11 de junho deste ano, o próprio Município sancionou a Lei Municipal nº 7.655/2026, que instituiu os chamados Benefícios Eventuais dentro da Política Municipal de Assistência Social.

O artigo 2º estabelece que esses benefícios são destinados a cidadãos e famílias em situação de vulnerabilidade em quatro hipóteses:

nascimento, morte, vulnerabilidade temporária e calamidade pública.

E a própria legislação estabelece que a assistência pode ocorrer através de dinheiro, bens de consumo ou prestação de serviços.

Portanto, existe instrumento jurídico municipal para que o Poder Público atue diretamente diante de famílias atingidas por situações dessa natureza.

🏛️ PREFEITURA JÁ POSSUÍA PLANO PARA ENCHENTES E DESASTRES

Outro documento oficial torna a cobrança ainda mais pertinente.

Em dezembro de 2025, a Prefeitura publicou ato instituindo a Operação Chuvas de Verão 2025/2026 e o Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil.

No próprio documento, o Município reconheceu que, em situações de desastre, as atividades de primeiro atendimento são responsabilidade do governo municipal e determinou que os órgãos da Administração colocassem meios e recursos à disposição do sistema de Defesa Civil.

Em janeiro deste ano, a Defesa Civil também realizou reunião para avançar na elaboração do Plano de Contingência municipal especificamente para emergências como enchentes, alagamentos e calamidades públicas.

Isso significa que enchentes não constituem uma situação completamente imprevisível para a Administração.

🌊 CERCA DE 100 IMÓVEIS FORAM ATINGIDOS

A dimensão do temporal também não foi pequena.

Sumaré registrou aproximadamente 200 milímetros de chuva em 72 horas, segundo informações divulgadas neste sábado.

Na sexta-feira, aproximadamente 100 residências haviam sido atingidas pelos alagamentos, e houve necessidade de resgates com barco.

Levantamento divulgado neste sábado apontou ainda 15 moradores desalojados no município.

Portanto, há uma situação concreta que exige resposta emergencial do Município.

📱 PEDIDO DE DOAÇÕES PROVOCA REAÇÃO

Nos comentários da publicação, moradores passaram a questionar prioridades orçamentárias da Administração e citaram gastos com publicidade, festas, shows, praças e outras ações do governo.

Entre as manifestações publicadas estão questionamentos como:

“Como assim nós munícipes temos que doar???? Cadê o orçamento bilionário da cidade?”

Outro comentário cobra:

“E as obras pra corrigir este problema crônico?”

Também aparecem manifestações relacionando os alagamentos ao pagamento do IPTU e cobrando investimentos estruturais para evitar a repetição do problema.

Os comentários representam opiniões dos usuários das redes sociais e não comprovam, por si só, irregularidade na aplicação dos recursos públicos.

Mas revelam uma cobrança política que merece resposta objetiva da Administração.

🤝 DOAÇÃO É SOLIDARIEDADE — MAS NÃO SUBSTITUI RESPONSABILIDADE PÚBLICA

É importante separar duas questões.

Não existe problema em o Fundo Social pedir doações. A participação voluntária da sociedade pode aumentar a quantidade de roupas, alimentos, móveis, materiais de limpeza e outros produtos disponíveis imediatamente às famílias.

O que precisa ser esclarecido é se essa campanha funciona como complemento à assistência financiada pelo Município ou se itens essenciais estão dependendo prioritariamente das doações.

São situações completamente diferentes.

A família que perdeu móveis, alimentos e objetos pessoais numa enchente não deve ficar sem assistência simplesmente porque determinada campanha recebeu poucas doações.

A legislação municipal prevê benefícios eventuais e existe estrutura orçamentária pública para políticas de assistência, além da atuação da Defesa Civil.

❓ QUANTO A PREFEITURA ESTÁ COLOCANDO DO PRÓPRIO ORÇAMENTO?

É justamente aí que surge a principal pergunta que o Portal Auge1 pode encaminhar oficialmente à Prefeitura:

Além das doações solicitadas à população, quanto de recurso público municipal foi disponibilizado diretamente para atender as famílias atingidas pelas enchentes?

E há outras respostas necessárias: quantas famílias estão cadastradas; quais benefícios da Lei nº 7.655/2026 estão sendo concedidos; se haverá auxílio em dinheiro, bens ou serviços; quanto já foi empenhado para a emergência; quais dotações estão sendo utilizadas; qual o saldo atual destinado à Defesa Civil; e quais obras estruturais estão previstas para os bairros que historicamente sofrem com alagamentos.

A solidariedade de Sumaré pode — e deve — continuar.

Mas solidariedade da população e responsabilidade do Poder Público não são conceitos concorrentes.

A primeira é voluntária.

A segunda é dever institucional.

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Fonte: Câmara Municipal de Sumaré, Diário Oficial do Município, LOA 2026, Lei Municipal nº 7.655/2026, Defesa Civil e informações públicas sobre os alagamentos registrados em Sumaré.

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