Esportes
Conselho aprova avanço da SAF e Ponte Preta dá mais um passo rumo à transformação do futebol
A Ponte Preta avançou mais uma etapa no processo de transformação do departamento de futebol em SAF (Sociedade Anônima do Futebol). Em reunião realizada na noite desta quarta-feira (17), o Conselho Deliberativo aprovou a continuidade do projeto, que agora seguirá para apreciação dos associados em Assembleia Geral.
Ao todo, 128 conselheiros participaram da sessão realizada no Salão Nobre do Estádio Moisés Lucarelli. Após debates e esclarecimentos sobre o modelo, 108 votaram favoravelmente à sequência do processo, enquanto 20 se posicionaram contra.
Com a aprovação, o próximo passo previsto no estatuto da Macaca será a convocação de uma Assembleia Geral de Sócios. A expectativa é que cerca de 850 associados tenham direito a voto na reunião que decidirá sobre a constituição da SAF.
Antes da votação, conselheiros discutiram detalhes do projeto e tiraram dúvidas com integrantes da mesa diretora e representantes da diretoria executiva do clube.
Comissão acompanhará próximas etapas
Durante a reunião, também foi criada uma comissão composta por seis integrantes, que ficará responsável por conduzir os próximos passos da implementação e regulamentação da SAF.
Entre as primeiras medidas previstas está a contratação de uma auditoria independente para mapear a situação financeira da Ponte Preta. O levantamento deverá identificar o tamanho das dívidas nas esferas cível, trabalhista e tributária e servirá de base para a construção das etapas seguintes do projeto.
Processo ocorre em meio à crise financeira
A discussão sobre a SAF acontece em um momento de forte instabilidade financeira vivida pelo clube. Nos últimos meses, a Ponte Preta enfrentou atrasos salariais, protestos da torcida e dificuldades para equilibrar as contas.
Tanto a diretoria quanto o Conselho Deliberativo têm reforçado que a aprovação da SAF não significa, neste momento, a venda do futebol pontepretano para investidores. A proposta inicial é apenas constituir a empresa para, posteriormente, avaliar possíveis oportunidades de parceria.
Nos bastidores, um dos patrocinadores da Macaca já demonstrou interesse em participar de uma eventual estrutura empresarial. Apesar disso, dirigentes afirmam que não existe nenhuma proposta oficial em análise.
Implementação ainda depende dos sócios
A aprovação do Conselho não representa a adoção imediata do modelo de SAF. O processo ainda precisa passar pela Assembleia Geral, que reunirá sócios e conselheiros em uma nova votação.
Somente após a conclusão dessas etapas a Ponte Preta poderá avançar na estruturação definitiva da empresa e discutir a entrada de eventuais parceiros ou investidores no projeto.
Ponte Preta é excluída de programa da CBF e terá que devolver dinheiro à entidade
A crise financeira da Ponte Preta ganhou mais um capítulo nesta semana. Em decisão inédita publicada nesta terça-feira (16), a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) determinou a exclusão do clube do Programa de Apoio à Reestruturação Financeira de Clubes da Série B (PARF-B) por causa de atrasos salariais e pendências trabalhistas.
Segundo o órgão responsável por fiscalizar o cumprimento das regras de fair play financeiro no futebol brasileiro, a Macaca acumula débitos superiores a 60 dias com atletas, integrantes da comissão técnica e funcionários, além de pendências relacionadas ao FGTS e ao INSS.
A decisão foi aprovada por unanimidade pela Turma 02 de Julgamento da ANRESF em sessão realizada na última segunda-feira.
Com a exclusão, a Ponte perde os benefícios oferecidos pelo programa criado em parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para auxiliar os clubes da Série B nos custos de deslocamento durante a competição.
De acordo com a regulamentação, a manutenção no programa estava condicionada ao cumprimento das obrigações financeiras por parte dos participantes.
Ponte Preta terá de reembolsar despesas
Além da exclusão, a decisão determina que a Ponte Preta devolva os valores já custeados pela CBF por meio do programa desde o início da Série B.
Na prática, a entidade seguirá organizando a logística das viagens do clube por intermédio de sua agência parceira, mas passará a enviar mensalmente as despesas para reembolso.
Segundo a decisão, a Ponte terá prazo de dez dias para efetuar os pagamentos após o recebimento das cobranças.
“O não pagamento sujeita o clube à retenção de quotas de transmissão ou premiação e às demais sanções previstas na regulamentação aplicável”, destaca o documento.
Possibilidade de retorno
A ANRESF informou que a exclusão não impede um retorno futuro da Ponte ao programa. Para isso, o clube precisará regularizar as pendências financeiras apontadas pela agência.
A situação vinha sendo acompanhada pelo órgão desde abril, quando foram solicitados relatórios e documentos relacionados ao pagamento de salários e encargos trabalhistas.
A Ponte Preta ainda não se manifestou oficialmente sobre o ocorrido.
Crise financeira
A punição ocorre em meio ao agravamento da crise financeira vivida pela Ponte Preta. O clube enfrenta atrasos salariais desde 2025 e convive com protestos da torcida, mudanças no departamento de futebol e dificuldades para equilibrar as contas.
Nesta quarta-feira, o Conselho Deliberativo da Macaca também irá analisar a proposta de constituição da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), tema que tem sido apontado pela diretoria como uma alternativa para buscar novos investimentos e reorganizar as finanças da instituição.
Ponte Preta x Cuiabá, Série B (Foto: Marcos Ribolli)
Padaria cobra mais de R$ 53 mil da Ponte Preta na Justiça; entenda
Uma padaria de Campinas entrou na Justiça contra a Ponte Preta cobrando uma dívida de R$ 53.280,14 por serviços de fornecimento de alimentos ao clube.
Segundo o processo, o débito se refere principalmente ao fornecimento de pães e outros itens alimentícios desde maio de 2025.
Padaria diz que tentou acordo amigável
Na ação judicial, a defesa do estabelecimento afirma que a empresa sempre atendeu às solicitações da Ponte de maneira eficiente, mas que o clube deixou de cumprir os pagamentos.
“A requerente forneceu alimentação, sobretudo pães, para consumo da requerida (…) porém a requerida não cumpriu com o pagamento como devido, desde maio de 2025”, diz trecho do processo.
A padaria também informou à Justiça que tentou resolver a situação amigavelmente antes de entrar com a ação.
Segundo os advogados, a Ponte foi notificada sobre a inadimplência, mas permaneceu “inerte” sem apresentar proposta de pagamento.
O último andamento do caso ocorreu em 6 de maio, quando o processo foi transferido da 5ª Vara Cível para a 1ª Vara Regional Empresarial e de Conflitos relacionados à Arbitragem.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Campinas e região por meio do WhatsApp do acidade on Campinas: (19) 97159-8294.
LEIA MAIS: Ponte Preta é goleada pelo Londrina no Moisés Lucarelli e se torna vice-lanterna da Série B
Ponte Preta x Londrina; Série B; Pottker — Foto: Marcos Ribolli
Ponte admite crise financeira
Em entrevista à EPTV/Globo Esporte, o diretor jurídico da Ponte, José Henrique Specie, reconheceu a situação financeira delicada do clube.
“Todos sabem da situação complicada que a Ponte vive financeiramente. Infelizmente não conseguimos honrar acordos com alguns fornecedores e parceiros”, afirmou.
Segundo ele, o clube tenta buscar um acordo que seja viável para ambas as partes.
Estádio Moisses Lucarelli, casa da Ponte Preta (Foto: Divulgação/PMC)
Crise atinge jogadores e funcionários
A Ponte Preta enfrenta uma grave crise financeira desde 2025, com atrasos salariais recorrentes envolvendo jogadores, funcionários e prestadores de serviço.
As pendências atingem atletas remanescentes da temporada passada, reforços contratados em 2026 e até jogadores emprestados por outros clubes.
O executivo de futebol João Brigatti afirmou recentemente que também enfrenta atrasos e está há mais de 11 meses sem receber salários.
Protestos e transfer ban
A crise interna já provocou protestos do elenco. Em duas ocasiões, os jogadores decidiram não participar da concentração antes de partidas da Campeonato Brasileiro Série B.
O episódio mais recente aconteceu antes da goleada sofrida por 4 a 1 para o Londrina, no estádio Moisés Lucarelli.
Além disso, o clube sofreu punições de transfer ban na CNRD e também na FIFA.
Outro episódio recente da crise envolveu uma discussão entre o atacante Bryan Borges, artilheiro da equipe na temporada, e o diretor de futebol e vice-presidente Marco Antonio Eberlin.
Após o bate-boca, Bryan foi afastado do elenco e a tendência é que não volte a atuar pelo clube. Antes dele, o zagueiro David Braz e o volante Rodri Saravia já haviam pedido desligamento da equipe.
LEIA TAMBÉM: Emdec multa 784 motoristas em shoppings de Campinas; veja infrações
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