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Estado SP

🚨 MÃE COLOCA GRAVADOR NA MOCHILA E DENUNCIA MAUS-TRATOS CONTRA CRIANÇA AUTISTA EM ESCOLA MUNICIPAL DE SANTOS

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Imagem Pública Internet

Áudios teriam registrado humilhações, ironias e ordens para que menino batesse a cabeça na parede; profissional foi afastada após denúncia

Um caso que provoca indignação e levanta um alerta sobre a inclusão de alunos com deficiência na rede pública de ensino está sendo investigado em Santos, no litoral paulista.

A mãe de uma criança de 8 anos diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) denunciou à Polícia Civil supostos maus-tratos praticados por uma profissional que atuava em uma escola municipal da cidade.

Segundo a denúncia, a mulher teria mandado o menino bater a cabeça contra a parede, além de praticar atitudes consideradas humilhantes e incompatíveis com a função de apoio educacional.

As suspeitas surgiram após a mãe perceber mudanças no comportamento do filho.

Mudança de comportamento despertou suspeitas

De acordo com o boletim de ocorrência, a mãe começou a notar que a criança apresentava sinais de medo, inquietação e resistência para frequentar a escola.

O menino, que é autista não verbal, passou a demonstrar comportamentos incomuns antes de sair de casa para as aulas.

Preocupada com a situação e sem conseguir compreender exatamente o que estava acontecendo dentro da unidade escolar, a mãe decidiu tomar uma medida extrema.

Ela colocou um gravador de voz dentro da mochila da criança.

O que ouviu depois, segundo relatou à polícia, foi assustador.

Áudios teriam registrado humilhações

Segundo a denúncia, os registros de áudio revelariam situações em que a profissional:

  • imitava a forma como a criança se expressava;
  • ironizava o aluno;
  • demonstrava impaciência constante;
  • mandava o menino dormir repetidamente;
  • e, em um dos momentos relatados, teria orientado a criança a bater a cabeça contra a parede.

A mãe acredita que o comportamento da profissional tinha como objetivo afastar o aluno das atividades realizadas em sala de aula.

“Ela mandava meu filho dormir várias vezes. Eu acredito que era para ele não atrapalhar as atividades dos outros alunos”, relatou a mãe às autoridades.

Profissional atuava no atendimento inclusivo

O caso ocorreu na Unidade Municipal de Ensino Professor Waldery de Almeida, localizada no bairro Santa Maria, em Santos.

Após a repercussão da denúncia, a Secretaria Municipal de Educação (Seduc) informou que a profissional citada não exercia a função de professora.

Segundo a administração municipal, ela atuava como Profissional de Apoio Escolar Inclusivo (PAEI), função destinada justamente ao acompanhamento de estudantes da Educação Especial.

A Prefeitura informou ainda que a profissional foi desligada da unidade após o conhecimento dos fatos.

Inclusão exige preparo e humanidade

O episódio reacende um debate importante sobre a formação, capacitação e fiscalização dos profissionais responsáveis pelo atendimento de alunos com deficiência.

A legislação brasileira é clara ao garantir o direito à inclusão escolar.

A Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e a Política Nacional de Educação Especial asseguram que crianças com deficiência devem receber atendimento adequado, digno e respeitoso.

Mas especialistas alertam que inclusão não se resume à matrícula.

Ela exige:

  • acolhimento;
  • qualificação profissional;
  • acompanhamento pedagógico;
  • respeito às particularidades de cada estudante;
  • e proteção integral contra qualquer forma de violência física ou psicológica.

Prefeitura diz que adotou protocolo de acolhimento

Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Educação informou que tomou conhecimento da denúncia por meio dos responsáveis pela criança.

Segundo a prefeitura, foram adotadas medidas imediatas para acolher a família e encaminhar o caso aos setores responsáveis pela apuração.

A administração municipal afirma que acompanha as investigações e adotará as providências cabíveis conforme o avanço das análises.

O silêncio de quem não consegue falar

Talvez o aspecto mais impactante deste caso seja justamente o fato de envolver uma criança autista não verbal.

Muitas vezes, alunos com limitações na comunicação dependem exclusivamente da observação dos pais, familiares e profissionais para que sinais de sofrimento sejam identificados.

Foi a mudança de comportamento do menino que despertou a atenção da mãe.

E foi sua insistência em buscar respostas que levou à descoberta dos fatos denunciados.

Um alerta para todas as famílias

Independentemente do resultado final das investigações, o caso reforça a importância da participação ativa das famílias na vida escolar das crianças.

Mudanças bruscas de comportamento, medo repentino da escola, crises emocionais frequentes ou resistência incomum em frequentar determinados ambientes podem ser sinais de que algo não está bem.

A investigação agora deverá esclarecer o conteúdo dos áudios, ouvir testemunhas e apurar eventuais responsabilidades.

Mas uma questão já está posta.

Nenhuma criança — especialmente aquelas em condição de maior vulnerabilidade — pode ser tratada com humilhação, desprezo ou violência dentro de um ambiente que deveria existir justamente para acolher, ensinar e proteger.

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Fonte: Boletim de Ocorrência, Secretaria Municipal de Educação de Santos e informações divulgadas pelas autoridades responsáveis pelo caso.

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