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ASSÉDIO MORAL EM SUMARÉ: COMISSÃO DE SAÚDE OUVE EX-SERVIDORAS, MAS OITIVA SEM CEI LEVANTA DÚVIDAS SOBRE VALOR JURÍDICO
Na última quarta-feira (26), a Comissão de Saúde da Câmara de Sumaré realizou uma das reuniões mais tensas e controversas do ano. Presidida pelo vereador Dudu Lima, a comissão ouviu ex-funcionárias da saúde municipal que movem ações trabalhistas envolvendo assédio moral, perseguição política, racismo institucional, negligência e irregularidades graves dentro de unidades de saúde da cidade.
A oitiva só aconteceu após insistência dos vereadores Rodrigo Digão (secretário) e Wellington Souza (vice-presidente), uma vez que, segundo apurado pela equipe do Portal Auge1, Fernanda Nagao cobrou o presidente da comissão pela demora em assinar a aprovação das oitivas, o que permitiu ser interpretado como resistência em permitir que os depoimentos fossem iniciados.
📌 DENÚNCIAS GANHAM FORÇA APÓS FERNANDA NAGAO USAR A TRIBUNA DA CÂMARA
A primeira denúncia, apresentada pela servidora Fernanda Nagao, repercutiu fortemente após ela utilizar a tribuna da Câmara — espaço que, segundo a Constituição Federal e o Regimento Interno, deve ser resguardado pelos vereadores, que possuem obrigação legal de verificar a veracidade dos fatos narrados.
Após sua fala pública, outras servidoras se sentiram encorajadas e passaram a relatar situações semelhantes, ampliando a gravidade do caso e tornando inevitável a convocação da comissão.
🗣️ QUEM FOI OUVIDA NA OITIVA DESTA SEMANA
Foram ouvidas:
-
Fernanda Nagao
-
Zélia Rocha
-
Suzana Paixão
-
Kalinka Biagi
-
Adriana
Todas relataram situações graves envolvendo unidades de saúde da cidade, especialmente a UPA Macarenko e o Ambulatório de Especialidades.
🚨 DENÚNCIA 1 — FERNANDA NAGAO: ASSÉDIO MORAL, PRESSÃO POLÍTICA E ÁUDIOS QUE COMPROVAM CRIMES
Fernanda reforçou que sofreu assédio moral e perseguição política durante o período em que atuou na UPA Macarenko. Ela apresentou trechos de áudios, já anexados ao processo judicial (que corre em segredo de justiça), comprovando a pressão que servidores sofriam para apoiar politicamente o prefeito e autoridades da saúde.
Um trecho reproduzido aos vereadores diz:
“Infelizmente algumas pessoas vão cair. Nós estamos de olho nos face, no Instagram, pra ver quem está do lado do prefeito e do Rafael. Estamos vendo quem está compartilhando as publicações deles…”.
⚖️ ANÁLISE JURÍDICA DO ÁUDIO — QUAIS CRIMES PODEM ESTAR CONFIGURADOS?
A conduta relatada configura, em tese, graves irregularidades administrativas e crimes, incluindo:
✔ Assédio Moral (Lei 14.532/2023 + jurisprudência trabalhista)
Obrigar servidor a aderir a comportamento político é forma de coação e abuso hierárquico.
✔ Improbidade Administrativa (Lei 8.429/92 — Art. 11)
Viola princípios como moralidade, impessoalidade e legalidade.
✔ Coação no Ambiente de Trabalho (Art. 146 do Código Penal – Constrangimento Ilegal)
Forçar servidor a seguir, apoiar ou compartilhar conteúdo político.
✔ Crime Eleitoral (Art. 299 do Código Eleitoral — Coação Eleitoral / Abuso de Poder)
Mesmo fora do período eleitoral, usar cargo público para controle ou punição política configura abuso.
✔ Desvio de Finalidade – Art. 2º, Parágrafo Único, da Lei 9.784/1999
Função pública não pode ser usada como instrumento de fidelização política.
A prática relatada também viola princípios constitucionais básicos:
-
Art. 37 – Legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
-
Art. 5º, IV – Liberdade de expressão.
-
Art. 5º, II – Ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei.
✊ DENÚNCIA 2 — ZÉLIA ROCHA: PERSEGUIÇÃO E RACISMO INSTITUCIONAL
Zélia relatou ter sofrido perseguição da gestora da unidade, chegando a receber advertência por causa de seu cabelo afro.
Ela explicou que usou um turbante porque a touca descartável fornecida não servia em seu cabelo, e, mesmo assim, foi punida. Mais tarde, foi demitida sob alegação de que “não fazia o perfil da empresa”.
A acusação pode configurar:
-
Discriminação racial (Lei 14.532/2023 e Art. 20 da Lei 7.716/89)
-
Assédio moral
-
Violação das normas de igualdade no trabalho
🆘 DENÚNCIA 3 — SUZANA PAIXÃO: FALTA DE INSUMOS, NEGLIGÊNCIA E CONDIÇÕES DESUMANAS
Suzana chorou ao relatar:
-
mortes por negligência (gravíssimo)
-
falta de insumos básicos (luvas, lençóis, materiais simples)
-
funcionários sem tempo para descanso, banheiro ou alimentação
-
ambiente de repouso com um gato, sem ventilação ou ar-condicionado
Segundo ela, chegou a comprar luvas com recursos próprios.
📢 DENÚNCIA 4 — KALINKA BIAGI: PROPAGANDA POLÍTICA VELADA DENTRO DO AMBULATÓRIO
Kalinka relatou que, ao tentar marcar consultas, pacientes recebiam datas muito longas.
Funcionários, então, eram orientados a dizer:
“Procure o vereador Ray do Paraíso que ele consegue antecipar.”
Configura possível:
-
Abuso de poder político
-
Uso eleitoral da máquina pública
-
Violação do Art. 73, I e III, da Lei Eleitoral 9.504/97
-
Improbidade administrativa
Vídeos sobre o caso estão nos autos judiciais.
💬 DENÚNCIA 5 — ADRIANA: ASSÉDIO MORAL NO AMBULATÓRIO
Adriana reforçou todas as denúncias, acrescentando novos relatos de assédio e pressão psicológica.
📚 ANÁLISE — AS OITIVAS TÊM VALOR JURÍDICO?
Essa é a pergunta central.
Segundo o Regimento Interno da Câmara de Sumaré, uma Comissão Permanente (como a de Saúde):
-
pode convocar servidores e ouvir pessoas;
-
mas NÃO pode investigar profundamente sem instrumento formal específico.
Para ter valor jurídico pleno, seria necessário:
✔ um Requerimento aprovado em plenário, autorizando a investigação;
ou
✔ uma CEI (Comissão Especial de Inquérito), com poderes de investigação semelhantes aos de autoridade judicial.
⚠️ Portanto:
A oitiva da Comissão de Saúde, isoladamente, NÃO possui força investigativa oficial.
Ela tem caráter político, opinativo e consultivo, não jurídico-processual.
Isso significa:
-
❌ Não produz provas formais contra gestores
-
❌ Não obriga servidores ou secretários a comparecerem
-
❌ Não gera relatório com poder de responsabilização
-
❌ Não substitui um processo administrativo ou CEI
✔ Pode, no entanto:
-
gerar pressão política
-
contribuir para a opinião pública
-
oferecer elementos para futura abertura de CEI ou investigação formal
-
ajudar denunciantes a darem visibilidade ao caso
Mas sem instrumento formal, a oitiva pode acabar funcionando apenas como palco político.
👀 O FOCO VOLTA-SE AOS VEREADORES: HAVERÁ CEI OU TUDO ACABARÁ EM MARKETING?
Até o momento, não há requerimento aprovado em plenário e nenhuma CEI foi instaurada.
Isso levanta questionamento essencial:
A Câmara está realmente investigando, ou apenas criando narrativa política?
🗣️ RESPOSTA DO VEREADOR RODRIGO DIGÃO AO AUGE1
Procurado pela equipe do Portal, o vereador Rodrigo Digão respondeu que:
“Só se manifestará após ouvir as outras pessoas que serão convidadas.”
Seu posicionamento demonstra cautela, mas também evidencia que a comissão ainda não tem direção clara sobre qual medida formal será tomada.
📌 PRÓXIMOS PASSOS
Nas próximas semanas, devem ser convidados:
-
Secretário de Saúde Rafael Virginelli
-
Demais funcionários citados nas denúncias
-
Gestores das unidades mencionadas
Se a Câmara não abrir uma CEI, as oitivas seguirão sem poder jurídico robusto.
📰 Auge1 seguirá acompanhando todos os desdobramentos com rigor técnico e compromisso com a verdade.
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📚 FONTES
Depoimentos ouvidos na Câmara; Regimento Interno da Câmara Municipal de Sumaré; Constituição Federal; Código Penal; Lei 8.429/92; Lei Eleitoral 9.504/97; entrevistas concedidas à equipe Auge1.
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