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đ RIO CAPIVARI BAIXA EM MONTE MOR, MAS FAMĂLIAS AINDA NĂO PODEM VOLTAR PARA CASA
â ïž MunicĂpio tem orçamento de R$ 514,7 milhĂ”es em 2026, R$ 15,1 milhĂ”es previstos para AssistĂȘncia Social e R$ 8 milhĂ”es em Reserva de ContingĂȘncia; legislação municipal tambĂ©m determina que benefĂcios emergenciais sejam previstos nas leis orçamentĂĄrias
O nĂvel do Rio Capivari começou a diminuir em Monte Mor, mas a situação ainda exige atenção e as famĂlias retiradas de suas residĂȘncias por causa dos alagamentos permanecem sem autorização da Defesa Civil para retornar aos imĂłveis.
O risco neste momento nĂŁo estĂĄ relacionado apenas Ă quantidade de chuva que cai diretamente sobre Monte Mor. O Rio Capivari recebe ĂĄgua de uma extensa regiĂŁo e pode continuar sofrendo influĂȘncia das precipitaçÔes registradas a montante, incluindo municĂpios como Vinhedo, Valinhos e Campinas. A prĂłpria Defesa Civil de Monte Mor jĂĄ explicou, em episĂłdios recentes, que esse volume vindo de outras cidades mantĂ©m o rio elevado mesmo quando a chuva local diminui.
Na sexta-feira (11), o cenĂĄrio chegou a ser crĂtico: o Capivari estava aproximadamente 1,30 metro acima da cota de referĂȘncia, em situação de extravasamento. Monte Mor havia registrado 77 milĂmetros de chuva em 24 horas e 129 milĂmetros em 72 horas. Cinco famĂlias da Vila Farid Calil estavam desalojadas naquele momento.
Mas, alĂ©m do acompanhamento do nĂvel do rio, outra questĂŁo merece atenção: qual estrutura financeira o MunicĂpio possui para socorrer quem perdeu bens, teve a residĂȘncia inundada ou precisou abandonar a prĂłpria casa?
O Portal Auge1 analisou documentos orçamentårios e a legislação municipal.
đ° MONTE MOR TEM ORĂAMENTO DE R$ 514,7 MILHĂES EM 2026
A Lei Orçamentåria Anual de Monte Mor para 2026 fixou receitas e despesas em exatamente R$ 514.753.000.
Desse total, R$ 342,5 milhÔes correspondem ao Orçamento Fiscal e R$ 172,2 milhÔes ao Orçamento da Seguridade Social.
A LOA foi aprovada definitivamente pela CĂąmara Municipal em dezembro de 2025.
Isso é importante porque situaçÔes de enchentes e desastres não dependem exclusivamente de campanhas de arrecadação ou da solidariedade dos moradores.
O MunicĂpio possui orçamento, polĂticas de AssistĂȘncia Social e estrutura de Defesa Civil para responder Ă s emergĂȘncias.
đš DEFESA CIVIL TEM RESPONSABILIDADE DIRETA NA RESPOSTA
Monte Mor possui um Plano Municipal de ContingĂȘncia e Proteção â PLANCONP, coordenado pela Defesa Civil.
O prĂłprio MunicĂpio define o plano como instrumento oficial para prevenção, preparação, resposta e recuperação diante de emergĂȘncias e desastres naturais.
Entre os objetivos expressamente apresentados pela Prefeitura estĂŁo garantir assistĂȘncia Ă população, organizar resposta rĂĄpida em emergĂȘncias e assegurar assistĂȘncia humanitĂĄria em situaçÔes de emergĂȘncia ou calamidade pĂșblica.
O PLANCONP prevĂȘ ainda algo bastante objetivo: estoque de insumos emergenciais, abrigos temporĂĄrios, veĂculos, mĂĄquinas e equipamentos.
Portanto, a resposta Ă s famĂlias atingidas faz parte do planejamento institucional do MunicĂpio.
đïž ASSISTĂNCIA SOCIAL TEM R$ 15,1 MILHĂES PREVISTOS NO ORĂAMENTO
A anĂĄlise da LOA mostra que a função AssistĂȘncia Social possui R$ 15.125.100 previstos para 2026.
Isso nĂŁo significa, evidentemente, que os R$ 15,1 milhĂ”es estejam disponĂveis exclusivamente para vĂtimas de enchentes.
O dinheiro financia diferentes polĂticas, programas e serviços sociais durante todo o exercĂcio.
Mas demonstra que existe uma estrutura orçamentĂĄria pĂșblica destinada justamente Ă proteção social da população.
E hĂĄ uma legislação municipal especĂfica sobre situaçÔes emergenciais.
âïž LEI DE MONTE MOR PREVĂ BENEFĂCIOS EVENTUAIS PARA EMERGĂNCIAS
A legislação municipal que disciplina os BenefĂcios Eventuais da AssistĂȘncia Social estabelece que eles integram a Rede de Proteção Social e sĂŁo destinados ao atendimento emergencial das necessidades bĂĄsicas de sobrevivĂȘncia de pessoas e famĂlias em situação de vulnerabilidade ou risco social.
Mais importante: a prĂłpria norma determina que esses benefĂcios sejam previstos nas leis orçamentĂĄrias anuais.
A gestĂŁo, concessĂŁo e financiamento ficam sob responsabilidade do ĂłrgĂŁo municipal responsĂĄvel pela PolĂtica de AssistĂȘncia Social.
Portanto, famĂlias atingidas por enchentes nĂŁo estĂŁo diante apenas de uma questĂŁo de solidariedade.
Existe uma polĂtica pĂșblica de proteção social que precisa ser acionada quando preenchidos os requisitos legais.
đ” LOA PREVĂ R$ 8 MILHĂES EM RESERVA DE CONTINGĂNCIA
Outro nĂșmero chama atenção.
O orçamento municipal de 2026 possui R$ 8 milhĂ”es classificados como Reserva de ContingĂȘncia.
Mas é necessårio fazer uma distinção técnica importante.
Não significa que existam R$ 8 milhÔes reservados exclusivamente para enchentes ou calamidades.
A Reserva de ContingĂȘncia Ă© instrumento orçamentĂĄrio destinado principalmente ao atendimento de passivos contingentes e outros riscos e eventos fiscais imprevistos, dentro das regras da Lei de Responsabilidade Fiscal.
No caso de Monte Mor, o Anexo de Riscos Fiscais da LDO 2026, por exemplo, identificou R$ 3 milhĂ”es da reserva como providĂȘncia para eventual frustração de arrecadação.
A prĂłpria LOA, entretanto, permite que a Reserva de ContingĂȘncia seja utilizada para abertura de crĂ©ditos adicionais dentro das hipĂłteses legalmente autorizadas.
Ou seja: nĂŁo seria correto afirmar que Monte Mor possui R$ 8 milhĂ”es âpara enchentesâ, mas tambĂ©m nĂŁo seria correto ignorar a existĂȘncia desse instrumento orçamentĂĄrio quando se discute a capacidade financeira do MunicĂpio diante de situaçÔes extraordinĂĄrias.
đïž MUNICĂPIO JĂ DISTRIBUIU CESTAS, COLCHĂES E KITS EM OUTRA ENCHENTE
HĂĄ inclusive um precedente recente.
Em fevereiro deste ano, Monte Mor registrou mais de 100 milĂmetros de chuva em menos de 24 horas e aproximadamente 130 residĂȘncias foram impactadas.
Naquela ocasiĂŁo, segundo a prĂłpria Prefeitura, Defesa Civil, Guarda Municipal, Demutran e Fundo Social atuaram conjuntamente.
Foram distribuĂdos kits de limpeza, cestas bĂĄsicas, colchĂ”es, roupas e roupas de cama Ă s famĂlias atingidas. Paralelamente, o Fundo Social tambĂ©m abriu campanha para receber doaçÔes da população.
Esse episódio ajuda a demonstrar uma diferença fundamental:
a solidariedade da população pode complementar a resposta do MunicĂpio, mas nĂŁo substitui a responsabilidade do Poder PĂșblico.
đ§ïž ĂREAS DE RISCO JĂ SĂO CONHECIDAS PELO MUNICĂPIO
Os alagamentos também não atingem locais completamente desconhecidos pelo planejamento municipal.
No boletim divulgado após as chuvas desta semana, a própria Prefeitura informou, por exemplo, que o Jardim Progresso estå inserido na årea de risco de inundação MOR-06, classificada como Risco Alto (R3) pelo IPT. Cerca de 12 moradias haviam sido afetadas pelo transbordamento do Capivari naquele bairro.
TambĂ©m foram registrados problemas em outras regiĂ”es, enquanto os cĂłrregos Ăgua Choca, Aterrado e Central apresentaram pontos de transbordamento.
Isso torna necessåria uma discussão que vai além do atendimento emergencial: quanto estå sendo investido para reduzir um problema que jå estå mapeado?
đ A PERGUNTA AGORA Ă: QUANTO SERĂ DESTINADO ĂS FAMĂLIAS?
Os documentos demonstram que Monte Mor possui instrumentos legais e orçamentårios para atuar.
A questĂŁo que precisa ser esclarecida pela Prefeitura Ă© quanto efetivamente serĂĄ destinado Ă s famĂlias atingidas nesta ocorrĂȘncia.
O Portal Auge1 considera importantes respostas sobre quantas famĂlias estĂŁo desalojadas e desabrigadas; quantas residĂȘncias foram atingidas; quais benefĂcios eventuais estĂŁo sendo concedidos; quanto jĂĄ foi empenhado ou disponibilizado para assistĂȘncia emergencial; quais dotaçÔes orçamentĂĄrias estĂŁo financiando esse atendimento; quais materiais serĂŁo fornecidos diretamente pelo MunicĂpio; e quais obras estruturais estĂŁo programadas para as ĂĄreas recorrentes de inundação.
TambĂ©m Ă© necessĂĄrio esclarecer se haverĂĄ recursos municipais para auxiliar famĂlias que perderam mĂłveis, eletrodomĂ©sticos, alimentos e outros bens essenciais.
đ€ SOLIDARIEDADE AJUDA, MAS O PODER PĂBLICO TEM RESPONSABILIDADE
DoaçÔes são importantes.
Empresas, entidades e moradores podem ampliar rapidamente a capacidade de atendimento e ajudar famĂlias que perderam praticamente tudo.
Mas a vĂtima de uma enchente nĂŁo pode depender exclusivamente da quantidade de doaçÔes recebidas.
Monte Mor possui orçamento pĂșblico de R$ 514,7 milhĂ”es, R$ 15,1 milhĂ”es destinados Ă função AssistĂȘncia Social, R$ 8 milhĂ”es em Reserva de ContingĂȘncia, legislação municipal de benefĂcios eventuais e um Plano de ContingĂȘncia que prevĂȘ expressamente assistĂȘncia humanitĂĄria em emergĂȘncias e calamidades.
Enquanto o nĂvel do Capivari baixa lentamente, a prioridade imediata Ă© garantir segurança para que ninguĂ©m retorne prematuramente Ă s ĂĄreas atingidas.
Depois que a ĂĄgua baixar, entretanto, ficarĂĄ outra questĂŁo:
quanto do orçamento pĂșblico serĂĄ efetivamente colocado Ă disposição das famĂlias para que elas tambĂ©m consigam se reerguer?
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Fonte: Prefeitura de Monte Mor, CĂąmara Municipal de Monte Mor, LOA 2026, LDO 2026, PLANCONP e legislação municipal de BenefĂcios Eventuais da AssistĂȘncia Social.
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