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🏥 “Eu gostaria de me sentir segura para trabalhar”: profissionais da Saúde denunciam agressões, ameaças, assédio e racismo em Monte Mor

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Imagem Pública Internet

Audiência pública da campanha “Saúde sim, Violência Não” expôs relatos preocupantes; enfermeira afirma ter sido enforcada, jogada ao chão e ameaçada de morte durante atendimento em unidade de saúde

Profissionais que diariamente trabalham para cuidar da saúde da população estão pedindo proteção para conseguir trabalhar. Relatos de agressão física, ameaça de morte, violência verbal, assédio e até racismo marcaram a audiência pública realizada nesta terça-feira (11), na Câmara Municipal de Monte Mor.

O encontro debateu a campanha “Saúde sim, Violência Não” e foi organizado pela Comissão de Meio Ambiente, Educação, Cultura e Outros Assuntos (CMA) do Legislativo.

Durante a audiência, três profissionais da área da Saúde relataram já terem sido vítimas de diferentes formas de violência durante o exercício profissional.

Entre os depoimentos, chamou atenção o da enfermeira e servidora pública municipal Simone Barbosa, que afirma ter sido agredida dentro da própria unidade onde trabalhava.

🚨 Enfermeira relata ter sido enforcada e jogada no chão

Simone atua na Unidade de Saúde da Família (USF) Higor, na região central de Monte Mor.

Segundo seu relato, no dia 5 de maio, uma paciente que procurava atendimento pediátrico para o filho teria iniciado uma situação de violência contra a profissional.

A enfermeira afirma que sofreu agressões verbais, ameaça de morte e agressão física.

O episódio teria chegado ao ponto de a servidora ser enforcada e jogada no chão.

Após o ocorrido, a Guarda Civil Municipal foi acionada e houve registro de Boletim de Ocorrência.

Mas as consequências, segundo o depoimento apresentado durante a audiência, não terminaram naquele dia.

😢 “Eu me senti completamente desrespeitada, uma inútil”

Atualmente afastada do trabalho, Simone se emocionou ao relatar as consequências psicológicas do episódio.

“Eu me senti muito abalada, não me senti acolhida por quem deveria ter sido acolhida.”

A profissional destacou que sempre buscou exercer a enfermagem com empatia e chegou a dizer que sentiu vergonha diante da situação vivenciada.

Em outro momento, fez um relato ainda mais contundente:

“Eu me senti completamente desrespeitada, uma inútil, na verdade […] Espero, de verdade, que algo seja feito, porque está muito difícil, está muito difícil trabalhar hoje.”

Ao final, resumiu o que espera do poder público:

“Eu gostaria de me sentir segura para trabalhar.”

⚠️ Assédio também faz parte da realidade relatada

A enfermeira Maria Regiane Lavelha também afirmou durante a audiência já ter sofrido agressões durante o exercício profissional.

Segundo ela, o problema não está restrito à violência física ou psicológica.

Profissionais da Saúde, especialmente mulheres, também enfrentariam situações de assédio praticado por pacientes.

“É complicado esse mundo nosso, do trabalho da enfermagem”, relatou.

Os depoimentos colocam em discussão uma realidade muitas vezes invisível para quem está do outro lado do balcão, da recepção ou da porta de um consultório.

✊🏿 Profissional denuncia agressão e racismo

Outro relato apresentado foi o de Adriana Botelho, representante do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde de Campinas e Região (SinSaúde).

Também enfermeira, Adriana afirmou já ter sofrido agressões físicas e verbais, além de racismo, durante sua trajetória profissional.

Para ela, campanhas de conscientização são importantes, mas existe também responsabilidade de quem administra os ambientes de trabalho.

“É obrigação do empregador fornecer um ambiente tranquilo e respeitoso para os trabalhadores”, afirmou.

🏥 Profissional da Saúde também precisa ser protegido

A audiência levanta uma discussão que vai muito além de Monte Mor.

Unidades públicas de saúde naturalmente concentram pessoas em momentos de fragilidade. Existem pacientes com dor, familiares angustiados, demora no atendimento e situações de enorme tensão emocional.

Isso precisa ser compreendido e administrado.

Mas nenhuma insatisfação com o serviço público autoriza agressão contra médicos, enfermeiros, técnicos, recepcionistas ou qualquer outro trabalhador.

Problemas estruturais do sistema de saúde também não podem ser automaticamente transferidos para o profissional que está na linha de frente.

Falta de médicos, demora para consultas, ausência de medicamentos, problemas de gestão ou insuficiência de estrutura precisam ser cobrados dos responsáveis por administrá-los.

Agressão contra servidor não resolve nenhum desses problemas.

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Talvez uma das frases mais importantes de toda a audiência tenha sido também uma das mais simples:

“Eu gostaria de me sentir segura para trabalhar.”

É realmente pedir demais?

Uma enfermeira que entra em uma unidade pública para cuidar da população deveria precisar considerar a possibilidade de ser ameaçada de morte, enforcada ou jogada no chão durante seu expediente?

E existe um segundo ponto que merece atenção.

Simone não falou somente sobre a agressão. Ela afirmou não ter se sentido acolhida depois dela.

Esse relato precisa ser observado com atenção pelas autoridades municipais.

Porque proteger o trabalhador não significa apenas chamar a Guarda quando a violência já aconteceu.

É necessário discutir protocolos de prevenção, segurança das unidades, procedimentos para situações de ameaça, apoio psicológico, acompanhamento da vítima e medidas para evitar reincidências.

A campanha “Saúde sim, Violência Não” é importante.

Mas os depoimentos apresentados dentro da Câmara mostram que o problema exige mais do que slogan e conscientização.

Exige resposta.

Exige estrutura.

Exige proteção.

E exige que cada ocorrência seja devidamente apurada.

O cidadão possui todo o direito de reclamar quando o serviço público não funciona. Pode cobrar, protocolar reclamação, denunciar irregularidades e exigir explicações do poder público.

O que ninguém possui é o direito de transformar o trabalhador que está na sua frente em alvo da própria revolta.

Quando três profissionais chegam a uma audiência pública e relatam experiências envolvendo agressão, ameaça, assédio e racismo, o problema merece deixar de ser tratado como episódio isolado.

Quem cuida também precisa ser cuidado.

E quem trabalha para salvar, tratar e acolher pessoas precisa, no mínimo, ter segurança para voltar para casa depois do expediente.

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Fonte: Câmara Municipal de Monte Mor – audiência pública da campanha “Saúde sim, Violência Não”; relatos apresentados por profissionais durante o evento.

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