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Estado SP

🚨 Motorista de aplicativo é sequestrado e torturado após ser confundido com homem ligado a cobrança de dívida em Itapira

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Imagem Pública Internet

Vítima de 28 anos foi levada para uma residência, espancada com pedaço de madeira e teve arma apontada para a cabeça; dois suspeitos foram presos e Polícia Civil também apura possível esquema de agiotagem

Um motorista de aplicativo de 28 anos foi sequestrado, agredido e ameaçado de morte após ser confundido com outro homem que estaria envolvido na cobrança de uma suposta dívida em Itapira (SP).

O caso ocorreu na noite de quarta-feira (12) e terminou com dois homens presos em flagrante. A ocorrência foi confirmada pela Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP).

Segundo o boletim de ocorrência, os suspeitos acreditavam que o motorista seria a pessoa responsável por intermediar cobranças e ameaças relacionadas a uma dívida. A suspeita, entretanto, teria sido resultado de uma confusão sobre a identidade do verdadeiro envolvido.

O motorista acabou pagando violentamente por uma situação que, segundo as informações iniciais da investigação, não teria relação direta com ele.

😨 Sequestrado, espancado e ameaçado de morte

De acordo com o registro policial, a vítima foi sequestrada e levada para uma residência.

No imóvel, o motorista teria sido submetido a uma sequência de violência e intimidação.

Ele foi agredido com um pedaço de madeira e teve uma arma apontada para a cabeça enquanto era ameaçado de morte.

A violência teria sido empregada para obrigá-lo a admitir envolvimento na cobrança da dívida.

Após ser localizado, o homem foi encaminhado com ferimentos ao Hospital Municipal de Itapira, onde recebeu atendimento médico. Não foram divulgadas informações detalhadas sobre seu estado de saúde.

📱 Confusão teria começado por causa de telefone usado nas cobranças

A investigação aponta que a origem do episódio estaria relacionada a uma possível cobrança de dívida.

Segundo a Polícia Civil, uma mulher relatou que estaria sendo pressionada em uma situação envolvendo suposta agiotagem.

Ela afirmou que recebia cobranças insistentes e que outro homem teria passado a intermediar contatos e ameaças entre as partes.

Os suspeitos teriam associado o motorista ao telefone utilizado nessas comunicações e concluído que ele seria o homem envolvido nas cobranças.

A partir dessa associação, segundo a ocorrência, o motorista foi capturado.

⚖️ Delegada enquadrou caso como tortura

A ocorrência foi apresentada no plantão da Delegacia Seccional de Mogi Guaçu.

Após analisar os elementos iniciais do caso, a autoridade policial entendeu que os suspeitos teriam submetido a vítima a violência e grave ameaça com a finalidade de obter uma confissão.

A conduta foi enquadrada, em tese, como crime de tortura.

Esse ponto torna o episódio ainda mais grave juridicamente. A Lei Federal nº 9.455/1997 considera tortura, entre outras hipóteses, constranger alguém mediante violência ou grave ameaça, causando sofrimento físico ou mental, com o objetivo de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa.

Os dois suspeitos permaneceram presos à disposição da Justiça.

💰 Polícia investiga possível agiotagem

A ocorrência abriu ainda outra frente de investigação.

A Polícia Civil apura a existência de uma possível prática de agiotagem relacionada à dívida que teria originado toda a disputa.

As autoridades agora buscam esclarecer quem efetivamente realizava as cobranças, quais pessoas participaram das ameaças e por qual motivo o motorista acabou identificado pelos suspeitos como participante do caso.

Durante as diligências, três celulares e um simulacro de arma de fogo foram apreendidos.

Um dos aparelhos teria sido abandonado por um dos envolvidos dentro do veículo utilizado pelo motorista.

Além dos dois homens presos, a Polícia Civil investiga a eventual participação de outras pessoas.

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O que torna esse episódio particularmente assustador é uma circunstância:

segundo a investigação inicial, eles teriam pego a pessoa errada.

Um motorista de aplicativo saiu de sua rotina e terminou sequestrado, espancado com um pedaço de madeira e com uma arma apontada para a cabeça porque terceiros teriam associado sua identidade a um telefone e a uma cobrança de dívida.

E aqui existe uma questão que ultrapassa qualquer eventual engano.

Mesmo que a vítima fosse a pessoa procurada pelos suspeitos, ninguém possui o direito de sequestrar, espancar, torturar ou ameaçar alguém para cobrar uma dívida ou obter uma confissão.

Dívidas são discutidas pelos meios legais.

Crime é investigado pela polícia.

Responsabilidade é determinada pela Justiça.

Quando particulares decidem capturar alguém e utilizar violência para obter respostas, deixam de fazer qualquer suposta “cobrança” e passam a ser eles próprios alvo de investigação criminal.

O caso também demonstra por que a possível agiotagem precisa ser profundamente investigada. Se confirmada, será necessário descobrir toda a cadeia de pessoas envolvidas e se outras vítimas também foram ameaçadas ou submetidas a cobranças violentas.

Para o motorista de 28 anos, porém, existe uma consequência que nenhuma investigação poderá simplesmente apagar.

Ele teria sido torturado por algo que, segundo as informações iniciais, sequer havia feito.

Agora, além da responsabilização dos envolvidos, cabe à Polícia Civil descobrir como essa identificação aconteceu, quem ordenou ou participou da ação e até onde chega a disputa que terminou com um trabalhador sendo levado à força para uma residência.

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Fonte: Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP); Polícia Civil; boletim de ocorrência e informações divulgadas sobre o caso.

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