Estado SP
🚨 TARCÍSIO DEMITE DELEGADO DA CUNHA DA POLÍCIA CIVIL EM PLENA CAMPANHA ELEITORAL
Deputado federal, conhecido nacionalmente por vídeos de operações policiais nas redes sociais, recebe pena de demissão a bem do serviço público enquanto tenta renovar mandato na Câmara dos Deputados
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), demitiu o deputado federal Carlos Alberto da Cunha, conhecido como Delegado Da Cunha, dos quadros da Polícia Civil paulista.
A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira, 3 de setembro, e aplica ao parlamentar a penalidade de demissão a bem do serviço público, uma das sanções mais graves previstas na legislação disciplinar.
A medida ocorre em um momento especialmente delicado para Da Cunha: em plena campanha eleitoral de 2026, quando tenta conquistar mais um mandato de deputado federal por São Paulo.
Segundo a publicação oficial, o governo considerou procedentes acusações analisadas em processo administrativo disciplinar.
A decisão cita dispositivos relacionados a procedimento irregular de natureza grave, além de enquadramentos referentes à revelação deliberada de informações sigilosas conhecidas em razão da função, quando houver prejuízo ao poder público ou a particulares, e à prática de ato definido em lei como improbidade.
A publicação também faz referência a parecer e despacho da Assessoria Jurídica do Governo, datados de 1º de setembro, entre os documentos que fundamentaram a decisão.
DA CUNHA ESTAVA LICENCIADO DA POLÍCIA
A demissão não significa que o parlamentar estivesse exercendo normalmente as funções de delegado enquanto ocupava uma cadeira no Congresso.
Da Cunha estava licenciado da Polícia Civil em razão do exercício do mandato parlamentar.
A diferença agora é substancial: com a demissão, o vínculo funcional com a Polícia Civil paulista é rompido.
Até então, caso deixasse a vida parlamentar e preenchidas as condições legais, poderia existir a possibilidade de retorno à carreira policial. Com a aplicação da pena demissória, essa relação funcional deixa de existir.
O mandato de deputado federal, entretanto, é uma questão distinta.
A punição administrativa aplicada pelo Governo de São Paulo não representa, por si só, cassação automática de seu mandato na Câmara dos Deputados.
DELEGADO QUE VIROU FENÔMENO NAS REDES
Carlos Alberto da Cunha ganhou projeção nacional muito antes de chegar ao Congresso.
Como delegado da Polícia Civil, transformou operações e atividades policiais em conteúdo para as redes sociais, acumulando milhões de visualizações e construindo uma enorme audiência digital.
A exposição acabou se transformando também em capital político.
Em 2022, Da Cunha foi eleito deputado federal por São Paulo com mais de 181 mil votos.
Mas a mesma relação entre atividade policial, produção de vídeos e redes sociais que ajudou a projetá-lo nacionalmente também esteve no centro de questionamentos e procedimentos disciplinares.
REENCENAÇÃO DE OCORRÊNCIA ENTROU NO HISTÓRICO DE INVESTIGAÇÕES
Um dos episódios que ganhou repercussão ocorreu em 2020.
Da Cunha foi acusado de determinar que uma vítima de sequestro e um criminoso retornassem a um cativeiro já desativado para que parte da ocorrência fosse reproduzida diante das câmeras.
O então delegado admitiu que houve uma reprodução da ocorrência, sustentando finalidade investigativa.
O episódio gerou investigação e repercussão dentro da própria Polícia Civil.
É necessário fazer uma distinção jurídica importante: o processo judicial relacionado ao episódio foi arquivado em 2024.
O arquivamento na esfera judicial, entretanto, não necessariamente elimina consequências na esfera administrativa, pois processos disciplinares e processos judiciais possuem objetos, critérios e responsabilidades distintos.
POLÍCIA CIVIL JÁ HAVIA PROPOSTO SUA DEMISSÃO
A possibilidade de Da Cunha deixar os quadros da Polícia Civil não surgiu agora.
Em 2022, o Conselho da Polícia Civil já havia aprovado proposta de demissão do delegado após investigação da Corregedoria.
Naquele momento, uma das apurações envolvia suspeitas relacionadas à apresentação, nas redes sociais, da suposta prisão de um integrante do PCC.
Houve ainda outro procedimento relacionado a declarações contra integrantes da cúpula da própria Polícia Civil.
A aplicação definitiva da penalidade máxima, entretanto, dependia da decisão do governador.
Quatro anos depois, a demissão foi efetivamente determinada pelo governador Tarcísio de Freitas.
DECISÃO ACONTECE DURANTE TENTATIVA DE REELEIÇÃO
A data da decisão acrescenta um componente político importante ao caso.
Delegado Da Cunha está novamente nas urnas em 2026.
O parlamentar concorre à reeleição para deputado federal por São Paulo, com candidatura registrada e deferida pela Justiça Eleitoral.
Por isso, a demissão da Polícia Civil acontece justamente durante o período em que Da Cunha apresenta novamente seu histórico na segurança pública como parte de sua trajetória perante os eleitores.
A punição administrativa inevitavelmente deverá entrar no debate eleitoral.
Mas existe uma pergunta jurídica ainda mais importante:
a demissão a bem do serviço público pode produzir consequências sobre sua candidatura?
DEMISSÃO PODE TORNÁ-LO INELEGÍVEL?
Esse é um ponto que exige cautela.
A Lei Complementar nº 64/1990, modificada pela chamada Lei da Ficha Limpa, estabelece hipóteses de inelegibilidade relacionadas a servidores públicos demitidos em decorrência de processo administrativo ou judicial, pelo prazo previsto na legislação, salvo determinadas situações em que o ato esteja suspenso ou anulado pelo Poder Judiciário.
Isso significa que a repercussão eleitoral da decisão administrativa não deve ser tratada automaticamente como candidatura cassada ou inelegibilidade já reconhecida.
Eventuais efeitos sobre a candidatura de Da Cunha dependerão da aplicação da legislação eleitoral ao caso concreto, da situação processual da punição, de possíveis recursos e, eventualmente, de manifestação da Justiça Eleitoral.
Portanto, neste momento, são duas informações distintas:
Da Cunha foi demitido da Polícia Civil.
E sua candidatura de 2026, conforme os registros eleitorais consultados, consta como deferida.
Qualquer alteração dessa situação deverá ser determinada ou reconhecida pelos órgãos competentes.
UMA DECISÃO QUE MUDA A TRAJETÓRIA DO “DELEGADO DA CUNHA”
Independentemente dos possíveis desdobramentos eleitorais, a decisão possui forte significado político e profissional.
O nome utilizado pelo parlamentar na vida pública nasceu justamente da carreira que agora termina administrativamente.
O policial que ganhou milhões de seguidores mostrando operações nas redes sociais chegou ao Congresso carregando consigo a identificação de “Delegado Da Cunha”.
Agora, permanece deputado federal e candidato à reeleição, mas deixa oficialmente os quadros da Polícia Civil paulista após decisão administrativa do Governo do Estado.
A questão passa a ser como o episódio repercutirá na campanha.
E, principalmente, se haverá consequências jurídicas sobre sua tentativa de permanecer na Câmara dos Deputados.
O Auge1 acompanha os desdobramentos do caso e mantém espaço aberto para manifestação do deputado Carlos Alberto da Cunha e de sua defesa.
#DelegadoDaCunha #TarcísioDeFreitas #PolíciaCivil #SãoPaulo #Eleições2026 #DeputadoFederal #SegurançaPública #Política #Auge1
Fontes: Diário Oficial do Estado de São Paulo; informações públicas sobre o processo administrativo; registros eleitorais; Câmara dos Deputados e imprensa nacional.
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