Brasil
💔 EPIDEMIA SILENCIOSA: UMA MULHER É ASSASSINADA POR SER MULHER A CADA 5 HORAS E 25 MINUTOS NO BRASIL
Primeiro trimestre de 2026 registra o maior número de feminicídios da série histórica; especialistas alertam que combater esse crime exige prevenção, proteção e denúncia
O Brasil vive uma realidade alarmante. A cada 5 horas e 25 minutos, uma mulher é vítima de feminicídio — o assassinato motivado pela condição de gênero. Nos três primeiros meses de 2026, 399 mulheres foram mortas, o maior número já registrado para o período desde o início da série histórica, em 2015. O aumento foi de 7,5% em relação ao mesmo trimestre de 2025.
Mais do que estatísticas, esses números representam vidas interrompidas, famílias destruídas e crianças que, muitas vezes, ficam órfãs em consequência da violência.
Uma década de crescimento
Os dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) mostram que o problema se agravou ao longo da última década.
Em 2015, primeiro ano da série histórica, o Brasil registrou 125 vítimas de feminicídio no primeiro trimestre. Em 2026, esse número chegou a 399, mais que triplicando em dez anos.
Os meses de 2026 também revelam a persistência da violência:
- Janeiro: 142 vítimas;
- Fevereiro: 123 vítimas;
- Março: 134 vítimas.
O perigo quase sempre está perto
Um dos aspectos mais preocupantes é que, na maioria dos casos, o autor não é um desconhecido.
Levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que aproximadamente oito em cada dez feminicídios são praticados por companheiros ou ex-companheiros da vítima, evidenciando que o maior risco costuma estar dentro do ambiente doméstico ou em relações afetivas marcadas por violência e controle.
Isso reforça a importância de levar a sério sinais como ameaças, perseguições, agressões físicas, violência psicológica e descumprimento de medidas protetivas.
Quando a violência dá sinais
Especialistas afirmam que o feminicídio raramente acontece de forma repentina. Em muitos casos, ele é o desfecho de um ciclo de violência que inclui:
- controle excessivo da rotina da vítima;
- isolamento da família e dos amigos;
- ameaças constantes;
- agressões físicas e psicológicas;
- perseguição após o término do relacionamento.
Reconhecer esses sinais e buscar ajuda precocemente pode salvar vidas.
Apenas punir não basta
O crescimento dos casos tem levado especialistas a defender que o enfrentamento ao feminicídio não pode se limitar à responsabilização criminal dos autores.
Também são considerados essenciais:
- fortalecimento da rede de proteção às mulheres;
- acesso rápido a medidas protetivas;
- acolhimento psicológico e social;
- educação para prevenção da violência;
- campanhas permanentes de conscientização;
- atuação integrada entre segurança pública, saúde, assistência social e Poder Judiciário.
Denunciar pode salvar uma vida
Muitas mulheres vítimas de feminicídio sofreram agressões anteriores. Por isso, familiares, vizinhos, amigos e colegas de trabalho também têm papel fundamental ao comunicar situações de risco às autoridades.
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados por meio do Ligue 180, canal gratuito que funciona em todo o país, além das Delegacias de Defesa da Mulher, Polícia Militar (190) e demais órgãos da rede de proteção.
Não são apenas números
Cada feminicídio representa uma história interrompida.
Uma mãe que não voltará para casa.
Uma filha que teve seus sonhos interrompidos.
Uma irmã, uma amiga, uma profissional, uma mulher que teve o direito mais básico — o de viver — retirado pela violência.
Combater o feminicídio é uma responsabilidade de toda a sociedade. Romper o silêncio, denunciar, acolher as vítimas e fortalecer as políticas públicas de proteção são passos essenciais para impedir que essa estatística continue crescendo.
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Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública, Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Conselho Nacional de Justiça.
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