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Política

EUA mudam status de PCC e Comando Vermelho para grupo terroristas

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O governo dos Estados Unidos (EUA) anunciou oficialmente que vai designar as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). A decisão foi divulgada em comunicado do Departamento de Estado e passará a ter validade a partir do dia 5 de junho, após a publicação no Federal Register.

As medidas foram adotadas com base na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade (Immigration and Nationality Act) e em uma ordem executiva do presidente Donald Trump.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ressaltou a violência das duas organizações no Brasil:

“Juntas, elas comandam milhares de membros e têm orquestrado ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis. Sua influência e suas redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, alcançando toda a nossa região e também o nosso país”, declarou Rubio.

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Por que o governo brasileiro tentou evitar a medida?

Nos últimos meses, a diplomacia e o governo brasileiro vinham tentando evitar essa classificação de “organização terrorista”. A principal avaliação interna é de que a medida abre precedentes perigosos, como:

Ações militares unilaterais: Temor de intervenções ou operações dos EUA em território nacional.

Sanções econômicas: Aplicação de punições severas a setores financeiros e econômicos do Brasil que, de alguma forma, possam ter conexões indiretas com ativos das facções.

Trump e Lula se encontraram na Malásia em 2025 (Foto: Presidência da República)

Classificação como terrorismo ameaça a soberania nacional, dizem especialistas

Na avaliação de especialistas em segurança e relações internacionais, a designação do PCC e Comando Vermelho como terroristas pelos EUA representa um risco real à soberania brasileira.

Além disso, a decisão pode prejudicar os esforços de cooperação investigativa entre os dois países. Isso ocorre porque o nível de sigilo das informações compartilhadas mudaria drasticamente, centralizando os dados na CIA (Central de Inteligência dos EUA) ou em órgãos militares americanos. Essa burocratização e mudança de escopo poderiam travar investigações conjuntas em andamento.

A estratégia de Donald Trump contra o “Narcoterrorismo”

Neste novo mandato, o governo de Donald Trump vem reorientando a política externa de Washington para a América Latina. O foco principal tem sido direcionar a força militar para a região sob a justificativa de combater o “narcoterrorismo”.

Essa política já gerou ações contundentes na região recentemente:

Ações no Caribe: Forças militares dos EUA bombardearam embarcações fora de sua jurisdição sob a alegação de combate ao terrorismo.

Intervenção na Venezuela: No início do ano, uma operação que resultou na deposição do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, também foi amparada na narrativa de combate ao narcoterrorismo.

Embora o alcance dessas ações em território brasileiro ainda seja incerto, o risco de pressões externas aumentou consideravelmente.

Bastidores políticos: Reuniões entre Lula, Trump e a oposição

No início deste mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou os EUA e discutiu com Donald Trump, na Casa Branca, frentes de trabalho conjuntas para asfixiar financeiramente o crime organizado transnacional. Na ocasião, segundo o presidente brasileiro, o status específico do CV e do PCC não foi debatido.

Por outro lado, o anúncio de Marco Rubio coincidiu com uma agenda política intensa da oposição brasileira em Washington. Na última quarta-feira, Rubio se reuniu com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Um dia antes, o senador e seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, haviam sido recebidos pelo próprio Donald Trump na Casa Branca.

Flávio Bolsonaro comemora decisão dos EUA sobre PCC e Comando Vermelho: “Grande dia”

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, comemorou publicamente a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como “organizações terroristas estrangeiras”.

A inclusão dos grupos na lista de terrorismo da Casa Branca era um dos principais pleitos levados pelo parlamentar brasileiro em agendas oficiais em Washington.

Na avaliação de especialistas em segurança e relações internacionais, a designação do PCC e Comando Vermelho como terroristas pelos EUA representa um risco real à soberania brasileira. (Foto: Agência Brasil)

O bastidor da decisão em Washington

A comemoração do senador ocorre logo após uma intensa agenda política nos Estados Unidos. Nesta semana, Flávio Bolsonaro se reuniu pessoalmente com o presidente norte-americano, Donald Trump, e com o secretário de Estado, Marco Rubio, para debater o cenário da segurança pública e do crime organizado transnacional na América Latina.

Nas suas redes sociais, Flávio compartilhou a publicação oficial de Marco Rubio sobre a nova designação e disparou uma frase que ecoou entre seus apoiadores:

“Grande dia”, escreveu o senador.

A origem do bordão bolsonarista

A expressão utilizada por Flávio Bolsonaro não foi por acaso. O termo “grande dia” faz referência direta a uma publicação antiga de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que usou a frase quando o ex-deputado federal Jean Wyllys anunciou que deixaria o Brasil. Desde então, a expressão virou um dos principais bordões e memes políticos utilizados pela ala bolsonarista nas redes sociais para celebrar vitórias políticas.

Com a nova classificação feita pelos EUA, a expectativa de parlamentares da oposição é que o cerco financeiro internacional contra o PCC e o Comando Vermelho ganhe novas proporções operacionais a partir de junho.

Com agências Brasil e Estado

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