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☕ Terremoto paralisa parcialmente exportações de café da Colômbia e acende alerta no mercado mundial

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Imagem: zakokor/stock.adobe.com

Porto de Buenaventura suspende operações para inspeções após terremoto de magnitude 7,4; rotas pelo Caribe continuam funcionando, mas restrições logísticas atingem uma das principais regiões produtoras do país

O terremoto de magnitude 7,4 que devastou parte da Colômbia começa a produzir consequências que ultrapassam a tragédia humana e chegam a um dos setores mais importantes da economia colombiana: o café.

As exportações realizadas pelo porto de Buenaventura, no Oceano Pacífico, foram temporariamente suspensas enquanto são realizadas inspeções na infraestrutura portuária e avaliados deslizamentos e danos nas vias de acesso ao terminal.

A informação foi confirmada pelo gerente-geral da Federação Nacional de Cafeeiros da Colômbia (FNC), Germán Bahamón.

Apesar da interrupção em Buenaventura, a Colômbia não suspendeu todas as suas exportações de café. Os embarques continuam pelos portos de Cartagena e Santa Marta, no Caribe, permitindo que parte da produção seja escoada por rotas alternativas.

🚨 Buenaventura é peça fundamental para o café colombiano

A paralisação preocupa porque Buenaventura não é um porto secundário para o setor cafeeiro.

Dados históricos recentes da própria Federação mostram a dimensão estratégica do terminal. No acumulado de 12 meses até abril de 2025, 63,1% das exportações colombianas de café verde saíram por Buenaventura, contra 29,5% por Cartagena e 6,7% por Santa Marta.

Isso ajuda a dimensionar o tamanho do problema caso a interrupção se prolongue.

A questão não está somente dentro do porto.

Rodovias e acessos utilizados para transportar o café das regiões produtoras até Buenaventura também foram atingidos, criando dificuldades para o deslocamento da produção.

A comercializadora internacional Sucafina informou que o transporte na principal região cafeeira colombiana ficou significativamente restringido após o terremoto.

Segundo informações do mercado internacional, cargas já começam a ser redirecionadas para os terminais da costa do Caribe.

☕ Federação tenta tranquilizar mercado

Mesmo diante das dificuldades, Germán Bahamón afirmou que a capacidade exportadora colombiana permanece funcionando.

A posição da Federação é importante porque existe uma diferença entre suspensão das operações em Buenaventura e uma paralisação nacional das exportações.

Neste momento, portanto, o cenário é de interrupção parcial e problemas logísticos, e não de bloqueio completo do café colombiano.

Também não existe ainda uma estimativa oficial consolidada de quanto café deixou de ser exportado em consequência da paralisação, nem uma previsão definitiva para a normalização das operações de Buenaventura.

🌎 Colômbia é potência mundial do café

Qualquer problema prolongado no país inevitavelmente chama atenção do mercado internacional.

A Colômbia está entre os maiores produtores mundiais e possui importância ainda maior no mercado de café arábica lavado, produto valorizado internacionalmente por suas características de qualidade.

O setor também possui enorme peso social.

Centenas de milhares de famílias colombianas dependem diretamente da cafeicultura. Dados apresentados pela Colômbia à Organização Internacional do Café indicavam mais de 552 mil famílias produtoras vinculadas à atividade.

O país chegou a uma safra de aproximadamente 14,8 milhões de sacas, considerada a maior em 33 anos.

Mas 2026 já apresentava dificuldades antes mesmo do terremoto.

Dados divulgados anteriormente pela Federação apontavam queda na produção e nas exportações neste ano, relacionada principalmente às condições climáticas desfavoráveis. Em março, por exemplo, as exportações ficaram 36,4% abaixo do mesmo mês de 2025.

Agora, o terremoto acrescenta um componente imprevisível a esse cenário.

📈 E O PREÇO DO CAFÉ? BRASIL PODE SENTIR OS EFEITOS?

Este é um dos pontos que merece acompanhamento nos próximos dias.

Uma interrupção curta em Buenaventura tende a representar principalmente um problema logístico temporário.

Porém, se as inspeções revelarem danos estruturais relevantes no porto ou se rodovias fundamentais permanecerem bloqueadas por um período prolongado, o cenário muda.

A Colômbia possui peso suficiente no mercado internacional para que uma redução relevante na disponibilidade de seu café gere pressão sobre compradores e contratos.

O mercado internacional já acompanha o impacto do terremoto sobre a cadeia cafeeira colombiana, justamente porque as áreas atingidas incluem importantes regiões produtoras e uma rota responsável por parcela expressiva do escoamento da produção.

Para o Brasil, maior produtor mundial de café, o cenário merece atenção.

Uma eventual dificuldade prolongada da Colômbia pode deslocar parte da demanda internacional para outros fornecedores. Entretanto, ainda é cedo para afirmar qual será o impacto efetivo sobre preços ou exportações brasileiras.

🚨 Terremoto já deixou centenas de mortos

A questão econômica ocorre em meio a uma tragédia de proporções muito maiores.

O terremoto atingiu o oeste colombiano na segunda-feira (10), com epicentro na região de Chocó, provocando destruição em diversas cidades.

O balanço mais recente disponível nesta quinta-feira (13) apontava pelo menos 281 mortos, mais de 3,9 mil feridos e centenas de desaparecidos, enquanto as equipes continuavam trabalhando nas regiões atingidas.

Além das mortes, houve danos generalizados em residências, hospitais, escolas, estradas e outras estruturas essenciais.

🔎 OLHAR DO PORTAL AUGE1

O impacto sobre o café demonstra como uma catástrofe natural pode desencadear uma sequência de consequências muito além da região diretamente atingida.

Primeiro vem a tragédia humana.

Depois aparecem os danos às estradas.

As dificuldades nos portos.

Os problemas para transportar a produção.

A necessidade de redirecionar cargas.

E, dependendo do tempo necessário para restabelecer a infraestrutura, os reflexos podem chegar ao mercado internacional e ao preço das commodities.

No caso colombiano, existe um agravante: Buenaventura historicamente responde por parcela majoritária do escoamento do café do país.

Por isso, as próximas avaliações da infraestrutura serão fundamentais.

Se o porto voltar rapidamente às operações e os principais corredores rodoviários forem liberados, o impacto comercial poderá ser limitado.

Se a paralisação se prolongar, entretanto, o terremoto poderá transformar uma tragédia nacional colombiana também em um problema relevante para a cadeia mundial do café.

E nesse cenário, o Brasil estará inevitavelmente no radar dos compradores internacionais.

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Fonte: Federação Nacional de Cafeeiros da Colômbia (FNC); Reuters; dados da Direção de Investigações Econômicas da FNC; Organização Internacional do Café (OIC).

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