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Brasil

😴 KASSAB DORME ENQUANTO CAIADO FALA NO DEBATE E IMAGEM VIRA SÍMBOLO DE UMA POLÍTICA QUE PRECISA ACORDAR

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Imagem Pública Internet

Vice na chapa presidencial do PSD foi flagrado aparentemente cochilando enquanto Ronaldo Caiado participava do primeiro debate presidencial;

Em uma noite marcada por três púlpitos vazios, outra imagem chamou atenção nos bastidores do primeiro debate presidencial de 2026, realizado pela Band neste domingo (23).

O candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado (PSD), Gilberto Kassab, apareceu aparentemente cochilando enquanto seu próprio candidato participava do debate.

É uma cena curta. Pode ter sido apenas cansaço. Não é possível saber, pela imagem isolada, quanto tempo durou ou por que aconteceu.

Mas, politicamente, a imagem é devastadora.

Porque enquanto Caiado tentava convencer milhões de brasileiros de que merece comandar o país, seu próprio candidato a vice parecia vencido pelo sono.

E a cena abre espaço para uma discussão muito maior.

🃏 “CARTAS MARCADAS”?

Durante o debate, Renan Santos (Missão) utilizou a expressão “cartas marcadas” ao criticar o sistema político e eleitoral.

É tentador juntar a frase à imagem de Kassab e perguntar:

Kassab dorme tranquilamente porque já sabe como esse jogo termina?

Como provocação editorial, a pergunta é legítima.

Como afirmação jornalística, não.

Não existe elemento que permita afirmar que Kassab conheça antecipadamente o resultado das eleições ou que o pleito esteja decidido. Eleições brasileiras são realizadas sob regras e fiscalização da Justiça Eleitoral, e o resultado depende dos votos depositados nas urnas.

Mas há outra interpretação política da expressão “cartas marcadas” que merece debate.

Não sobre fraude eleitoral.

Mas sobre um sistema partidário no qual determinados personagens permanecem no centro do poder independentemente de quem vence a eleição.

E aí Kassab é um personagem particularmente interessante.

🏛️ KASSAB NÃO É UM ESTREANTE ESPERANDO SUA PRIMEIRA CHANCE

Gilberto Kassab é presidente nacional do PSD e um dos mais experientes articuladores da política brasileira.

Sua escolha para vice de Caiado foi construída justamente dentro dessa lógica de articulação partidária. A própria Band registrou, quando a chapa foi formada, que Kassab afirmou ter sido uma decisão “muito bem pensada”; ele também reconheceu que Tarcísio de Freitas havia sido a primeira opção presidencial desejada pelo PSD antes da consolidação da candidatura de Caiado.

Mais recentemente, Kassab declarou que partidos do chamado Centrão estariam próximos de Lula e chegou a dizer que Flávio Bolsonaro teria “chance zero” de vitória, declaração que provocou forte reação política. Caiado precisou posteriormente afirmar que a fala de seu vice havia sido mal interpretada.

Ou seja:

Kassab conhece como poucos os movimentos do tabuleiro político.

Isso torna a imagem do cochilo ainda mais carregada de simbolismo — embora continue sendo apenas simbolismo.

😴 QUANDO ATÉ O VICE DORME…

Existe uma ironia difícil de ignorar.

Pouco antes do debate, Kassab criticou justamente as ausências de Lula e Flávio Bolsonaro e classificou a decisão dos dois de não comparecer como um desrespeito aos eleitores.

Caiado também atacou duramente os ausentes.

E estava correto em cobrar participação.

Mas então surge a imagem do próprio candidato a vice aparentemente dormindo enquanto o debate acontece.

Comparecer fisicamente basta?

Porque participação democrática não deveria ser apenas ocupar uma cadeira.

Deveria significar envolvimento.

Atenção.

Interesse.

Comprometimento.

Especialmente para alguém que pretende ocupar o cargo de vice-presidente da República.

🇧🇷 VICE-PRESIDENTE NÃO É FIGURANTE DE CAMPANHA

Esse ponto precisa ser levado a sério.

O vice não é um enfeite colocado na fotografia da chapa.

A Constituição estabelece que o vice-presidente substitui o presidente em caso de impedimento e o sucede em caso de vaga.

Portanto, quem disputa a Vice-Presidência está pedindo autorização a milhões de brasileiros para eventualmente governar o país.

É razoável, então, esperar que esteja profundamente interessado no debate sobre o projeto político da chapa que integra.

E é justamente por isso que uma simples cochilada pode adquirir enorme peso político.

🔥 POLÍTICA VIROU PROFISSÃO?

A imagem também alimenta uma crítica recorrente entre brasileiros: a profissionalização permanente da política.

Não no sentido positivo de preparação técnica para governar.

Mas da política como carreira contínua, feita de cargos, partidos, alianças, secretarias, ministérios, governos e articulações que atravessam diferentes administrações.

Nesse ambiente, o cidadão pode começar a sentir que eleição é um acontecimento gigantesco para quem está fora do poder, mas apenas mais uma rodada de negociações para quem vive dentro dele há décadas.

E essa percepção é perigosa para a democracia.

Porque gera descrença.

🃏 TALVEZ AS “CARTAS MARCADAS” ESTEJAM EM OUTRO LUGAR

Não há base para afirmar que o resultado das urnas esteja previamente determinado.

Mas existe uma discussão legítima sobre outra espécie de previsibilidade:

quantos dos mesmos personagens continuarão influentes qualquer que seja o vencedor?

Quem fará alianças depois?

Quem controlará bancadas?

Quem negociará apoio no Congresso?

Quem ocupará ministérios?

Quem comandará partidos?

Quem estará sentado à mesa das negociações no dia seguinte à eleição?

Talvez seja nesse sentido que a provocação sobre as “cartas marcadas” encontre uma discussão política realmente interessante.

Não porque alguém saiba antecipadamente quem ganhará a eleição.

Mas porque determinados grupos políticos sabem que provavelmente continuarão participando do jogo do poder.

🗳️ E O ELEITOR?

Enquanto isso, para milhões de brasileiros, a eleição está longe de ser protocolo.

O cidadão quer saber quem vai reduzir a fila de uma cirurgia.

Quem vai enfrentar o crime organizado.

Quem vai melhorar a escola pública.

Quem vai administrar impostos.

Quem vai gerar empregos.

Quem vai controlar gastos.

Quem vai cuidar das estradas.

Quem vai comandar o país diante de uma crise.

Para essas pessoas, o debate não é uma cerimônia.

É uma das poucas oportunidades de colocar candidatos frente a frente e comparar quem realmente está preparado.

⚠️ UM COCHILO NÃO DEFINE UM POLÍTICO — MAS UMA IMAGEM PODE DEFINIR UM DEBATE

Seria injusto transformar alguns segundos em diagnóstico definitivo sobre Gilberto Kassab.

Pessoas ficam cansadas. Campanhas presidenciais possuem agendas extensas. Uma imagem não permite saber o contexto completo.

Mas política também é símbolo.

E neste domingo os símbolos foram fortes demais.

Três púlpitos vazios.

Candidatos reclamando das ausências.

Renan Santos falando em “cartas marcadas”.

E o candidato a vice de Caiado aparentemente cochilando enquanto seu companheiro de chapa tentava convencer o Brasil.

A eleição certamente não está decidida.

Mas a fotografia permite uma provocação que deveria incomodar todos os partidos:

SE A ELEIÇÃO É TÃO IMPORTANTE PARA O ELEITOR, POR QUE ÀS VEZES PARECE TÃO ROTINEIRA PARA QUEM VIVE DA POLÍTICA?

Talvez o Brasil não precise descobrir quem conhece previamente o resultado.

Precise descobrir algo mais simples:

quem ainda está acordado para representar o eleitor.

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Nota editorial: a crítica desta matéria refere-se ao significado político da imagem. Um registro de Kassab aparentemente cochilando não demonstra conhecimento antecipado do resultado eleitoral, fraude, combinação entre candidatos ou irregularidade no processo eleitoral. A expressão “cartas marcadas” é tratada como provocação política e não como constatação factual.

Fontes: cobertura do Debate da Band e informações públicas sobre a chapa Caiado/Kassab.

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