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🚨 MENINO DE 12 ANOS PROCURA POSTO DE SAÚDE SOZINHO E PADRASTO É PRESO SUSPEITO DE TORTURA EM ARTUR NOGUEIRA

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Imagem TV Hortolândia

Adolescente chegou à unidade de saúde com diversos ferimentos e relatou agressões dentro de casa; durante diligências, agentes apreenderam marreta e peças metálicas e encontraram marcas de impacto na porta do quarto da vítima

Um menino de apenas 12 anos precisou procurar atendimento médico sozinho e seu relato terminou na prisão em flagrante do padrasto, suspeito de torturá-lo, em Artur Nogueira, na Região Metropolitana de Campinas.

O caso foi registrado nesta sexta-feira (21), depois que o adolescente chegou sozinho a uma unidade de saúde no Parque das Flores, apresentando diversos ferimentos.

A situação chamou a atenção dos profissionais e mobilizou as autoridades.

Segundo as informações da ocorrência, ao ser ouvido pela Polícia Civil, o garoto relatou que já teria sido agredido fisicamente em outras ocasiões e descreveu episódios nos quais o suspeito teria provocado intensa dor.

A partir do relato, começaram as diligências para apurar o que acontecia dentro daquela residência.

🔨 MARRETA E PEÇAS METÁLICAS FORAM APREENDIDAS

Durante a averiguação no imóvel da família, a Guarda Municipal apreendeu uma marreta e peças metálicas.

Também foram encontradas marcas de impacto na porta do quarto utilizado pelo menino, elementos que deverão ser analisados no conjunto da investigação.

A apreensão dos objetos, isoladamente, não permite concluir de que maneira teriam sido utilizados. Caberá à investigação e às perícias estabelecer eventual relação deles com as agressões relatadas pela vítima.

Mas o cenário encontrado na residência reforçou a necessidade de aprofundamento imediato das apurações.

📹 CÂMERAS AJUDARAM A LOCALIZAR SUSPEITO

O homem não foi localizado inicialmente na residência.

O sistema municipal de monitoramento passou então a ser utilizado para auxiliar nas buscas.

Quando o suspeito retornou à cidade, teria sido identificado e acompanhado pelas câmeras. Ele acabou localizado na Rua Joaquim Maria Mathey.

Após a abordagem, foi conduzido ao plantão policial.

Diante dos elementos reunidos na ocorrência, o homem foi preso em flagrante sob suspeita de tortura e permaneceu à disposição da Justiça.

A prisão não representa condenação definitiva, e o investigado possui direito ao contraditório e à ampla defesa.

⚠️ UMA CRIANÇA PRECISOU PEDIR SOCORRO SOZINHA

Há um aspecto deste caso que precisa provocar uma reflexão muito além de Artur Nogueira:

um menino de 12 anos chegou sozinho a uma unidade de saúde procurando ajuda.

Quando uma criança precisa sair de casa e procurar por conta própria um serviço público porque não encontra proteção justamente no ambiente onde deveria estar segura, toda a rede de proteção precisa ser acionada.

Casos assim também demonstram por que professores, profissionais de saúde, familiares, vizinhos e demais pessoas próximas precisam estar atentos a mudanças repentinas de comportamento e sinais físicos ou emocionais de violência.

Uma criança pode não conseguir dizer diretamente:

“Estou sendo agredida.”

Às vezes, o pedido de ajuda aparece de outra maneira.

🛡️ CRIANÇA TEM DIREITO À PROTEÇÃO INTEGRAL

A Constituição Federal estabelece, em seu artigo 227, que é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar, com absoluta prioridade, os direitos de crianças e adolescentes e colocá-los a salvo de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

O Estatuto da Criança e do Adolescente segue a mesma lógica de proteção integral.

E existe uma razão para essa responsabilidade não ser atribuída exclusivamente aos pais.

Em determinados casos, a violência pode acontecer justamente dentro da residência e ser praticada por alguém responsável pelos cuidados da criança.

É nesses momentos que escola, saúde, assistência social, Conselho Tutelar, forças de segurança e sociedade tornam-se ainda mais importantes.

🚨 TORTURA É DIFERENTE DE “CORRIGIR” OU “EDUCAR”

Nenhuma suposta finalidade educativa legitima violência contra uma criança.

A Lei nº 9.455/1997 tipifica, entre outras condutas, submeter pessoa sob guarda, poder ou autoridade, mediante violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo.

A definição jurídica exata do ocorrido em Artur Nogueira dependerá das provas produzidas e da avaliação das autoridades.

Mas é fundamental romper uma ideia que ainda aparece em casos de violência doméstica:

agressão não é método de educação.

E violência grave contra criança não pode ser relativizada como simples “problema familiar”.

🏥 PROFISSIONAIS DE SAÚDE TAMBÉM SÃO PARTE DA REDE DE PROTEÇÃO

A procura por atendimento médico pode representar uma oportunidade decisiva para identificar situações de violência.

Ferimentos incompatíveis com as explicações apresentadas, lesões recorrentes, medo excessivo de determinado responsável e relatos espontâneos precisam ser tratados com atenção e conforme os protocolos de proteção.

A Lei nº 13.431/2017 estruturou mecanismos específicos para o atendimento de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência, justamente buscando evitar que a vítima tenha de repetir desnecessariamente experiências traumáticas durante o processo de atendimento e investigação.

👀 “BRIGA DE FAMÍLIA” NÃO É DESCULPA PARA IGNORAR SINAIS

Existe também uma responsabilidade coletiva.

Um vizinho pode ouvir agressões.

Um professor pode perceber marcas.

Um familiar pode notar medo.

Um profissional de saúde pode encontrar lesões.

Nenhuma dessas pessoas precisa investigar por conta própria ou confrontar diretamente um possível agressor.

Mas suspeitas consistentes de violência contra crianças devem chegar à rede de proteção e às autoridades competentes.

A omissão pode permitir que agressões continuem escondidas durante meses ou anos.

💔 ELE TEM APENAS 12 ANOS — E TEVE CORAGEM DE PROCURAR AJUDA

A investigação ainda precisará esclarecer toda a dinâmica das agressões, a frequência dos episódios, eventual utilização dos objetos apreendidos e se outras pessoas tinham conhecimento do que estaria acontecendo.

Mas existe um fato que não deveria passar despercebido:

a vítima procurou ajuda.

Um menino de 12 anos conseguiu chegar sozinho a um serviço de saúde e relatar aquilo que estaria vivendo.

Agora, cabe ao Estado garantir que esse pedido de socorro seja seguido de proteção, atendimento adequado, acolhimento e investigação rigorosa.

E o caso deixa um recado importante para qualquer criança ou adolescente que esteja sofrendo violência:

pedir ajuda pode interromper um ciclo de agressões.

Para os adultos, o recado é ainda mais direto:

quando uma criança demonstra que alguma coisa está errada, escute.

Porque talvez ela esteja tentando encontrar uma forma de dizer:

“Eu preciso de proteção.”

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Fonte: informações da ocorrência envolvendo Polícia Civil e Guarda Municipal de Artur Nogueira. A investigação deverá estabelecer as circunstâncias completas do caso e a responsabilidade do suspeito.

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